Votação da meta fiscal vira palco para parlamentares criticarem Bolsonaro

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Deputado federal do PP pelo Rio de Janeiro relembrou, nesta terça-feira, episódio no qual disse que não estupraria a colega Maria do Rosário (PT) pelo fato de ela "não merecer"

O debate era em torno da emenda que impedia os parlamentares de votarem sobre a mudança da meta fiscal deste ano proposta pelo governo federal. Mas depois de Jair Bolsonaro (PP) causar mais uma polêmica na Câmara dos Deputados, os discursos no Legislativo passaram a ser mais focados nas críticas ao legislador pelo Estado do Rio de Janeiro do que em relação ao superavit primário, cuja decisão já vinha se arrastando há uma semana – e, enfim, foi confirmada no início da noite desta terça-feira (9).

Tânia Rêgo/ABr
Jair Bolsonaro discute com Randolfe Rodrigues (PSOL) em setembro do ano passado

Não foram poucos os parlamentares que solicitaram ao presidente do Congresso, Renan Calheiros, a palavra para falar sobre o tema. Membros do PT e do PSOL se revezavam ao microfone no início da noite destacando seus discursos em defesa à deputada Maria do Rosário, que mais cedo fora ofendida com baixeza por Bolsonaro.

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O político do PP rebatia no Plenário um discurso da ex-ministra dos Direitos Humanos no qual ela defendeu investigações sobre crimes causados por autoridades ao longo da ditadura militar no País. Antes de dizer que "os Direitos Humanos no Brasil só defendem bandidos, estupradores marginais e até corruptos", Bolsonaro recordou um episódio em que Maria do Rosário o chamou de estuprador, no que ele rebateu que não a estupraria por falta de merecimento. Ele chegou a pedir à ex-ministra para acompanhar o discurso, mas ela se retirou do local ainda antes das ofensas.

Bolsonaro também citou práticas da esquerda brasileira ao longo da ditadura, listando inclusive ações da presidente Dilma Rousseff com grupos armados no período. Também enumerou casos de corrupção recentes e até o sequestro de Celso Daniel, morto quando prefeito de Santo André, em 2002, em caso até hoje mal esclarecido.

"O Plenário não pode ser aberto para se falar barbaridades, para propagar a estupidez e até o crime. Isso não é inédito, já aconteceu antes. A força dos vermes não pode continuar", lamentou, em discurso, o deputado federal Chico Alencar, do PSOL.

Veja fotos dos protestos sobre meta fiscal na semana passada:

Lobão ganha apoio dos parlamentares de oposição para participar da sessão que discute as mudanças na meta fiscal. Foto: Laycer Tomaz / Câmara dos DeputadosO cantor Lobão é seguido por manifestantes enquanto tentar entrar no Congresso. Foto: Laycer Tomaz / Câmara dos DeputadosManifestantes se concentram em frente à porta principal do Congresso na tentativa de seguir para as galerias. Foto: Laycer Tomaz / Câmara dos DeputadosManifestantes tentam entrar no Congresso para acompanhar discussões sobre novas regras para a meta fiscal. Foto: Laycer Tomaz / Câmara dos DeputadosRoméro Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL)  acompanham a sessão que discute mudanças na meta fiscal. Foto: Roméro Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL) Ronaldo Caiado (DEM-GO) participou das discussões no Congresso durante sessão sobre as novas regras para a meta fiscal. Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos DeputadosMendonça Filho (DEM-PE) defendeu a entrada do cantor Lobão nas galerias. Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos DeputadosO cantor Lobão teve o apoio da oposição para participar nas galerias da sessão que discute mudanças na meta fiscal. Foto: Reprodução/TwitterLobão foi ao Congresso para participar da sessão que deve votar mudanças nas regras da meta fiscal. Foto: Laycer Tomaz / Câmara dos DeputadosSeguranças partiram para cima dos manifestantes que protestavam nas galerias do Congresso durante votação das mudanças das regras da meta fiscal. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaA senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) foi chamada de vagabunda durante protestos nas galerias do Congresso (2 de dezembro). Foto: Marcos Oliveira/Agência SenadoCongressistas discutem se a sessão sobre as mudanças na meta fiscal deve continuar depois da confusão. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaRenan Calheiros, presidente do Congresso, adiou em um dia a votação do projeto de alteração das regras da meta fiscal depois da confusão nas galerias. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaManifestante passa mal e desmaia durante votação que prevê a mudança na regra da meta fiscal. Foto: Câmara dos Deputados/Viola Jr.Manifestantes gritaram contra parlamentares do PT e da base aliada durante o protesto no Congresso. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaGrupos de oposição ao governo enfrentaram seguranças no Congresso durante votação das mudanças nas regras da meta fiscal. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaRenan Calheiros teve de mudar a data da sessão que votará as mudanças nas regras da meta fiscal depois que manifestantes gritaram e xingaram nas galerias. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaManifestantes interromperam a sessão que votaria as mudanças na meta fiscal do governo. Foto: Câmara dos Deputados

"Ele se autoconfessa estuprador", concordou Jandira Feghali, líder do PC do B na Câmara. "A Casa não pode ter em seu quadro um deputado desse quilate diante desse grau de flagrante de quebra de decoro parlamentar."

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O líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP), afirmou que, devido à declaração, seu partido entrará com ação na Justiça contra Bolsonaro. "No âmbito do Parlamento e do Judiciário, todas as iniciativas serão tomadas por nós, parlamentares da bancada do PT, já que as declarações e ameaças de Bolsonaro demonstram total desrespeito à condição de representante do povo deste País", disse ele.

O comentário de Bolsonaro foi também criticado pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN), que aproveitou para enfatizar que o discurso é, sim, passível de punição. "Em caso de excesso de abuso poderia o deputado, se a Câmara assim entender, ser punido. Não se pode ter esse tipo de comportamento. Temos de dar um exemplo", afirmou.

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