Dilma busca postos estratégicos para coringas no novo governo

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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Entre nomes certos para gerir áreas importantes do governo, estão técnicos que gerem os principais projetos do governo e que estão de prontidão para assumirem pasta em caso de crise

Se há espaço definido na equipe da presidente Dilma Rousseff para o segundo mandato são os cargos de gestão de quatro homens, considerados da inteira confiança da presidente, prontos para o trabalho técnico de tocar os projetos do governo e, quando necessário, assumir a titularidade das pastas nas quais atuam.

As cartas da manga de Dilma são o engenheiro Mário Zimmermann, atual secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia; o contador Carlos Eduardo Gabas, atual ministro interino da Previdência; o economista Paulo Sérgio Passos, atual ministro dos Transportes; e o atual ministro da Educação, José Henrique Paim.

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Reprodução/BBC
Presidente Dilma Rousseff

Para a presidente, que precisa montar o governo repartindo com aliados cada pasta do governo, os quatro gestores ganharam fama de coringa, podendo, inclusive, em meio a conflitos de interesses ou mesmo crise envolvendo os titulares, assumir o comando.

A relação de confiança de Dilma com o catarinense Márcio Zimmermann vem desde 2005, quando ele ainda era ministro de Minas e Energia e passou a ocupar a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético da pasta, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Zimmermann chegou a assumir o comando da pasta em março de 2010, com a saída de Edison Lobão‎ para disputar eleições. Com a volta de Lobão ao comando da pasta, passou para o cargo executivo da pasta e atuar como interino do ministro.

Filiado ao PMDB desde 2012, Zimmermann adota um ar discreto, bastante valorizado pela presidente. No ano passado, ganhou pontos ao garantir a presidente Dilma que não havia risco de um apagão elétrico como a oposição defendia.

Se o assunto é discrição e eficiência, o atual ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, conta com a admiração de Dilma. Apaixonado por motocicleta, ele chegou a ficar conhecido por ter levado a presidente para um passeio de moto pelas ruas de Brasília, sem que ninguém soubesse.

Mas não são as habilidades de piloto que encantam a presidente. Sua capacidade de gestão e fidelidade fez inclusive que ele fosse cotado para assumir a Casa Civil, quando a senadora Gleisi Hoffmann (PT-SC) decidiu sair para disputar o governo de seu Estado.

No Planalto, interlocutores da presidente chegam a dizer que independentemente do ministro que esteja na pasta, Dilma não abre mão de ter Gabas como garantia de controle.

Já o atual ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, carrega ainda mais a fama de coringa dos governos petistas. Passos representa uma segurança do governo na gestão da pasta em casos de crises, denúncias, brigas entre partidos e toda sorte de eventos que podem tirar ministros do cargo.

Somando todas as crises enfrentadas na área desde o governo do ex-presidente Lula, ele já assumiu como titular da pasta por quatro vezes, substituindo por três vezes o ex-ministro Alfredo Nascimento e, da última vez, o ex-ministro Cesar Borges, transferido para a Secretaria dos Portos.

Filiado ao PR, Passos também ocupou o cargo de diretor-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), responsável por firmar as parcerias com o setor privado para projetos de criação de infraestrutura logística no país por meio de obras em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias.

O atual ministro da Educação sempre atuou no comando dos principais projetos educacionais implantados nos governos petistas, mas sem impedir o protagonismo dos ministros. Ele assumiu ao comando da pasta no início deste ano, quando Aloizio Mercadante deixou o Ministério da Educação para assumir a Casa Civil, no lugar de Gleisi Hoffmann.

A escolha de seu nome ocorreu pelo fato de ele conhecer como ninguém cada projeto da área, devido sua gestão, desde 2004, na presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão responsável pela execução de políticas educacionais do governo.

Paim é visto por Dilma como o responsável por ter conseguido “apagar incêndios” surgidos na resistência aos projetos na área da educação, como as constantes e sucessivas tentativas de fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Desde 2006, ele ocupava o cargo de secretário-executivo, na gestão de Fernando Haddad, hoje prefeito de São Paulo.

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