Cerveró reafirma em acareação que Pasadena foi bom negócio para Petrobras

Por iG São Paulo * | - Atualizada às

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Frente a frente a Paulo Roberto Costa, ex-diretor que denunciou esquema de propina na estatal, Cerveró afirmou ter sido boa compra de refinaria de US$ 42,5 mi por US$ 1,18 bi

Apesar da recente admissão de dirigentes da Petrobras de que a compra de uma refinaria em Pasadena, nos EUA, foi um mau negócio para a empresa, o ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró voltou a discordar do posicionamento, na tarde desta terça-feira (2), na CPMI (Comissão Parlamentar de Inquérito Mista) da Petrobras, realizada no Senado Federal.

Pedro França/Agência Senado
O ex-diretor da estatal Nestor Cerveró durante acareação no Senado, nesta terça-feira

Após a refinaria ter sido adquirida, em 2005, pela Astra Oil por US$ 42,5 milhões, no ano seguinte a Petrobras pagou por metade do mesmo negócio US$ 360 milhões. Posteriormente, em 2012, comprou o restante da refinaria por US$ 820,5 milhões – totalizando US$ 1,18 bilhões (R$ 3,04 bilhões) pela transação.

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Cerveró, no entanto, ressaltou o bom negócio que foi a compra em Pasadena, citando um plano de 1999 que indicava a necessidade de expansão do parque de refino brasileiro no exterior. "O prejuízo inexiste", disse o ex-diretor. "A compra foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras."

Os ex-diretores da Petrobras frente a frente no Senado Federal, na tarde desta terça-feira, na CPMI que investiga a estatal. Foto: Jefferson Rudy/Agência SenadoO ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa durante a acareação desta terça. Foto: Jefferson Rudy/Agência SenadoO ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró durante acareação no Senado, nesta terça-feira. Foto: Pedro França/Agência SenadoOs ex-diretores da Petrobras frente a frente no Senado Federal, na tarde desta terça-feira. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Ele é acusado pelo ex-diretor da área de abasteciento da empresa Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato, de envolvimento em um esquema de propina para beneficiar partidos políticos com 3% do valor dos contratos com empreiteiras. Os dois estiveram frente a frente na acareação promovida pela CPMI, nesta terça. O objetivo é esclarecer divergências entre depoimentos anteriores dos executivos.

"Desconheço esse esquema e qualquer outro esquema de propina", no entanto, negou Cerveró, diretor da área internacional da estatal entre os anos de 2003 e 2008.

Frente a frente
Marcada por discordâncias entre os depoentes, que mantiveram os discursos já conhecidos a respeito dos desvios na empresa – Costa ratificando suas denúncias e Cerveró as rechaçando –, a sessão de acareação foi encerrada por volta das 18h pelo presidente Gim Argello sob a justificativa de não haver "amparo regimental para a continuidade enquanto estiver em curso a ordem do dia no Plenário do Senado".

Após o anúncio, os legisladores presentes protestaram. "Nunca tivemos encerramento por esse motivo. É um crime interromper esta sessão", lamentou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), entre gritos de colegas.

*Com Agência Senado

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