No Congresso, quem recebeu doação legal de empreiteira também está preocupado

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* |

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Enquanto não se conhece a lista dos 70 parlamentares supostamente envolvidos em denúncias de corrupção da Petrobras, quem recebeu doação legal das empreiteiras também está com receio de envolvimento em acusações

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Há um clima de apreensão no Congresso em razão das suspeitas de que empreiteiras teriam desenvolvido uma forma estruturada de lavagem de dinheiro por meio de doações legais a parlamentares, de acordo com um relatório da operação “Lava Jato”. Ninguém sabe quem são os 70 parlamentares envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras - nem quando serão citados -, mas agora há dúvidas se mesmo quem recebeu contribuição legal estaria nessa relação. Segundo informações divulgadas na imprensa, oito empreiteiras investigadas no escândalo da Petrobras doaram este ano R$ 50 milhões a 243 parlamentares. Entre os deputados e senadores que receberam mais recursos estão integrantes do PMDB, PP, PT, PSDB e DEM.

“Está havendo uma criminalização das doações de empresas. Então, todos estão envolvidos? Qual é o critério", pergunta o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), que recebeu contribuições legais de empreiteira. Entre outros, também foram beneficiados nomes como José Serra (SP) e Antonio Anastasia (MG), do PSDB; e Ronaldo Caiado (GO), do DEM, eleitos para o Senado. Parlamentares dizem ter dúvidas se os denunciados serão somente aqueles que tiveram relações com diretores da Petrobras e executivos das construtoras.“Mas o que não pode é dizer que há crime no caso de doações das empreiteiras para o PT e não há problema algum nas contribuições ao PSDB”, diz Zarattini. O deputado defende uma CPI das empreiteiras para investigar suas relações com outros órgãos federais e os governos estaduais, entre eles os de São Paulo e Minas Gerais.

PT discutirá campanha em conferência
O Diretório do PT de São Paulo deve realizar, em março, uma conferência para avaliar sua campanha ao governo e definir um reposicionamento do partido no Estado. Dirigentes pretendem convidar sindicalistas e representantes de movimentos sociais para participar das discussões. O objetivo é analisar as deficiências e fragilidades do partido no Estado. Há uma avaliação de que o partido errou na estratégia de campanha do candidato ao governo, o ex-ministro Alexandre Padilha. Ele não teria falado “para a base do partido” e, ao final, segundo a avaliação de dirigentes, “perdeu o voto de petistas e não ganhou os de outros eleitores”.

Futebol e direitos humanos
A Ação Educativa e o Museu do Futebol promovem, a partir de amanhã, em São Paulo, o Encontro Futebol e Cultura, que discute a relação entre direitos humanos e práticas esportivas em todas as regiões do Brasil. Serão mostradas experiências de futebol “solidário e colaborativo”. Participarão, entre outros, o ex-jogador Afonsinho e atletas ligados ao Bom Senso Futebol.

Fazendo as pazes
Integrantes do PSB de Pernambuco tentam se reaproximar do governo federal e de líderes petistas nacionais, atribuindo o clima de radicalização na última campanha eleitoral a alguns de seus integrantes. Segundo pessebistas, quem mais contribuiu para “fechar portas” no diálogo com o PT foi o prefeito de Recife, Geraldo Júlio. Ele atacou a presidenta Dilma Rousseff, durante comícios, e disse que era preciso “varrer os petistas” do Estado.

Refinaria tem novo gerente
Citada em denúncias da operação “Lava Jato”, a Refinaria de Abreu e Lima, em Ipojuca, na região metropolitana de Recife, já tem um novo gerente-geral: Flávio Casa Nova. Ele está na refinaria desde a implantação do projeto. Casa Nova participou de reuniões com representantes de trabalhadores, na última quinta-feira. O gerente-geral anterior, Glauco Colepicolo Legatti, foi afastado na semana passada, ao lado de executivos da Petrobras de outras áreas que podem estar envolvidos em corrupção.

“Não sendo petista, e sim tucano, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este País”
Ricardo Semler, empresário, sócio da Semco Partners, sobre as consequências da operação Lava Jato

*Com Leonardo Fuhrmann

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