Bolsonaro coleciona polêmicas, insultos e representações arquivadas

Por Marcel Frota , iG Brasília | - Atualizada às

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Apesar do tom agressivo e dos xingamentos, deputado do Rio de Janeiro jamais foi punido por colegas

Muito antes da mais nova confusão que o envolveu em polêmica com a deputada Maria do Rosário (PT-RS), Jair Bolsonaro (PP-RJ) já havia batido seu recorde pessoal de confusões. Nos últimos quatro anos, foi alvo de duas representações no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, ambas arquivadas, e cinco representações na Corregedoria da Casa. O cardápio de polêmicas esbanja insultos, discursos agressivos contra a homossexuais e mulheres e polêmicas sobre suas repetidas defesas ao golpe militar de 1964 que jogou o Brasil numa ditadura que durou 25 anos.

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Em 2011, Bolsonaro ganhou projeção ao participar de um programa de TV em que respondia a perguntas feitas por diversas pessoas. Algumas delas já conheciam as bandeiras conservadoras do ex-capitão do Exército e exploraram questões relacionadas e esses temas.

Preta Gil, filha do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, foi uma das entrevistadoras. “Se o seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?”, questionou. Bolsonaro respondeu: “O Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”. Assista ao vídeo:

Além da polêmica pela resposta, Bolsonaro foi alvo de representação no Conselho de Ética por causa disso. Na época, Bolsonaro alegou ter cometido um erro ao ler a pergunta que responderia. “Entendi-a como sendo o seguinte: ‘Se o seu filho tivesse um relacionamento com um gay, qual seria seu comportamento?’ Dei como resposta que agora se torna como sendo para outra pergunta: ‘Se seu filho se casasse com uma negra, qual seria seu comportamento?’”. A representação acabou arquivada com base em parecer de Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Comissão de Direitos Humanos

A partir da eleição de Marco Feliciano, em 2013, para o comando da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Bolsonaro passou a protagonizar a maior parte dos barracos que ali se viu. Feliciano foi alvo de protestos assim que tomou posse e viu em Bolsonaro seu escudeiro fiel, alguém que demonstrava satisfação em bater boca com ativistas homossexuais.

No dia 13 de março daquele ano, Bolsonaro se meteu em diversas discussões, todas regadas com xingamentos e insultos de parte a parte. Era a primeira sessão depois da eleição de Feliciano e os manifestantes marcavam de perto. O objetivo deles era pressionar os deputados para que Feliciano deixasse o comando da Comissão. Bolsonaro entrou em campo. “Vocês querem queimar a rosca vão queimar, po”, vociferou ele sem nenhum pudor. “Ah, meu filho é gay, que maravilha!”, ironizou, para em seguida disparar para um manifestante: “A ditadura que você gosta é outra, mas essa eu não posso te dar”. Assista ao vídeo:

Na mesma sessão, Bolsonaro quase saiu no tapa com o deputado Domingos Dutra (SDD-MA). A confusão entre os dois começou acalorado pelos embates entre deputados e ativistas. Bolsonaro, que não era membro titular da Comissão de Direitos Humanos, sentou-se à mesa ao lado de Feliciano, num gesto de provocação que Dutra e outros colegas não aceitaram. Foi justamente para retirar Bolsonaro daquela posição que resultou na quase briga dos dois. Nilmário de Miranda (PT-MG) aproximou-se do presidente e chegou a dar um soco na mesa. Assista ao vídeo:

Uma semana depois, e ainda sob o calor dos protestos, Bolsonaro se envolveu em mais um bate-boca, provavelmente um dos mais acalorados. Sob xingamentos de manifestantes, ele ironizou a presença de ativistas homossexuais. “Seu pai tem orgulho de você porque você dá”, disse ele. “Bando de vagabundos. São Pagos para fazer baderna”, acrescentou o deputado, que ante de deixar o Plenário 11 da Comissão de Direitos Humanos ainda insultaria ainda mais os manifestantes com palavreado de baixo calão. Assista ao vídeo:

Poucos dias depois, em abril daquele ano, Bolsonaro seria pivô de nova confusão, sempre recheada de xingamentos. A vítima da vez foi a Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci. Bolsonaro foi à tribuna da Câmara para criticar a ministra. Mas a crítica logo descambou para o palavreado vulgar tão amplamente usado pelo deputado nesse tipo de situação.

