Petrobras: executivos eram convocados para “reuniões de intimidações e ameaças”

Por Wilson Lima - iG Brasília |

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Diretor da Toyo Setal revelou que parte dos pagamentos eram negociados com José Janene, ex-líder do PP morto em 2010 e que foi réu do julgamento do mensalão

Durante o depoimento prestado à Polícia Federal (PF) em 29 de outubro, o diretor da Toyo Setal, Augusto de Mendonça Neto, afirmou que o ex-líder do PP José Janene, réu do julgamento do mensalão morto em 2010, era responsável por “intimidações e ameaças” contra os empresários que não cumpriam ou tentavam não cumprir o acordo de pagamento de propina por contratos firmados com a Petrobras.

As revelações são fruto do acordo de delação premiada assinado pelo executivo com o Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF) e Justiça Federal, no âmbito da Operação Lava Jato. No mesmo depoimento, Neto confirmou que chegou a pagar R$ 60 milhões a título de pagamento de propina para que empresa Setec Engenharia, da qual era um dos responsáveis, participasse das obras da Refinaria de Araucária, no Paraná. A propina era paga por meio de “parcelas em dinheiro”, “remessas em contas indicadas no exterior” e “doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores”, segundo o executivo.

Nas revelações feitas à Polícia Federal (PF), Mendonça Neto admitiu que o ex-líder do PP tinha papel decisivo nas cobranças de propina na Petrobras. O executivo afirmou que foi convocado a ter vários encontros com Janene, a partir de 2008, no escritório do ex-líder do PP, em São Paulo, para “reuniões de intimidações e ameaças”. No depoimento, o executivo afirma que Janene era duro nas reuniões. “Em uma das oportunidades, o declarante foi deixado numa das salas de reunião esperando enquanto José Janene participava de uma outra reunião e, de repente, abre-se a porta de outra sala e Janene sai agredindo ‘um outro cara’ de lá de dentro ‘botando o cara para fora do escritório’”, descreve o termo de depoimento do executivo.

“A exigência feita por Paulo Roberto Costa e José Janene era em torno de 1% sobre os contratos, mas acabou-se pagando R$ 20 milhões aproximadamente pelo contrato da Repar [Refinaria do Paraná], após ‘duras negociações’”, revelou o executivo. “Ou pagava (a propina) ou a conseqüência era grande’”, complementou Augusto Neto.

No depoimento, o executivo da Toyo Setal disse que o pagamento de propina para Paulo Roberto Costa e Janene ocorria em parcelas “iguais” e “bimestrais”, “desprezando-se os primeiros meses em que a obra tinha pouco faturamento”.

O executivo também confirmou que alguns pagamentos eram feitos às empresas MO Consultoria, Construtora Rigidez e RCI Tecnologia, controladas por Alberto Youssef. Nas investigações da Lava Jato, os policiais e procuradores já descobriram Youssef e Janene mantinha uma conta conjunta e que ambos foram sócios da GFD Investimentos, companhia “herdada” por Youssef após a morte do ex-líder do PP.

A utilização de chantagens e ameaças para obtenção de propina era prática freqüente no esquema, conforme vem revelando alguns executivos. Também no âmbito da delação premiada o empresário Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente da Mendes Júnior e o diretor de Operações de Óleo e Gás da empresa, Rogério Cunha de Oliveira, afirmaram em depoimento à Polícia Federal que a companhia foi chantageada, pelo ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa para manter contratos da empresa com a Petrobras. Os executivos também disseram que tinham receio de não receber pagamentos da Petrobras da ordem de R$ 300 milhões, caso não pagassem propina a Costa.

“A Mendes Júnior concordou fazer os pagamentos, pois, caso não os fizesse, o diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa poderia, de fato, prejudicar os pagamentos direcionados à Mendes Júnior por contratos em execução e excluí-la de outros convites”, afirmou Sérgio Cunha Mendes em depoimento prestado em 17 de novembro.

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