Dilma faz sinalização ao mercado, mas desagrada base

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* |

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Indicações para o novo ministério de Dilma Rousseff agradam ao mercado, mas contraria a base do PT. Escolhidos jamais fariam parte de uma lista dos sonhos de petistas. Rejeição maior foi ao nome de Kátia Abreu, para a Agricultura

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Com exceção de Nelson Barbosa, nome preferido para a Fazenda por várias lideranças do PT, nenhum dos nomes divulgados na sexta-feira para o novo ministério da presidenta Dilma Rousseff faria parte de uma lista dos sonhos de militantes petistas. Com a aposta em Joaquim Levy para substituir Guido Mantega – o indicado foi secretário do Tesouro no governo Lula e é próximo de Armínio Fraga, que seria o ministro da Fazenda num eventual governo do tucano -, Dilma dá uma sinalização ao mercado financeiro de que pretende fazer o ajuste fiscal “gradual” e “consistente”, mas contraria sua base. A presidenta repete a atitude de Lula em 2002, ao nomear Antonio Palocci para a Fazenda e o então deputado federal eleito pelo PSDB Henrique Meirelles para o Banco Central.

MOREIRA MARIZ/AGÊNCIA SENADO/17.7.2012
Maior rejeição entre petistas está em Kátia Abreu (PMDB) para a Agricultura

Com as escolhas da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), para a Agricultura, e de Armando Monteiro, ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), para a Indústria e Comércio, agrada ao setor produtivo. Parcela significativa do PT parece entender a necessidade de uma opção ortodoxa para a economia neste momento, dada às atuais dificuldades na área. Mas a rejeição é grande, entre os militantes, principalmente, à nomeação de Kátia Abreu, por ela ser identificada com posições da antiga e ultra-conservadora União Democrática Ruralista (UDR). Petistas protestaram nas redes sociais, reproduzindo artigos da ruralista contra o MST e os governos de esquerda “bolivarianos”. Lembraram que os militantes foram às ruas no segundo turno apoiar Dilma. E não Kátia Abreu.

PT discutirá campanha em conferência

O Diretório do PT de São Paulo deve realizar, em março, uma conferência para avaliar sua campanha ao governo e definir um reposicionamento do partido no Estado. Dirigentes pretendem convidar sindicalistas e representantes de movimentos sociais para participar das discussões. O objetivo é analisar as deficiências e fragilidades do partido no Estado. Há uma avaliação de que o partido errou na estratégia de campanha do candidato ao governo, o ex-ministro Alexandre Padilha. Ele não teria falado “para a base do partido” e, ao final, segundo a avaliação de dirigentes, “perdeu o voto de petistas e não ganhou os de outros eleitores”.

Futebol e direitos humanos

A Ação Educativa e o Museu do Futebol promovem, a partir de amanhã, em São Paulo, o Encontro Futebol e Cultura, que discute a relação entre direitos humanos e práticas esportivas em todas as regiões do Brasil. Serão mostradas experiências de futebol “solidário e colaborativo”. Participarão, entre outros, o ex-jogador Afonsinho e atletas ligados ao Bom Senso Futebol.

Fazendo as pazes

Integrantes do PSB de Pernambuco tentam se reaproximar do governo federal e de líderes petistas nacionais, atribuindo o clima de radicalização na última campanha eleitoral a alguns de seus integrantes. Segundo pessebistas, quem mais contribuiu para “fechar portas” no diálogo com o PT foi o prefeito de Recife, Geraldo Júlio. Ele atacou a presidenta Dilma Rousseff, durante comícios, e disse que era preciso “varrer os petistas” do Estado.

Refinaria tem novo gerente

Citada em denúncias da operação “Lava Jato”, a Refinaria de Abreu e Lima, em Ipojuca, na região metropolitana de Recife, já tem um novo gerente-geral: Flávio Casa Nova. Ele está na refinaria desde a implantação do projeto. Casa Nova participou de reuniões com representantes de trabalhadores, na última quinta-feira. O gerente-geral anterior, Glauco Colepicolo Legatti, foi afastado na semana passada, ao lado de executivos da Petrobras de outras áreas que podem estar envolvidos em corrupção.

“Não sendo petista, e sim tucano, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este País”

Ricardo Semler, empresário, sócio da Semco Partners, sobre as consequências da operação “Lava Jato”

*Com Leonardo Fuhrmann

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