Ministros acompanham a cerimônia de posse de Dilma no plenário da Câmara dos Deputados. Os 39 integrantes da equipe ministerial serão empossados no Palácio do Planalto.

Agência Brasil

Ministros que estarão na equipe da presidenta Dilma Rousseff no segundo mandato falaram nesta quinta-feira (1°) sobre projetos e prioridades de suas pastas para o próximo governo. Os que permanecem na Esplanada, como o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, falam em continuidade e ampliação de medidas e os novos titulares apontaram desafios.

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A nova ministra da Agricultura, Katia Abreu, que substituirá Neri Geller, disse que entra no governo com a meta de levar 1,5 milhão de pequenos agricultores à classe média. “Vamos dar atenção total aos pequenos produtores. Se temos hoje 5 milhões [de produtores], apenas 150 mil estão na classe média rural brasileira. A exemplo das cidades, o foco do ministério é aumentar essa classe média rural”, disse ao chegar ao Congresso Nacional para a cerimônia de posse.

Kátia Abreu disse que seu trabalho na pasta vai ser guiado pelo diálogo com todos os setores e pela desburocratização. “Temos que facilitar a vida do produtor e não criar dificuldades. Temos que autorizar exportações, autorizar abertura de frigoríficos, autorizar empresas a funcionarem, o registro de agroquímicos, temos que ter agilidade. Queremos agilidade com eficiência e qualidade”.

Também novato no governo Dilma, o indicado para o Ministério da Cultura, Juca Ferreira, disse que está tranquilo para assumir a nova função e que a experiência a frente da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo pode ajudar na nova tarefa. “Estou vindo da experiência de São Paulo, conheço as duas pontas: o governo federal e o poder local, então acho que posso ajudar”. Ferreira foi ministro da Cultura entre 2008 e 2010, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, disse que vai dar continuidade à modernização da pasta com transparência total que, segundo ele, “é a melhor maneira de combater a corrupção”. Ele acrescentou que a prioridade será “a manutenção das políticas de geração de emprego e de valorização do salário”.

Dias ressaltou que o Brasil não está enfrentando uma crise econômica. “Quem está em crise é o mundo”. Ele defendeu a elaboração de um programa que dê continuidade ao que foi feito até agora “com a geração de 20 milhões de empregos, com a inclusão de 50 milhões de brasileiros na classe média, com as políticas de distribuição de renda”.

Sobre as novas medidas anunciadas de mudança no seguro-desemprego, o ministro destacou que elas não subtraem nenhum direito. “Não afeta [o trabalhador]. Vai haver uma reunião com as centrais [sindicais] na primeira quinzena de janeiro para a gente discutir isso”, disse Dias.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o segundo mandato de Dilma será um grande governo. Sobre a expectativa de corte de gastos, ressaltou que é absolutamente natural. “No momento econômico que nós vivemos, vamos ter que fazer os cortes necessários. A equipe econômica vai trabalhar nessa linha. Esse é o nosso desafio, melhorar nossa gestão”.

Em relação à Operação Lava Jato, Cardozo destacou que as investigações continuam. “É muito importante que sigam essa linha de autonomia e independência para que todos aqueles que porventura praticaram ilícitos, sejam punidos dentro da lei.”

Sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que estabelece que o Congresso Nacional deverá decidir sobre a demarcação de terras indígenas, Cardozo espera que não seja aprovada. “Temos condições de melhorar no âmbito do Poder Executivo o processo de demarcação [de terras indígenas]. Não há sentido que nós tenhamos uma situação dessa natureza que fere o texto da Constituição e não trará resultado nenhum a conflitos que envolvam terras indígenas”.

Cardozo ressaltou que essa é uma posição do governo federal. A seu ver a PEC é inconstitucional. “Ela ofende uma cláusula pétrea, que é o princípio da separação de poderes.”

Os ministros acompanham a cerimônia de posse de Dilma no plenário da Câmara dos Deputados. Os 39 integrantes da equipe ministerial serão empossados hoje no Palácio do Planalto.

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