PT busca união para enfrentar crise no partido

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* |

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Desgastado pelos 12 anos no poder e preocupado com as possíveis consequências da corrupção na Petrobras, PT tenta se unir e abrir diálogo com movimentos sociais e outros partidos de esquerda para recuperar sua imagem

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Grupos que fazem oposição ao comando nacional do PT comemoram o fato de os dirigentes do partido admitirem o clima de apreensão com os rumos do partido, ainda mais com a possibilidade de as investigações da corrupção na Petrobras atingirem outros líderes petistas. “O diagnóstico é o mesmo, vamos torcer agora para que a prescrição também seja”, comenta um integrante do diretório nacional ligado a uma corrente minoritária . Por isso, uma das preocupações do partido será ampliar o próximo encontro nacional, para abrir espaço ao diálogo com outros partidos de esquerda, inclusive que não fazem parte da base do governo, como o Psol. Os petistas trabalham ainda para diminuir o poder da burocracia partidária e ouvir mais os setores organizados da sociedade.

O fato de ter recebido menos votos na legenda do que o PSDB acionou o alerta dentro do PT. Até por conta da situação delicada vivida pelo partido, o discurso da presidenta Dilma foi bem recebido pelos petistas. Ela destacou o papel do PT, aliados e movimentos sociais na sua gestão. A presença da presidenta também diminuiu o tom das críticas por conta da escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e outras possíveis indicações de conservadores. Além da própria situação do partido, os movimentos que buscam afetar a governabilidade também preocupam. Entre os sinais da agressividade da oposição são citadas as frases do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que tentava minar a legitimidade da atual ocupante do cargo, e do ex-presidenciável Aécio Neves, que afirmou ter sido derrotado por “uma organização criminosa”.

Todos contra a escolha de Katia Abreu
O bombardeio contra a possibilidade de nomeação da senadora Katia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura ganha novas frentes. Além da rejeição dos movimentos de luta pela terra e de uma suposta resistência da JBS, a ideia também desagrada às etnias Guajajara, Krikati, Kanela, Gamela, Krenyê, Gavião e Krepun. A comunidade indígena do Maranhão, que apoiou a reeleição da presidente Dilma, está indignada com a possível escolha da presidenta. Os índios também são contra a PEC 215 e o PL 1610 que tratam da mineração e que trarão perdas para sua sociedade e cultura. A denúncia foi feita em plenário pela deputada Janete Capiberibe (PSB-AP).

Crime da carteira
Senador eleito, o deputado federal Romário (PSB-RJ) apresentou na semana passada um projeto de lei que tipifica a “carteirada” como crime. A pena proposta inclui a suspensão da função pública por até seis meses, com perda de salário e outras vantagens. E o fato do réu ser juiz, promotor, deputado ou do primeiro escalão do Executivo é considerado agravante.

Impacto no xadrez eleitoral da Câmara
A declaração do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa – de que o esquema de propinas da empresa se repete em outras obras públicas no País, como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos – aumentou as expectativas no Congresso de novos desdobramentos das denúncias. Para o PSB, a situação mexe com a disputa pela Mesa Diretora da Câmara, pois coloca o Congresso em xeque. O candidato do partido para enfrentar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é o mineiro Julio Delgado.

Bloco do PSB deve ser o primeiro
O partido espera anunciar ainda nesta semana a formação de um bloco independente dentro do Congresso. O assunto será discutido em uma reunião. A expectativa é que o Solidariedade, PV e PPS passem a atuar conjuntamente com o PSB na próxima legislatura. Juntos, eles somam 67 representantes, uma bancada menor apenas que a do PT, formada por 70 deputados. Outros blocos também devem ser anunciados antes do início do novo mandato.

“Esse decreto é um escândalo, uma chantagem que oficializa o troca-troca que caracteriza a relação desse governo com o Congresso”
Pedro Simon, senador (PMDB-RS), sobre o decreto que condiciona a liberação de emendas à flexibilição da meta fiscal

*Com Leonardo Fuhrmann

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