Tucano faz defesa de propostas apresentadas por Aécio em 2013; tema é uma das principais bandeiras de Dilma Rousseff

Geraldo Alckmin (centro) entre o vice-governador Márcio França (à frente) e o secretário Edson Aparecido (fundo)
Divulgação/Governo de SP - 2.1.15
Geraldo Alckmin (centro) entre o vice-governador Márcio França (à frente) e o secretário Edson Aparecido (fundo)

Na segunda fala sobre o plano federal em dois dias, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) , defendeu nesta sexta-feira (2) a realização em 2015 de uma reforma política  - uma das principais bandeiras da presidente  Dilma Rousseff (PT) para seu segundo mandato.

"[ A reforma política ] é supernecessária. Eu diria que é a reforma das reformas. Muito dos problemas que nós temos são oriundos do modelo de hoje que é de baixa legitimidade. As pessoas não se sentem representadas", afirmou Alckmin ao ser questionado sobre o discurso de posse de Dilma.

A declaração foi dada após a primeira reunião pública do secretariado de Alckmin no Palácio dos Bandeirantes. Um dia antes, no mesmo local, o governador de São Paulo havia aproveitado seu discurso de posse aos secretários que comandarão o Estado no novo mandato para fazer diversos ataques velados ao governo federal e ao PT.

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Alckmin propôs a implementação do voto distrital - que impede que um candidato a deputado possa obyer votos em qualquer local do Estado; da cláusula de barreira para reduzir o número de partidos; e o fim das coligações nas eleições proporcionais (para deputados, senadores e vereadores).

As três medidas fazem parte da proposta de reforma política apresentada em 2013 pelo senador Aécio Neves, presidente do PSDB, candidato derrotado à Presidência e possível adversário de Alckmin na disputa pela vaga de nome do partido para a disputa de 2018.

"[ A inexistência de voto distrital ] beneficia corporações. O Brasil está vivendo o ápice do corporativismo", disse Alckmin. "Beneficia recurso financeiro, quem tem dinheiro para fazer campanha no Estado inteiro, campanhas caras, beneficia quem está na mídia, que é conhecido no Estado inteiro. Quem não está, não consegue [ se eleger ]", afirmou Alckmin nesta sexta-feira (2).

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O tucano disse que sua "disposição é ajudar" na realização de uma reforma política que reduza a quantidade de partidos no País - a partir de fevereiro, a Câmara dos Deputados terá parlamentares de 28 legendas.

"Essa fragmentação partidária, ela dificulta a a governabilidade. Então a reforma política, o voto distrital com cláusula de barreira, com a proibição de coligação proporcional ela é extremamente necessária e a nossa disposição é de ajudar".

A reforma política foi central aos discursos de posse de Dilma na quinta-feira (1º). A presidente citou o tema três vezes, nos dois pronunciamentos que fez, considerando a medida "urgente e necessária".

Após os protestos de junho de 2013, a presidente chegou a propor uma assembleia constituinte exclusiva para fazer uma reforma política. Depois, recuou e seu governo começou a discutir um plebiscito. Essa ideia também não foi para a frente.

Embora PT, PSDB e PMDB - que detêm 37% da Câmara dos Deputados - concordem com a necessidade da reforma, divergem sobre quais medidas ela deve integrar, e nenhum deles possui uma proposta exatamente igual à feita pela ONG Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas.

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