Lava Jato atrasa anúncio do novo ministério

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* | - Atualizada às

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Preocupada com o envolvimento de aliados em esquema na Petrobras, Dilma optou por adiar a divulgação dos nomes de todos os integrantes do primeiro escalão de sua equipe

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A expectativa entre os governistas é que a lista de políticos com mandato investigados pela Operação Lava Jato seja divulgada na próxima semana. A menos de um mês do início do novo mandato, a presidenta reeleita Dilma Rousseff (PT) espera informações sobre os envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras - e talvez em outras estatais também - para anunciar os nomes políticos de seu próximo ministério. O temor é de precisar substituir alguém antes da posse, o que aumentaria o desgaste do governo pelo escândalo de corrupção. A preocupação com quem estiver supostamente ligado às irregularidades também atinge o Congresso. A cassação do ex-deputado André Vargas (s/part.-PR), nesta semana, serviu de sinal de que não haverá disposição para salvar mandatos.

Para os procuradores e juízes que comandam a apuração, a demora em divulgar os nomes de políticos com mandato ajuda, pois alguns não foram reeleitos e perderão direito ao foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, a investigação pode ser desmembrada, com todos os réus sem foro especial respondendo às acusações na primeira instância, na Justiça Federal do Paraná, e apenas os que têm alguma prerrogativa em razão do cargo tendo a tramitação das apurações contra si na Corte. A chegada ao núcleo político é vista como o passo seguinte das investigações. O Ministério Público Federal no Paraná já apresentou, ontem, denúncia contra 35 pessoas, 22 delas funcionários, sócios e executivos ligados às empreiteiras. Caso o juiz Sergio Moro aceite a denúncia, eles serão réus por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

À espera de Kátia
Apesar das pressões, a presidenta Dilma Rousseff não parece disposta a recuar da ideia de nomear a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura. A parlamentar só não teria sido oficializada por conta de compromissos dela como presidente da CNA.

Pelo telefone
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, garante que não se desentendeu com o vice-presidente Michel Temer, apesar de ter se negado a apoiar a reeleição da chapa Dilma-Temer. Skaf afirma que pode mostrar no celular as ligações trocadas quase diariamente com o seu padrinho no PMDB.

Agora é ex
Derrotado na disputa ao governo paulista, Skaf garantiu que sua prioridade agora é a entidade. Ele não quis comentar se trocará o PMDB pelo PSD. Para deixar claro seu afastamento atual da política partidária, fez questão de chamar o governador reeleito Geraldo Alckmin de "ex-adversário".

Prefeito cortejado por candidatos
Torcedor ilustre do Santos Futebol Clube, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), foi procurado por três candidatos à presidência do clube (José Carlos Peres, Modesto Roma e Orlando Rollo), que lhe pediram apoio. O prefeito não se comprometeu com nenhum deles. Revelou, entretanto, que caso resolvesse dar apoio, talvez escolhesse Roma, em razão de petistas de Santos terem se aliado ao candidato. Outra parte do PT apoia Peres.

Marinho oferece novo estádio ao Santos
O prefeito Luiz Marinho afirmou que qualquer um dos cinco candidatos a presidente do Santos, a ser eleito amanhã, poderá procurá-lo, caso tenha interesse, a fim de discutir uma parceria para uma arena do Santos em São Bernardo. A cidade já tem um estádio com capacidade para a 27 mil torcedores, que pode ser reestruturado e modernizado. "É só o novo presidente arranjar um empreendedor e já começamos a obra”, diz Marinho.

“O ideal seria paralisar os contratos, o que é inviável. A segunda opção é a prisão dos envolvidos, para que o esquema não se perpetue” 
Deltan Dallagnol, procurador da República, ao denunciar investigados da Lava Jato considerando suas prisões “imprescindíveis”

*Com Leonardo Fuhrmann

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