Empreiteiras fecharam contratos de fachada de R$ 67 milhões com Youssef

Por Wilson Lima - iG Brasília e Vasconcelo Quadros - iG São Paulo | - Atualizada às

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Investigação tenta apontar se executivos tinham consciência de que companhias controladas por doleiro não apresentavam comprovação de serviços

As nove empreiteiras investigadas na sétima fase da Operação Lava Jato firmaram R$ 67 milhões em contratos com empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef. Os investigadores afirmam que as empresas são empreendimentos de fachada utilizados apenas para circulação de capitais entre as empreiteiras e o doleiro.

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JOEDSON ALVES/EST. CONTEÚDO - 18.10.2005
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Além disso, o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) também levantaram que a Costa Global Consultoria, outra empresa de tida como de fachada pelos investigadores, mas de propriedade do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, firmou contratos no valor de R$ 5,5 milhões durante o ano de 2013.

A planilha dos contratos, à qual o iG teve acesso, está anexada no processo e foi uma das peças que embasaram os pedidos de prisão preventiva, condução coercitiva e prisão temporária expedidos desde a sexta-feira da semana passada. Ao todo, ocorreram 35 contratos entre os anos de 2008 e 2013 entre as nove empreiteiras investigadas e o doleiro.

Entre as empresas de Youssef que firmaram contratos com as empreiteiras, estavam a Empreiteira Rigidez, a M.O. Consultoria, a RCI Software e a GFD Investimentos. Em diversos depoimentos das investigações da Lava Jato, tanto próprio Youssef, quanto funcionários admitiram que as empresas foram firmadas apenas para a expedição de novas fiscais frias, utilizadas para justificar o pagamento de despesas inexistentes.

Os contratos, oficialmente, foram firmados para execuções de atividades como “consultorias técnicas, trabalhistas, contábeis, implantação de software” entre outras. E alguns destes contratos tinham como objetivo teórico a prestação de serviços destinados a algumas obras das Petrobras, executadas pelas nove empreiteiras investigadas pela Lava Jato.

Um exemplo destes contratos foi o firmado entre o consórcio RNEST, formado pela Odebrecht Plantas Industriais e Participações S.A. e Construtora OAS Ltda e a M.O. Consultoria Comercial que tinha como objetivo a consultoria para implantação prédios administrativos da Refinaria Abreu e Lima. Somente este contrato foi firmado ao valor de R$ 5.790.000,00.

Outro exemplo é um contrato da Mendes Júnior, no valor de R$ 2,1 milhões, com a Empreiteira Rigidez com o objetivo de se realização de “serviços técnicos especializados para elaboração da proposta e apoio a suprimentos do projeto da Petrobras para construção de módulos”. O iG não conseguiu contato com representantes da Mendes Júnior, OAB e Odebrecht para falar sobre esses contratos.

Durante toda esta semana, os investigadores da Polícia Federal inquiriram os executivos detidos no âmbito da sétima fase da Operação Lava Jato se eles tinham conhecimento e quais eram os reais objetivos dos contratos. Os investigados preferiram não se pronunciar sobre os contratos com as empresas, supostamente de fachada, de Alberto Youssef.

Ainda na lista dos contratos, aparecem seis entre o suposto cartel de empresas e a Costa Global, de propriedade de Paulo Roberto Costa. Entre as contratantes, estão a Engevix, a Iesa Óleo e a Queiroz Galvão. Todos os contratos tinham como objeto a “consultoria e assessoria nas áreas de engenharia, energia, petróleo, gás, biocombustíveis, gestão e organização empresarial”. As empresas também não forma localizadas para comentar os contratos.

Nos depoimentos prestados ao Ministério Público Federal, Costa afirmou que esses contratos foram firmados como forma de recebimento de propina por contratos obtidos pelas empresas junto à Petrobras, na época em que ele era diretor de refino e abastecimento da companhia.

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