“Ela declara que continua a ter relações sexuais com homens e mulheres, ou seja, linguajar popular: sapatão”, disse o deputado fluminense. Neste ano, Menicucci voltou a ser alvo de Bolsonaro. “Ela me disse ‘não é porque tenho mais de 60 anos que não continuo fazendo sexo’ – mentira! Com aquela cara, nem com viagra na veia”, afirmou Bolsonaro, que depois acrescentou que a ministra é “feia pra caramba”.

Ainda em abril, Bolsonaro resolveu fazer uma panfletagem para defender a permanência da Feliciano na Comissão de Direitos Humanos da Casa. O panfleto dizia que era cartilha antiga da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara “estimular o homossexualismo nas escolas e escancarar as portas para a pedofilia”. O impresso trazia ainda uma mensagem do próprio Bolsonaro em que afirma que somente “canalhas, pedófilos, ativistas gays e desinformados” exigem a saída de Marco Feliciano da presidência da comissão.

Quando o colega estava em vias de deixar a presidência da comissão, Bolsonaro viu uma oportunidade perfeita para continuar a surfar na onda gerada por Feliciano. No início de 2014, Bolsonaro se colocou como pretendente a substituir o pastor paulista. Suas pautas de direitos humanos incluíam redução da maioridade penal, políticas para planejamento familiar. “Temos de dar direitos humanos para seres humanos, não para marginais”, disse Bolsonaro na época. Seu plano não vingou quanto o PT resolveu não repetir o erro de 2013 e em 2014 indicou o presidente da Comissão, impedindo que a indicação fosse feita por outro partido. Assista ao vídeo:

Golpe Militar

Ex-capitão do Exército, Bolsonaro também é notório defensor da ditadura militar. Sua defesa do regime autoritário se embasa na tese muito difundida na época de que ao Brasil restava ser uma ditadura de esquerda ou de direita, esta segunda, imposta ao país, tem sua preferência. Essa pauta já deu muito combustível para um parlamentar que parece viciado em insultar adversários e defender de forma enérgica seus pontos de vista, sejam quais forem. Ficou indignado ao não conseguir realizar uma sessão em homenagem ao golpe de 1964.

Ao comentar esse ocorrido, Bolsonaro voltou sua agressividade peculiar contra a repórter Manuela Borges, que o questionou sobre o golpe militar. “Você é uma idiota. Você aprendeu onde isso aí?”, disse o deputado, após a jornalista fazer uma pergunta sobre o golpe de 1964, no dia 02 de abril. “Você é uma analfabeta! Não atrapalhe seus colegas, você está censurada!”, completou o deputado, visivelmente exaltado.

Durante visita de membros da Comissão da Verdade a antiga sede do Destacamento de Operações de Informações-Centro de Defesa Interna (Doi-Codi), centro de tortura da ditadura militar (1964-1985) no Rio de Janeiro, terminou em nova confusão envolvendo Bolsonaro. Dessa vez com o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que o acusou de agressão. Assista ao vídeo:

Mais uma vez, Bolsonaro acabou se livrando de qualquer tipo de punição, para indignação de Randolfe. O senador criticou o arquivamento do processo que corria no Conselho de Ética para apurar a suposta agressão contra ele. Randolfe afirmou que o resultado da ação na Câmara foi um prêmio ao “liberou geral”. “É lamentável os parlamentares premiarem a agressão, o comportamento torpe, o comportamento agressivo, premiarem esse padrão”, criticou o senador. “O comportamento desse senhor é incompatível com a democracia”, acrescentou o senador. Assista ao vídeo:


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