Já de olho na disputa presidencial de 2018, governador de São Paulo faz ataque indireto ao PT na posse dos secretários

Recém empossado para mais quatro anos de mandato a frente do governo de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) aproveitou a posse de seu secretariado para o novo mandato, no início da tarde desta quinta-feira (1º), para atacar indiretamente o Governo Federal e o PT, com quem o tucano espera disputar a Presidência da República em 2018. 

"O Brasil pode avançar e São Paulo dá mostras disso. Os brasileiros de São Paulo repudiam o aparelhamento da máquina pública. Consideram repugnante a prática política que transforma a máquina em um clube", atacou o tucano, no Palácio dos Bandeirantes, na segunda menção ao tema em seu discurso.

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A fala é endereçada ao PT que, no plano federal, se vê às voltas com o escândalo da Petrobras - que envolve nomeações politicas para diretorias da estatal. Os petistas derrotaram os tucanos na eleição presidencial no ano passado. 

Alckmin, que com o novo mandato dá ao PSDB a chance de ficar 24 anos no governo de São Paulo, chegou a pregar a mudança - tema explorado na campanha presidencial pelos dois adversários de Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB).

"O povo paulista - que é, reitero, a expressão fiel do povo brasileiro - amadureceu. Quer a mudança que sabe ser segura. Quer a segurança sem a qual a mudança degenera em desordem."

Os ataques ao PT foram além da corrupção. Alckmin fez crítica velada ao Bolsa Família - uma das principais bandeiras e trunfos eleitorais do petismo, ecoando a ideia de que as transferências de renda podem tornar os indivíduos reféns do Estado.

"Para nós, as politicas que servem para combater a pobreza extrema devem servir para libertar os homens e não para fazer deles objetos de uma nova servidão", condenou o tucano.

Na esfera econômica, Alckmin criticou o " otimismo irresponsável, que também já nos custou muito".

Elencando diferenças de visões da política, o tucano disse que entre o Estado mínimo e o o intervencionista, o "Estado necessário" é a melhor alternativa.

Prosseguindo na questão, o tucano afirmou que o Estado brasileiro "precisa livrar-se da corrupção que insiste em sequestrá-lo", arrancando aplausos da plateia de aliados.

Na única referência que fez à crise hídrica, Alckmin elogiou o empenho dos paulistas, que aderiram a política de economizar água para obter descontos nas contas. 

Assim como cerimônia de posse na Assembleia Legislativa, na parte da manhã, Alckmin homenageou o ex-governador Mario Covas, seu padrinho político. Citando Covas, o tucano disse que "governar é não deixar ninguém para trás". 

Presentes na cerimônia de posse de secretários, os ex-governadores José Serra e Alberto Goldman também receberam homenagens.  

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Segundo o governador paulista, uma reeleição como a que ele obteve não deve ser encarada como um prêmio, mas sim como uma missão.  "Os paulistas nos elegeram para que façamos a melhor gestão da história de São Paulo", discursou o tucano.  

O discurso de posse de Alckmin ainda teve espaço para um alerta aos que participam de manifestações."[Ser paulista] é compreender que o direito à livre expressão pode e deve conviver com a integridade física e com o direito de ir e vir dos cidadãos."

O governo tucano foi criticado pela violência com que coibiu os protestos de junho de 2013. No mês passado, Alckmin vetou uma lei aprovada na Assembleia Legislativa de São Paulo que proibia o uso de balas de borracha pela PM.

Geraldo Alckmin posa com a equipe secretários de seu novo mandato
Divulgação
Geraldo Alckmin posa com a equipe secretários de seu novo mandato

Alckmin vai fazer a primeira reunião com o secretariado na próxima sexta-feira (2) pela manhã no Palácio dos Bandeirantes, onde concederá sua primeira entrevista coletiva depois de empossado.

Sem pretensões 

Secretário da Casa Civil de Alckmin, Edson Aparecido negou que o tucano tenha feito um discurso visando as eleições presidenciais de 2018."Não, acho que foi a defesa de um modelo. Acho que foi a defesa de um modelo que começou com Mario Covas. E isso vai ser permanente: foi para agora, para a eleição que passou, e vai ser para eleições futuras e o PSDB no momento adequado vai sentar, se unir", justificou Aparecido.  

Recém empossado na secretaria estadual de logística e transportes, Duarte Nogueira também negou a finalidade política no discurso de Alckmin. De acordo com o secretário, a fala do governador "atende ao que pensa a sociedade". 

"Quando ele fala para São Paulo ele também fala para o Brasil. Ele é candidato a ser um bom governador", argumentou Nogueira, que preside o PSDB paulista. O secretário disse ao i G que não vai pleitear sua recondução ao cargo no comando da seção paulista do partido. 

A escolha deve ocorrer em abril. A expectativa é que o deputado estadual Pedro Tobias seja apoiado por Alckmin para fortalecer seu retorno ao posto.

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