Dilma planeja encontrar líderes rurais, após desgaste ao indicar Kátia Abreu

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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No encontro, lideranças cobraram um diálogo mais “orgânico” da presidente com movimentos sociais e criticaram a falta de ações do governo para “politizar” a sociedade

Após o desgaste com a indicação de Joaquim Levy para ocupar o Ministério da Fazenda e da possível ida da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para comandar a pasta da Agricultura no segundo mandato, a presidente Dilma planeja um encontro com movimentos sociais populares, entre eles, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, para os próximos dias.

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A intenção de se ter uma agenda para abrir o diálogo foi comunicada pela própria presidente aos teólogos Leonardo Boff e Frei Betto, que estiveram reunidos com a presidente, na tarde desta quarta-feira (26), no Palácio do Planalto.

De acordo com Boff, a presidente disse que pretende chamar o encontro para a próxima semana.

ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA
Teólogo Leonardo Boff no Palácio do Planalto

Do encontro de hoje também participaram integrantes do grupo católico Emaus, formado por sociólogos, teólogos e outros intelectuais, que há mais de 40 anos se reúnem em torno de um pensamento de esquerda, mais alinhado à chamada Teologia da Libertação. Do lado do governo, o ministro Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, acompanhou o encontro. Já o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral, pasta responsável pela interface do governo com os movimentos sociais não esteve presente.

Boff é um dos que assinou o manifesto contrário às indicações feitas pela presidente de nomear Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para comandar a pasta da Agricultura. Ele disse que, durante a reunião, não chegou a fazer a crítica sobre as escolhas diretamente à Dilma. No entanto, o grupo cobrou em um segundo mandato, Dilma tenha um diálogo mais “orgânico” com os movimentos sociais, proximidade que não ocorreu nos quatro anos de seu primeiro mandato.

“Houve uma falta de politização das bases, porque o PT descuidou disso. Ela não teve muito contato com as bases porque se ocupava muito com administração dos grandes projetos. Ela diz que a partir de agora, será um ponto alto de seu governo o diálogo permanente orgânico, contínuo com os movimentos sociais e com a sociedade em geral”, disse Boff.

“Foi importante para nós ter um encontro com a presidente Dilma porque muitos de nós, durante a campanha, nos expusemos, em debates, em discussões. Eu mesmo percorri muitas cidades no Brasil e participei deste evento no teatro Casagrande no Rio de Janeiro. Então há um laço de proximidade e ela queria escutar a nossas sugestões”, justificou Boff ao sair da reunião.

A “despolitização” ocorrida no primeiro mandato de Dilma, na avaliação de Boff, dificultou a eleição de Dilma. “Não houve um projeto para a juventude. A juventude é decisiva para uma eleição”, avaliou.

“Não adianta mostrar obras, tem que mostrar que essas obras, Luz para Todos, Minha Casa Minha Vida, são fruto de uma política, consequência de uma política”, avaliou.“Os beneficiários nem se dão conta disso. Pensam que é uma regalia que receberam, quando deve se perceber, quando se tem consciência cidadã e política, que isso é um caminho de governo, e que eles são beneficiados não apenas por um mero assistencialismo, porque há políticas públicas decididas pelo Estado que favorece os mais marginalizados e invisíveis. Este nexo se perdeu”.

Segundo Boff, Dilma ouviu atentamente as sugestões, tomou nota e disse que gosta de ouvir críticas. “Ela disse: Eu prefero escutar críticas do que escutar apenas as coisas boas que eu faço, porque aí eu aprendo”, contou.

Além da conversa informal, o grupo entregou a Dilma uma carta com reivindicações para o segundo mandato, entre elas, um compromisso com a reforma política, uma agenda ambiental mais forte e uma proximidade maior com os movimentos sociais.Título da notícia

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