Perseguições da ditadura levaram JK à morte, diz Comissão da Verdade de SP

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Documento fica no meio termo entre o relatório apresentado pela Câmara dos Vereadores de São Paulo e a Comissão Nacional

Um relatório da Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo, produzido pelo grupo GT-JK, que inclui alunos e professores da Faculdade de Direito da USP e da Universidade Presbriteriana Mackenzie, chegou à conclusão de que a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek foi causada por perseguições de militares e do governo durante o período da ditadura.

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Comissão Municipal da Verdade conclui que Juscelino foi assassinado

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Comissão Nacional da Verdade conclui que JK morreu em acidente e não assassinado

Oficialmente, Juscelino Kubitschek morreu em um acidente de carro na rodovia Presidente Dutra, no dia 22 de agosto de 1976, enquanto viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro. Mas sempre houve suspeitas de que ele poderia ter sido assassinado por agentes do governo. 

Dilma Rousseff recebe relatório da Comissão Nacional da Verdade em Brasília (10/12). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAPresidente ficou emocionada durante o evento sobre as vítimas da ditadura militar (10/12). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIADilma falou com a imprensa após receber o relatório, em Brasília (10/12). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAPara fazer o relatório, equipe pesquisou durante dois anos (10/12). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIADilma chora e tem que interromper discurso ao falar sobre documento da Comissão da Verdade (10/12). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIADilma durante divulgação do relatório da CNV em Brasília (10/12). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA

Relatórios conflitantes

No ano final passado, um relatório produzido por uma comissão criada pela Câmara dos Vereadores de São Paulo concluiu que o ex-presidente foi assassinado durante a viagem.

A tese, no entanto, foi rechaçada pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) que concluiu em abril deste ano, que a morte de JK foi acidental. O relatório final da CNV foi entregue nesta quarta-feira (10) à presidente Dilma Rousseff. 

O deputado Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), responsável pelo relatório do grupo GT-JK, elogia o trabalho. "Foi feito um excelente estudo, que sai do factual do acidente, da perícia criminal para ouvir pessoas que conviveram com Juscelino, e concluem que o conjunto de perseguições sofridas por ele o conduziu para a morte", diz.

Segundo o deputado, este novo documento fica no meio termo entre os apurados pelas comissões nacionais e municipal de São Paulo. "A intenção não é confrontar a (Comissão) Nacional. É uma contribuição. O novo relatório diz que as perseguições e morte de Juscelino foram de tal importância que devem ser investigadas mais a fundo. Esse caso não pode ser arquivado", afirmou o deputado. 

O relatório é composto por análises dos fatos e circunstâncias que cercam a morte do ex-presidente e do motorista que o acompanhava, Geraldo Ribeiro. Além de trazer pareceres jurídicos, o documento questiona o papel e a posição do Estado brasileiro durante a condução das investigações, com alteração dos veículos e a não preservação do local.

Além disso, o relatório abrange os planos de atentados contra a vida de JK, que vinham desde 1968, os papeis do general Golbery do Couto e Silva, do Serviço Secreto Americano e até mesmo de Roberto Marinho, da Organizações Globo. O relatório com cerca de mil páginas será lançado nesta quinta-feira (11), na Faculdade de Direito de São Francisco, no centro de São Paulo. O relatório será entregue à Presidência da República, ao Ministro da Justiça e ao Procurador-Geral da República. 


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