Executivos assinaram contratos falsos e tinham ligação com Youssef, diz MPF

Por Wilson Lima - iG Brasília |

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Investigação aponta que representantes foram responsáveis por contratos fraudulentos de Paulo Roberto Costa e um deles trocou 30 mensagens de celular com doleiro

As investigações da Operação Lava Jato apontam que executivos de empresas como a Camargo Corrêa e UTC teriam sido supostamente responsáveis pela assinatura de contratos fraudulentos e seriam íntimos do doleiro Alberto Youssef, um dos comandantes do esquema de corrupção da Petrobras. O presidente da UTC, Ricardo Pessôa, segundo o Ministério Público Federal (MPF) trocou 35 mensagens de celular diretamente com Youssef.

Segundo apontamentos do Ministério Público Federal, o diretor-presidente da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini, teria sido o responsável pela assinatura de contratos de serviços de consultoria com a Costa Global, de propriedade de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. A empresa é apontada pelo Ministério Público Federal como uma companhia de fachada, utilizada somente para a lavagem de dinheiro fruto de pagamento de propina na estatal. Era por essa empresa que Costa recebia a sua parte do esquema de desvios de recursos.

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Esse contrato entre a Camargo Corrêa e a Costa Global foi firmado em 10 de setembro de 2012, conforme informações da Justiça Federal do Paraná, e a empresa recebeu, até o dia 10 de dezembro do ano passado, repasses da empreiteira no valor de R$ 3,1 milhões. “Segundo o próprio Paulo Roberto Costa, tal contrato foi utilizado para disfarçar repasse de vantagem indevida devida da época em que ele ocupava o cargo de Diretor de Abastecimento da Petrobras e cujos pagamentos haviam ficado pendentes”, afirma o juiz Sérgio Moro.

“Veja-se que a Camargo Corrêa, foi instada pelo MPF a apresentar documentos e explicar sobre a contratação da Costa Global. Na resposta, de 3/9/2014, juntou cópia do contrato e de seu aditivo – ideologicamente falsos, como anotado. Isso é clara evidência de que seus executivos persistem na prática de tentar emular a licitude do repasse dos recursos de propina”, listam os procuradores em documento expedido nesta terça-feira, no Paraná. A Camargo Corrêa negou qualquer tipo de irregularidade ou a tentativa de fraudar as investigações da Polícia Federal.

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Ainda conforme os documentos da Polícia Federal, o presidente da UTC, Ricardo Pessôa trocou 35 mensagens de celular diretamente com Youssef. Para o MPF, essas mensagens falavam sobre tratativas entre o presidente da UTC e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras para obtenção de recursos de campanhas eleitorais de partidos. Uma das mensagens de celular afirmava “já está colaborando, mas vai intensificar + p/campanha a pedido de PR”. Esse PR, seria Paulo Roberto. Pessoa é apontado como o líder do cartel de empresas envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras

“É natural que haja um conjunto de e-mails, troca de correspondências entre o Ricardo Pessoa e Alberto Youssef. Havia negócios devidamente registrados”, afirmou Alberto Toron, advogado do presidente da UTC.

Além destes, as investigações do MPF e da Polícia Federal apontam que o diretor-presidente da Iesa Óleo & Gás S.A. “tinha pleno domínio dos fatos delitivos, servindo inclusive como contato do então diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, para a tratativa de negócios escusos e celebração de contratos simulados com o intuito de dar ares de legitimidade ao repasse de valores de propina ao seu destinatário final”. Esse destinatário era Costa. O iG não conseguiu contato com a Iesa.

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