Oposição aguarda pacote de ajustes da nova equipe econômica para explorar contradições da presidente e aquecer debate na largada da nova legislatura

A pauta econômica e a necessidade de fazer avançar o pacote fiscal na largada do novo governo vão marcar o primeiro ponto de tensão entre o governo e a oposição em 2015. A nova equipe econômica já começa a preparar as primeiras medidas e muitas delas deverão passar pelo crivo do Congresso. Por isso mesmo, a oposição já promete atenção especial com assessores técnicos prontos para se debruçar em medidas provisórias e projetos enviados ao parlamento pelo Planalto.  

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Perguntado sobre o principal ponto de tensão para o início de 2015, o líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), confirma a disposição em cerrar fileiras para o enfrentamento na área econômica. “O pacote de ajuste econômico, que, imagino, será composto de Projetos de Lei e Medidas Provisórias, com regime de urgência constitucional, deverá chegar aqui para que o governo faça o ajuste na máquina e será um ponto importante. Minha assessoria está pronta para, assim que isso bater aqui, a gente possa entender em detalhes e fazer o debate”, diz Mendonça.

O presidente Nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), recém-saído do processo eleitoral, lembra do embate com Dilma Rousseff e o discurso usado pela adversária para ponderar a questão. “O governo, além das questões éticas, cujo desfecho é imprevisível, terá de enfrentar a realidade das condições econômicas. Terá de enfrentar a contradição entre o quadro real e aquilo que vendeu na eleição. A grande questão é saber até que ponto é real o desejo do governo corrigir essa situação ou se trata-se apenas de dar alguma satisfação ao mercado para acalmá-lo”, afirma Aécio.

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O senador Romero Jucá (PMDB-RR), neo-rebelde que apoiou Aécio nas eleições e se declarou recentemente um parlamentar independente apesar de estar num partido da base, faz leitura semelhante e coloca a economia como campo de disputa entre os dois lados. “Acho que o início do próximo ano terá esse aspecto econômico. Será preciso discutir a diferença entre aquilo que foi o discurso de campanha e a realidade. Isso vai ser um assunto que será explorado pela oposição”, avalia Jucá.

Petrobrás

Para o vice-líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), uma nova CPI para apurar desvios na Petrobrás deve estar no topo da lista da oposição. “O governo tem criado tantos fatos negativos que não podemos prever o que está por vir. O que se pode adiantar é que teremos um esforço para ter uma nova CPI da Petrobrás”, declara o senador paraibano. “A instalação de uma CPMI para apurar desvios na Petrobras apontados pela Operação Lava Jato também deve gerar atrito”, acrescenta Mendonça Filho.

Na opinião de Jucá, não apenas uma nova CPI sobre a Petrobrás tem potencial para gerar atritos. Ele aposta num clima mais belicoso em 2015 no Congresso. “Terá também a questão da Petrobras e as coisas do dia a dia. Acho que será mais tensionado no ano que vem porque a oposição saiu fortalecida da eleição e cada disputa será mais acirrada independentemente do assunto que for tratado”, arrisca Jucá.

Se para uma ala da oposição a Petrobrás é outro tema central no enfrentamento com o governo, existem aqueles que preferem cautela com a questão. Um dos mais enérgicos personagens da oposição, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), faz uma reflexão diferente da maioria de seus aliados. “Em relação à CPI, precisamos ter cuidado para não acabarmos desmoralizados. Se for somente para ficar repercutindo arquivo que as investigações da Justiça já mostraram vamos ficar desmoralizados. Mas claro que se for uma decisão do partido (uma nova CPI) terá meu apoio, mas é um risco”, avalia Dias.


Governo

Cotado para assumir a liderança do governo na próxima legislatura na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE), faz questão de dizer que o balanço do ano foi positivo para o governo ao comentar as expectativas para 2015. “Conseguimos vitórias importantes em 2014 e viramos o ano com uma agenda positiva. Eles (oposição) jamais imaginavam que chegaríamos onde chegamos, como por exemplo com a votação da LDO e a mudança na meta do superávit”, provoca o petista.


Ele admite que será mesmo na área econômica o ponto de tensão principal entre governo e oposição. “A pauta do governo é economia. A nova equipe começa a adquirir confiança e para mim será aí o principal embate. Eles querem que a presidente Dilma coloque as teses deles em prática, mas vamos governar com as teses que foram vitoriosas na eleição. Então nossa expectativa é que a equipe econômica encaminhe ao Congresso um conjunto de medidas que ajude a recuperar a economia. Não é pacote de maldade, é pacote de bondade. Não faremos ajuste algum comprometendo renda ou emprego”, diz Guimarães.


Sobre uma nova CPI da Petrobrás, o petista acredita que cabe mais à Justiça e menos ao Congresso conduzir o tema. “A Lava Jato está sendo conduzida na Justiça. O que o Congresso deveria fazer sobre isso, já fez. Não dá para ficar instalando CPI agora como se troca de roupa. Não há processo com tanto vigor de apuração quanto esse. Não terá polêmica nesse sentido, a polêmica será na economia”, avalia Guimarães.

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