Alckmin anuncia corte de 15% de cargos de confiança e congela R$ 6,6 bilhões

Por Vitor Sorano | - Atualizada às

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Maior parte do valor bloqueado é relativo a investimentos; gastos com custeio do governo serão reduzidos em 10%

Na primeira reunião com seu secretariado após a posse, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou corte de 15% dos cargos de confiança - que representam 2,4% do funcionalismo, segundo o IBGE -, redução de 10% nos gastos de custeio (despesas gerais, exceto pessoal) e congelamento de $ 6,6 bilhões, a maior parte em investimentos.

Governador paulista anunciou redução de cargos e de custeio na primeira reunião do ano
Vitor Solano/iG São Paulo
Governador paulista anunciou redução de cargos e de custeio na primeira reunião do ano

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"Nós temos duas metas: redução de 15% dos cargos comissionados e 10% do custeio", afirmou o governador. "Como neste ano não teremos um comportamento mais seguro da economia, então agir com prudência para que a gente possa investir mais naquilo que interessa, naquilo que traz benefício para a população", justificou o tucano.

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Cargo de confiança é 2,4% do total

As as afirmações foram feitas no momento em que a reunião com o secretariado foi aberta à imprensa para a realização de imagens. Os jornalistas não puderam acompanhar o restante do encontro, que ocorreu a portas fechadas no Palácio dos Bandeirantes. Mais tarde, o governador voltou ao tema em entrevista coletiva.

Os cargos de confiança (ou comissionados) representam uma minoria no funcionalismo público paulista. O governo tem 14.731 funcionários nessas posições, o que representa 2,4% do total de 612.083, de acordo com dados do IBGE relativos a 2013. Assim, o corte de 15% será aplicado sobre uma fatia pequena do quadro de pessoal.

Alckmin não informou quantos cargos serão cortados nem o quanto será economizado com a medida.

Segundo o governador, esse corte de 15% se soma à extinção de 2.064 cargos comissionados anunciada em 2013. Naquela ocasião, porém, as posições estavam vazias, por isso não houve demissões. Agora, apenas uma minoria dos 15% que serão cortados está vaga.

"A maioria deve estar ocupado. Se tiver vago, é muito pouco", disse.

Já o corte de 10% no custeio deverá atingir inclusive as secretarias de Educação, Saúde e Segurança Pública, esclareceu o tucano. 

"Educação, Saúde e Segurança a gente sempre analisa em separado, mas é claro que envolve."

Durante a parte pública da reunião, Alckmin orientou os seus secretários a otimizarem a utilização dos prédios públicos de forma a economizar com aluguéis (um dos itens do custeio, que inclui também despesas com veículos, combustível, limpeza etc.).

"Vamos tentar gastar o mínimo necessário  em aluguéis e utilizar o máximo possível os espaços. Com isso, a gente consegue reduzir custos, fazer mais, fazer melhor, com menos dinheiro".

Veja a fala do governador


Congelamento

A terceira medida de redução de gastos anunciada pelo governador é um congelamento provisório de R$ 6,6 bilhões, que equivalem a 10% dos gastos não-fixos, como folha de pagamento e pagamento dívida, chamados de discricionários.

A maior parte desses R$ 6,6 bilhões, R$ 4,4 bilhões, são de investimentos que serão suspensos - o restante é de custeio. Questionado sobre quais investimentimentos serão afetados, o tucano citou rodovias e metrô. Ele negou, entretanto, que vá haver atraso na entrega das obras que estão em andamento.

"Não vai atrasar [entrega de estações do Metrô em obras]", disse Alckmin.

O contingenciamento no início de ano é algo comum e foi feito em 2013. O tucano condicionou o descongelamento à melhora das condições econômicas do País.

"Acreditamos que a economia pode melhorar. Equipe nova, mais confiança."

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