Governo faz ofensiva para aprovar flexibilização da meta fiscal

Por iG Brasília | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Planalto espera colher frutos do aviso dado a líderes da base, de que liberação de emendas individuais depende da votação

O governo intensificou nesta terça-feira (2) os esforços para consolidar apoio na base aliada, na esperança de conseguir aprovar ainda nesta terça o projeto que altera a meta de superávit primário para este ano.

Brasília: Mesmo sem meta fiscal, Dilma anuncia equipe econômica

Agência Brasil
Henrique Fontana é relator da reforma política na Câmara (2011)

Kennedy: Abandono da meta fiscal é inédito em um governo do PT

O Planalto espera colher os frutos do alerta dado ontem aos líderes da base, em reunião com a presidente Dilma Rousseff, de que a liberação de emendas parlamentares individuais depende da aprovação da flexibilização.

O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), fez um diagnóstico positivo da reunião. Segundo ele, aliados deixaram o encontro de ontem comprometidos em aprovar a mudança na meta. O líder minimizou a tese de que o governo estaria investindo num toma-lá-da-cá para viabilizar a aprovação da proposta.

"Não há nenhum vínculo entre a liberação das emendas e a votação. A condicionalidade à aprovação é porque, no decreto, há um conjunto de despesas orçamentárias que dependem dessa autorização, mas não há uma separação sobre emendas", disse.

Desde a semana retrasada, líderes governistas dispararam telefonemas e convocaram reuniões reservadas com os partidos aliados, para tentar acertar os ponteiros para a votação, prevista para as 18h de hoje. O plano é evitar que se repita o cenário da semana passada, quando o esvaziamento da sessão por parlamentares da base acabou inviabilizando a aprovação.

A votação do projeto que altera a meta fiscal é estratégica para o governo segurar a credibilidade no mercado, já que o cumprimento do indicador – que corresponde à economia para o pagamento de juros da dívida pública - é um dos termômetros para medir a recomendação de investimento.

Mais do que isso, o governo teme que a presidente Dilma Rousseff seja enquadrada no crime de responsabilidade, no caso de descumprimento dos limites da meta.

Uma das preocupações do Planalto, na ofensiva de hoje, é tentar bloquear a obstrução prometida pela oposição. PSDB e DEM, em especial, mantiveram nos últimos dias o discurso crítico em relação ao governo. As bancadas de oposição ainda devem afinar a estratégia na tarde desta terça-feira, mas, até ontem à noite, o plano original estava mantido.

Além de trabalhar em cima das emendas individuais, o governo conduz a articulação no Congresso prossegue em paralelo à montagem do novo ministério de Dilma. Preocupado com a ala rebelde do partido, o Planalto deu sequencia nos últimos dias à negociação de pastas que atendem especificamente às cotas das bancadas do PMDB na Câmara e no Senado.

E segurou, por exemplo, a indicação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura, dada como certa desde a semana passada.

Ontem, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, minimizou o resultado das tentativas frustradas de votar a proposta. “Houve uma desarticulação que pode ser superada tranquilamente”, disse o ministro.

*Com informações da Agência Câmara

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas