Reforma ministerial alimenta tensão entre Mercadante e Jaques Wagner

Por Luciana Lima - iG Brasília | - Atualizada às

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Com a eleição de 2018 em vista, governador baiano e chefe da Casa Civil protagonizam disputa silenciosa no centro do governo

A perspectiva de chegada do governador da Bahia, Jaques Wagner na equipe de ministros do segundo mandato de Dilma Rousseff tem acirrado a disputa para ver quem será o “homem forte” do novo governo da presidente Dilma Rousseff. Se antes, todas as apostas recaiam sobre o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, agora, Wagner desponta com chances.

Agência Brasil
Mercadante tenta manter proximidade com presidente Dilma no segundo mandato

Além de contar com admiração de Dilma, devido sua “calma” em situações adversas, as intenções do PT em construir seu nome no plano nacional, com vistas à disputa em 2018 fortalecem seu protagonismo.

Protagonismo no governo, neste caso, é entendido pelos petistas e integrantes da administração federal, como capacidade de obter a maior atenção da presidente, cuja fama de durona é consenso na equipe.

A posição de Wagner no governo ainda é incerta. Sua chegada, no entanto, é certa, e tem sido vista, nos bastidores, como ameaça ao prestígio, por exemplo, do atual ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que hoje se orgulha de ter a confiança de Dilma e de gozar de sua interlocução quase que diária. A disputa já tem ultrapassado as paredes do Planalto.

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Petistas mais ligados ao governador baiano chegam a atribuir a Mercadante todas as cotações do nome de Wagner para pastas “longe de Dilma”. Wagner, por sua vez, procura manter a postura ultra discreta, condizente com o que se espera de um ministeriável de Dilma, mergulhado na transição de governo na Bahia.

O governador já teve seu nome noticiado como cotado para as pastas da Casa Civil, Fazenda, Defesa, Planejamento, Educação, Relações Institucionais, Comunicações e Desenvolvimento Agrário, além da presidência da Petrobras, indicações que para os mais próximos de Wagner, refletem as digitais de Mercadante. No PT, o que se tem de consenso, é de que ele terá um papel relevante, compatível com o projeto para 2018.

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A “calma” de Wagner diante das situações mais adversas encanta Dilma. Ela chegou a elogiar este traço de seu temperamento do governador, no pontapé do segundo turno da campanha, quando Wagner chegou a Brasília vitorioso por ter conseguido fazer seu sucessor, Rui Costa, no primeiro turno, enquanto todas as pesquisas apontavam derrota.

Em entrevista Dilma contou que havia ficado extremamente impactada pelo “datawagner”, tanto neste ano, quanto em 2010, quando o governador se reelegeu, também indo de encontro com a maior parte dos institutos que apontavam sua derrota. “Ligava para ele e ele sempre falava: ‘Não, não presta atenção nisso não, aqui nós ganhamos no primeiro turno”, relatou a presidente.

Já Mercadante conseguiu angariar a confiança da presidente a duras penas, inclusive tendo que passar por repreensões em momentos em que exagerou e usurpou a função de ministros da “cozinha” do Planalto como Ideli Salvatti, que cuidava das Relações Institucionais, e de Gleisi Hoffmann, quando ocupava a Casa Civil. A atuação espalhafatosa de Mercadante chegou a ser alvo de reclamações das duas ministras junto a presidente.

Repreensões engolidas, o ministro conseguiu se cacifar perante Dilma em meio as manifestações de junho de 2013, quando o núcleo do governo se debruçou durante seis dias para montar os “cinco pactos” com o objetivo de fazer cessar os protestos que ganharam as ruas das principais cidades em todo país.

Para integrantes do governo, foi neste momento que Mercadante conseguiu a virada de se tornar um ministro influente ao ponto de não só ocupar a Casa Civil, mas também, argumentar de forma divergente da presidente nas reuniões internas e ser ouvido.

Entre pessoas próximas de Mercadante, também é comum a avaliação de que muito da confiança de Dilma no ministro se dá devido à capacidade que o chefe da Casa Civil desenvolveu de “ler” a presidente. Poucas coisas irritam mais a presidente que o vazamento de assuntos conversados nas reuniões. Mercadante teria percebido esta intolerância e adotado a postura de nunca falar, nem de forma extraoficial, sobre as propostas, projetos ou matérias discutidas com a presidente.

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