PT reúne diretório nacional em meio a críticas sobre escolhas de Dilma

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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Um dos principais desafios dos “dilmistas” será apaziguar os ânimos da esquerda do partido, descontente com as indicações para a Fazenda e para a Agricultura

O PT reunirá o diretório nacional do partido neste fim de semana, em Fortaleza, e uma das intenções da direção do partido é tentar apaziguar o desconforto com as primeiras indicações feitas pela presidente Dilma Rousseff para a equipe de ministros de seu segundo mandato. 

Ao final da eleição, muito se falou, inclusive na reunião da executiva do partido, sobre a chamada “guinada à esquerda”, considerada por muitos, fundamental para o projeto de poder do partido que inclui fazer o sucessor de Dilma em 2018. No entanto, os primeiros nomes cogitados pela presidente para o segundo mandato foram recebidos por muitos integrantes do partido como um comportamento contrário a essa necessidade. 

Kátia Abreu será a nova ministra da Agricultura

Dilma planeja encontrar líderes rurais, após desgaste ao indicar Kátia Abreu

Agência Brasil
Kátia Abreu foi apontada pelo PSD, que garantiu presença na CPI devido ao critério de proporcionalidade

As lideranças da corrente majoritária do partido passaram a última semana empenhadas em minimizar as manifestações das alas da esquerda do partido. Essas correntes torceram o nariz para as indicações de Joaquim Levy, para comandar os rumos da economia, e da senadora Kátia Abreu, para comandar a pasta da Agricultura. 

“Não somos nós, do PT que iremos tirar uma posição contrária às decisões da presidente”, disse o vice-presidente nacional do partido, Alberto Cantalice, integrante da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária dentro do partido. 

“É necessário que as pessoas entendam que temos um governo de coalizão, que Kátia Abreu apoiou a candidatura de Dilma e é oriunda de um segmento importante que é o agronegócio. Ela apoiou a candidatura de Dilma enquanto várias lideranças deste setor estavam com o outro candidato”, defendeu. 

Outras lideranças do campo majoritário saíram em defesa de Joaquim Levy. “Estão tentando disseminar ambiente de mal-estar entre os indicados e o PT”, reclamou o senador Humberto Costa, líder do PT no Senado. 

Enquanto isso, entre lideranças da esquerda, os protestos contra as indicações ganharam as redes sociais. Depois, acabaram dando lugar à tentativa de emplacar no Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile. Lideranças de esquerda usaram a mesma lógica para justificar a indicação da senadora, para defender a sugestão do nome de Stedile. 

Novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy descarta pacotes e surpresas

Joaquim Levy, escolhido para o Ministério da Fazenda, será o braço mais liberal no Governo

Wilson Dias/Agência Brasil
Joaquim Levy assumirá Fazenda em 2015


“Se o agronegócio tem na senadora Kátia Abreu sua referência, os agricultores familiares e camponeses têm em João Pedro Stedile a sua. Ele é um nome à altura dos desafios da reforma agrária e da segurança alimentar no Brasil”, publicou em artigo a deputada Iriny Lopes, da corrente Articulação de Esquerda. 

Dilma participará da reunião que terá início nesta sexta-feira, na capital cearense. A previsão é de que ela chegue ao evento às 19 horas do primeiro dia, faça um discurso, e retorne, no mesmo dia, para Brasília. O encontro prosseguirá no sábado. 

Além de tentar amenizar o clima gerado com as indicações, após o “susto” das eleições decididas com um resultado apertado, o partido também discutirá medidas para “mobilizar” pessoas, principalmente jovens e beneficiados por programas sociais do governo. A avaliação de que o partido descuidou da conquista dos novos eleitores e da “capitalização” das políticas implantadas nos últimos 12 anos é corrente dentro da legenda.

Na discussão feita pela executiva do partido logo após o resultado do segundo turno, os petistas concluíram que a reaproximação com as classes trabalhadoras é mais urgente até que a reforma política, defendida pelo partido e pela própria presidente. “As eleições de 2014 reafirmaram a validade de uma ideia que vem desde os anos 1980: para transformar o Brasil, é preciso combinar ação institucional, mobilização social e revolução cultural”, diz o documento tirado da reunião da diretoria. 

“É urgente construir hegemonia na sociedade, promover reformas estruturais, com destaque para a reforma política e a democratização da mídia. Para tanto, antes de tudo é preciso dialogar com o povo, condição vital para um partido de trabalhadores. Para que a presidenta Dilma possa fazer um segundo mandato superior ao primeiro, será necessário, em conjunto com partidos de esquerda, desencadear um amplo processo de mobilização e organização dos milhões de brasileiros e brasileiras que saíram às ruas para apoiar Dilma Rousseff”, diz o documento.

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