BNDES e Banco do Brasil devem ficar sob comando de funcionários de carreira; Caixa ainda tem cenário indefinido

Após a definição do primeiro escalão da equipe econômica, a presidente Dilma Rousseff tem se preocupado em escolher os nomes que comandarão os três bancos públicos, responsáveis por financiar a maior parte dos programas do governo. No horizonte de Dilma, dois funcionários de carreira surgem com chances de presidir o Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Após anunciar equipe econômica com perfil considerado liberal, Dilma tenta agradar seu partido
ANDRE DUSEK
Após anunciar equipe econômica com perfil considerado liberal, Dilma tenta agradar seu partido

Um deles á Paulo Rogério Caffarelli, atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Até o início deste ano, Caffarelli era vice-presidente de Atacado, Mercado de Capitais e Área Internacional do BB, instituição financeira na qual o advogado, com mestrado em Economia começou a trabalhar como menor aprendiz. Atualmente, ele é o escalado pelo ministro Guido Mantega, de saída da pasta da Fazenda, para fazer a interlocução do Ministério da Fazenda com a equipe indicada por Dilma para comandar a política econômica no segundo mandato da presidente.

Leia mais:
Mesmo sem meta fiscal, Dilma anuncia equipe econômica nesta quinta-feira

Formado em Direito, com pós-graduação em Comércio Exterior com mestrado em Economia pela Universidade de Brasília (Unb), Caffarelli foi transferido para a Fazenda para ocupar o lugar deixado por Nelson Barbosa, hoje indicado para comandar o Ministério do Planejamento.

Já para presidir o Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES), o nome mais cotado é do atual vice-presidente de Varejo do BB, Alexandre Abreu, também funcionário de carreira do BB.

Bastante ligado a Mantega, no BB Abreu já ocupou os cargos de Diretor de Seguridade, Previdência e Capitalização. Ele foi superintendente do banco em São Paulo, além de gerenciar as unidades de Internet, de Varejo e de Cartões de Crédito do banco.

O papel dos bancos públicos acabou sendo um dos temas econômicos centrais da campanha. Para se diferenciar da candidata do PSB, Marina Silva que, em seu programa de governo defendeu a redução da participação destas instituições nos financiamentos, Dilma prometeu o contrário: mantê-los fortes nos financiamentos, principalmente na sustentação dos programas sociais do governo.

Entre os programas implantados por Abreu no Banco do Brasil, está o programa de crédito Bom para Todos, implantado em 2012, que oferece linhas específicas a juros mais baixos aos correntistas.

Leia também:
Políticos avaliam anúncio de nova equipe econômica de Dilma
Veja o que o mercado diz sobre a nova equipe econômica do governo Dilma
'Economist' elogia mas vê 'fraqueza' de Dilma em equipe econômica

Dilma também prometeu manter forte a participação da Caixa Econômica Federal nos financiamentos imobiliários, principalmente das moradias do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. O comando da Caixa, no entanto, ainda está bastante indefinido.

O nome da atual ministra do Planejamento, Miriam Belchior é um dos cogitados, de acordo com interlocutores do Planalto. No entanto, na última semana, a possibilidade de Belchior comandar o Ministério de Minas e Energia ganhou mais força. Diante deste cenário, há quem aponte a permanência do atual presidente, Jorge Hereda, como mais hipótese mais provável.

O novo desenho da área econômica tem sido fechado em reuniões sucessivas no Palácio do Planalto entre a equipe econômica de transição, formada pelos ministros indicados Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento), além dos interlocutores de cada pasta, entre eles o próprio Caffarelli. O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, também tem participado das reuniões. Na última quarta-feira (3), o ministro Guido Mantega também participou das conversas.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.