Ministério Público denuncia 36 pessoas investigadas na Operação Lava Jato

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Entre os 36 denunciados pelo Ministério Público Federal, 22 estavam vinculados a grandes empreiteiras que atuam no País

O Ministério Público Federal anunciou a denúncia de 36 pessoas envolvidas em práticas criminosas investigadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A divulgação dos nomes foi feita durante coletiva de imprensa realizada na Procuradoria Geral da República do Paraná, na tarde desta quinta-feira (11).

Reuters
MPF exige indenização de R$ 1 bilhão aos envolvidos, que desviaram mais de R$ 300 milhões

Ao lado do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, que voltou a ressaltar a gravidade dos crimes cometidos pelos investigados, o procurador Deltan Dallagnol, do MPF paranaense, anunciou os principais números que a Lava Jato computou até o momento em sua investigação – todos relativos à corrupção, lavagem de dinheiro e atuação em organização criminosa.

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O valor total de corrupção identificado foi de R$ 300 milhões, sendo cerca de R$ 75 milhões desviados em contratos falsos. O MPF pede ressarscimento mínimo à União de R$ 1 bilhão, considerando as acusações com as quais os procuradores trabalham. No total, foram contabilizados 154 atos de corrupção e 105 de lavagem de dinheiro.

Ações de cartel e fraude em licitação não foram abordadas na coletiva, mas o MPF garantiu que, no momento certo, anunciará o nome dos envolvidos e os detalhes a respeito, a fim de não atrapalhar a investigação.

"Defendemos a prisão dos envolvidos como imprescindíveis. O ideal seria suspendermos de imediato todos os contratos com órgãos públicos no País, mas isso prejudicaria muito a população, pois vemos que ações criminosas como essas não se limitam à Petrobras. Então, a saída é a prisão de todos os envolvidos para evitarmos que o esquema se perpetue", disse Dallagnol. "Além disso, muitos deles podem fugir do País, pois têm dinheiro no exterior."

As penas de prisão dos denunciados, no entanto, não foram definidas. Entretanto, há a estimativa de que, em alguns casos, elas cheguem a 51 anos de encarceramento. Para se chegar ao número, o MPF somou os crimes usando o princípio de razoabilidade e proporcionalidade em relação à gravidade dos mesmos.

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As empresas computadas pela investigação são OAS, Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenharia, Mendes Jr, UTC e GFD. 

"Essas pessoas, na verdade, roubaram o orgulho dos brasileiros. Seguiremos investigando e punindo de forma firme e contundente cada uma, responsabilizando os envolvidos por todos os atos que praticou", resumiu Janot.

Os 35 denunciados da Lava Jato:
- Alberto Youssef, doleiro
- Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras
- José Humberto Cruvinel Resende
- Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor-presidente da Área Internacional da Construtora OAS S.A
- Carlos Eduardo Strauch Alberto, diretor técnico da Engevix Engenharia S/A
- João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Construções e Comércio Camargo Correa S.A
- Eduardo Hermelino Leite, diretor vice-presidente da Camargo Correa S.A.
- João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida
- Sérgio Cunha Mendes, diretor vice-presidente Executivo da Mendes Júnior Trading Engenharia S/A
- Carlos Alberto Pereira da Costa, advogado de Alberto Yousseff
- Enivaldo Quadrado, doleiro
- Rogério Cunha de Oliveira, diretor da Área de Óleo e Gás (ANOG) da Mendes Júnior Trading e Engenharia
- Angelo Alves Mendes, diretor vice-presidente da Mendes Júnior Trading e Engenharia S.A
- Alberto Elísio Vilaça Gomes
- Antonio Carlos Fioravante Brasil Pierucinni
- Mário Lúcio de Oliveira
- Ricardo Ribeiro Pessoa, responsável pela UTC Participações S.A.
- João de Teive e Argollo
- Sandra Raphael Guimarães
- Marcio Andrade Bonilho
- Jayme Alves de Oliveira Filho, agente da Polícia Federal
- Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades e deputado federal Mário Negromonte (PP-BA)
- José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS
- Mateus Coutinho de Sá Oliveira, OAS
- José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário da Construtora OAS
- Fernando Augusto Stremel Andrade, OAS
- João Alberto Lazarri
- Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix Engenharia S.A.
- Newton Prado Junior, diretor técnico da Engevix Engenharia S/A
- Luiz Roberto Pereira, ex-diretor da Engevix Engenharia S/A
- Erton Medeiros Fonseca, diretor-presidente da divisão de Engenharia Industrial da empresa Galvão Engenharia S.A.
- Jean Alberto Luscher Castro
- Dario de Queiroz Galvão Filho
- Eduardo de Queiroz Galvão
- Waldomiro de Oliveira

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