Advogado criminalista e ministro da Justiça no governo Lula, Bastos morreu de problemas pulmonares, nesta quinta-feira

O ex-presidente Lula se despede de Bastos, ministro da Justiça em 7 dos 8 anos de seu governo
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
O ex-presidente Lula se despede de Bastos, ministro da Justiça em 7 dos 8 anos de seu governo

O caixão com o corpo de Márcio Thomaz Bastos chegou à Assembleia Legislativa de São Paulo por volta das 15h desta quarta-feira (20), acompanhado por familiares e amigos. O ex-ministro da Justiça morreu horas antes, aos 79 anos, no Hospital Sírio Libanês.

A viúva do ex-ministro, Maria Leonor de Castro Bastos, chegou à Assembleia Legislativa minutos depois, às 15h15. Visivelmente abalada e chorando bastante, ela recebeu as condolências dos amigos e familiares já presentes no local e do vice-presidente da República, Michel Temer, que já aguardava.

Leia mais:
Morre em São Paulo o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos
Chamado de "God" no meio jurídico, Thomaz Bastos era tietado pelos colegas
Relembre a atuação do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos
Presidente Dilma: "Perdi um amigo"

"É uma grande perda para a advocacia. Bastos foi um grande defensor dos direitos humanos e do Estado de Direito", disse Temer. "Ele foi o maior advogado criminalista do Brasil. Falava muito bem, mas ouvia melhor ainda. Fará muita falta", completou o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Kakay.

Veja imagens do velório do ex-ministro:

A presidente da República, Dilma Rousseff, que mais cedo já havia lamentado a morte do ex-ministro, que chamou de amigo, chegou ao local pouco depois das 16h e se sentou ao lado da viúva de Bastos. Ela não falou com a imprensa.

Luíz Inácio Lula da Silva, que teve Bastos como ministro da Justiça de boa parte de parte de seus oito anos de governo, permaneceu na Assembleia por poucos minutos, cumprimentou alguns presentes, e foi embora, também sem falar com jornalistas.

Bastos foi chamado de amigo também por José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça, que discursou no velório. "Bastos transformou o ministério da Justiça, agilizou o sistema, transformou a Policia Federal em autônoma e era uma referencia na área jurídica", disse Cardozo. "Ele é insubstituível."

O senador Aloysio Nunes citou sua admiração por Bastos. "Foi um "advogado brilhante, defensor dos clientes e respeitador da ética", afirmou, entre elogios à passagem do advogado pelo Ministério da Justiça.

Candidato petista ao governo paulista nas eleições deste ano, Alexandre Padilha recordou do período em que trabalhou com Bastos na campanha, na qual o ex-ministro coordenava a área de segurança pública para um possível mandato do político. "Ele tinha uma capacidade imensa de juntar pessoas com opiniões e ideias diferentes para fazer algo bom", ressaltou Padilha. 

O presidente do PT, Rui Falcão, que chegou no início da noite, afirmou ter tido conhecimento da morte do amigo ao acidentalmente cruzar no aeroporto com o deputado federal Miro Teixeira. "Fiquei muito surpreso", disse ele. "O Lula havia me dito que Bastos parecia bem."

O deputado federal Paulo Maluf lembrou que conhecia o ex-ministro há mais de 40 anos e ressaltou sempre tê-lo visto como um homem aberto ao diálogo. "Apesar de o Bastos ser do PT, ele era um homem que não tinha preconceitos e que respeitava as leis. Com ele dava para conversar", disse.

Já José Serra, eleito senador pelo PSDB, lembrou que Bastos chegou a ser seu advogado e o chamou de profissional extraordinário. "Honrou a dignidade do cargo de ministro. Foi competente e é lembrado até hoje por isso", elogiou.

O advogado criminalista José Luis Oliveira Lima, também conhecido como Juca, defensor de José Dirceu, lembrou que Bastos o ajudou muito em sua carreira. "Tinha sempre um olhar diferente para o cliente e era muito estrategista", apontou.

O velório, que começou às 15h30, deve terminar na manhã desta sexta-feira (21), quando o corpo será encaminhado ao Cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, Grande São Paulo, para a cremação.

O ex-ministro da Justiça: respeitado entre seus pares e criticado pela escolha de alguns clientes
Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
O ex-ministro da Justiça: respeitado entre seus pares e criticado pela escolha de alguns clientes


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.