Definições aguardam últimas conversas entre Dilma e Temer; governador da Bahia, Jaques Wagner deverá despachar no Planalto e ganhar pasta turbinada por publicidade do governo

Com as últimas conversas realizadas entre interlocutores do PT e do PMDB nos últimos dias, a nova composição ministerial da presidente Dilma Rousseff começa a se desenhar para o segundo mandato.

Dilma entre seu vice, Michel Temer, e o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves
Agência Brasil
Dilma entre seu vice, Michel Temer, e o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves

Algumas conversas ainda precisam ser feitas pela própria presidente. O novo desenho inclui trocas de titulares de pastas importantes do governo, como Previdência, Educação, Meio Ambiente, Comunicações, entre outras pastas.

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A conversa final de Dilma e Temer só deverá ocorrer na próxima quinta-feira (18), após o retorno da presidente de viagem à Argentina, onde participa da 47ª reunião do Mercosul. Dilma antecipou o compromisso para pernoitar em Porto Alegre, onde vive sua filha Paula, e seu neto, Gabriel.

A aposta é que o anúncio dos novos titulares ocorra no final desta semana ou no início da próxima.

Pendências
Até lá, o PMDB terá ainda que resolver uma equação interna. O partido quer trocar o controle do Ministério da Previdência, hoje comandado interinamente por Carlos Eduardo Gabas, pelo Ministério da Integração Nacional, controlado pelo PROS.

Entre os pretendentes ao cargo estão o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, que perdeu as eleições para o governo do Rio Grande do Norte, e o senador Eunicio Oliveira, derrotado na disputa pelo governo do Ceará.

A tendência é que Alves seja nomeado em vez de Eunicio, já que com o convite feito por Dilma à senadora Kátia Abreu, para a Agricultura, ela contemplou a bancada do partido no Senado com uma pasta antes dominada pela bancada do partido na Câmara.

Além de resolver a disputa interna, o PMDB ainda depende da aceitação, por parte do governador do Ceará, Cid Gomes, liderança mais importante do PROS, do convite feito informalmente pela presidente, para que ele ocupe a pasta da Educação.

Cid se colocou à disposição de Dilma na última terça-feira (16) para que ela o chamasse e oficializasse o convite. Interlocutores do governador cearense dizem que ele aceitará o convite caso seja oficialmente feito pela presidente. No Planalto, a ideia é que Cid na Educação abra espaço para quem o PMDB indicar para a Integração Nacional.

Caso o PMDB consiga trocar a pasta da Previdência pela Integração, o controle deverá voltar para o PT e Gabas, filiado ao PT de São Paulo, tem chances de continuar como titular por contar com a inteira confiança da presidente.

Lista do PMDB
Tirando a disputa em torno da Integração Nacional, o restante da lista do PMDB a ser entregue a Dilma já está fechada.

Além de Kátia Abreu para a Agricultura, a lista do partido inclui, para Minas e Energia, a indicação do senador Eduardo Braga, líder do governo no Senado e que também perdeu as eleições o governo do seu Estado, o Amazonas.

O partido também quer manter o ministro Moreira Franco, no comando da Secretaria de Aviação Civil. A pasta do Turismo, de acordo com os peemedebistas, continuará sob a indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros, que poderá manter no cargo o atual ministro Vinícius Lages.

O PMDB pretende ainda recuperar o controle da Secretaria dos Portos, hoje nas mãos de Cesar Borges, brigado com seu próprio partido, o PR. Para a pasta, o nome apresentado pela bancada da Câmara ao Planalto é o do deputado federal Eliseu Padilha (RS).

Veja a trajetória da presidente Dilma Rousseff:

Lista petista
Além disso, a possível ida de Cid para a Educação é a única hipótese considerada pelo PT para que o partido abra mão da pasta, hoje nas mãos de Henrique Paim. Se isso não ocorrer, o PT trabalha com duas possibilidades: manter Paim ou indicar o mineiro Reginaldo Lopes, deputado reeleito mais votado em Minas, para o ministério.

O PT também já definiu a posição que Jaques Wagner deverá ocupar no segundo mandato de Dilma. O governador baiano deverá comandar o Ministério das Comunicações no lugar de Paulo Bernardo, que está de saída do governo. A pasta será turbinada com o orçamento de publicidade da Presidência da República, hoje sobre o controle da Secretaria de Comunicação do Planalto.

O atual titular da Secom, Thomas Traumann, segundo interlocutores, é um dos nomes cotados pela presidente para a Autoridade Pública Olímpica (APO), que tem a função de representar o governo no consórcio formado com o objetivo de coordenar a realização das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Além disso, o partido da presidente deverá continuar com o Aloizio Mercadante, na Casa Civil; Ricardo Berzoini, na Secretaria de Relações Institucionais (SRI); José Eduardo Cardoso, no Ministério da Justiça; Artur Chioro, na Saúde, e Luiza Bairros, na Secretaria de Igualdade Racial.

Algumas mudanças já foram pedidas por correntes do partido. Uma delas é no Ministério do Meio Ambiente, hoje sob o comando de Izabela Teixeira, que já comunicou sua intenção de sair. A pasta foi pleiteada pela corrente interna Mensagem ao Partido, que indicou o nome do deputado federal Alessandro Molon (RJ) para ocupar a pastas. Molon é da mesma corrente de Cardozo, no entanto, a manutenção do atual ministro da Justiça é considerada pela tendência como da cota pessoal deDilma.

A indicação de Molon ainda agrada o PT do Rio que tem reclamado de não ter nenhuma pasta. O partido no Rio avalia que após a vitória de Dilma no estado, mereceria uma representação no segundo mandato.

Uma transferência já dada como certa pelo partido é a de Miguel Rossetto, do Ministério do Desenvolvimento Agrário para a Secretaria Geral da Presidência da República. Para o lugar de Rossetto, o nome mais cotado é o do atual diretor do Incra, Carlos Guedes de Guedes.

O PT também conta que manterá o Ministério da Cultura sob seu domínio. No entanto ainda há indefinição sobre o nome. Dois nomes do partido são cotados: o da atual ministra de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, ou o do ex-ministro Juca Ferreira. No entanto, o partido conta com a possibilidade de Dilma indicar nomes reconhecidos no meio cultural. Entre os mais cogitados estão o do escritor Fernando Morais, que mobilizou a classe artística durante a campanha, e do cantor Chico Cesar.

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Equação
Outra equação a ser fechada é para a área de Direitos Humanos. Para o lugar de Ideli, o partido ainda aguarda uma definição de Dilma. Uma das hipóteses mais comentadas é a de transferir para a pasta a atual ministra da Secretaria de Mulheres, Eleonora Menicucci, amiga da presidente desde a época da resistência ao regime autoritário.

Há no PT ainda um grupo defendendo a volta da deputada federal Maria do Rosário (RS) para a pasta, principalmente após as ofensas sofridas por ela por parte do deputado Jair Bolsonaro.

Aliados
Já o Ministério dos Transportes deverá continuar sob o comando do PR. De acordo com interlocutores do Planalto, o presidente do PSD e ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, deverá também ser confirmado como ministro das Cidades. O PSD ainda manterá no novo governo de Dilma o ministro Guilherme Afif Domingos, na Secretaria de Micro e Pequena Empresa.

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