Empresa admite ter pago propina a funcionários, diz presidente da Petrobras

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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SBM Offshore não participará mais de licitações da Petrobras; apesar disso, contratos em andamento não serão suspensos

Agência Brasil

A presidenta da Petrobras, Graça Foster, confirmou, nesta segunda-feira (17), que a empresa holandesa SBM Offshore, com quem mantém contratos de locação de plataformas, confessou ter pago propina a funcionários da estatal para conseguir contratos. A empresa estrangeira, no entanto, não indicou a quem subornou, tampouco os valores da operação, destacou Graça Foster, que garantiu: daqui para frente, a companhia não poderá mais participar de licitações da estatal.

Alan Sampaio / iG Brasília
Graça Foster em audiência: ela diz que SBM não indicou a quem subornou e quanto pagou

A Petrobras tinha instalado uma Comissão Interna de Apuração para investigar a denúncia, à época em que surgiu, em fevereiro, e incluiu viagens aos Estados Unidos e à Holanda. Porém, não conseguiu comprovar ilegalidades. Nesta segunda, em entrevista para justificar o adiamento da divulgação do balanço contábil, a presidente da Petrobras revelou que após o término das investigações internas se deparou com uma prova irrefutável do suborno.

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“A presidente recebeu uma ligação e uma carta, onde (sic) a SBM dizia que recebeu informação do Ministério Público holandês sobre os tais depósitos em contas na Suíça. De imediato, isso é uma prova avassaladora. É a própria empresa dizendo que tem essa informação [do pagamento de propina]”, disse o diretor de Exploração e Produção, José Formigli.

Com base nas informações, classificadas de “provas irrefutáveis de não conformidade”, apesar do desempenho considerado excepcional da SBM pela própria Graça Foster, as companhias não celebram mais contratos entre si. “Assim que soube, imediatamente, imediatamente mesmo, informamos à SBM que ela não participaria de nenhuma licitação conosco enquanto não fosse identificada a origem, nome de pessoas que estavam se deixando subornar”, frisou. Os oito contratos que já estão em andamento, no entanto, não serão suspensos, esclareceu ela.

Veja fotos da Operação Lava Jato:

Doleiro Alberto Yousseff segue preso por outras acusações 21 10 2014. Foto: Jeso Carneiro/Agência SenadoPF apreende farta quantia de reais e dólares no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação/Polícia FederalPF apreendeu grande quantidade de dinheiro em cofre na cidade de Londrina, no Paraná. Foto: Divulgação/Polícia FederalEntre os crimes investigados estão contrabando de pedras preciosas e desvios de recursos públicos. Foto: DivulgaçãoSão cumpridas também ordens de seqüestro de imóveis de alto padrão, além da apreensão de patrimônio adquirido por meio de práticas criminosas. Foto: DivulgaçãoCarro de luxo apreendido pela PF. Foto: DivulgaçãoEntre os bens apreendidos, foram encontradas obras de arte no Paraná. Foto: Divulgação/PFPosto de combustível no DF onde foram feitas apreensões. Foto: Divulgação/PFOperação Lava Jato da Polícia Federal. Foto: Divulgação

A mesma decisão, de não suspender contratos, foi tomada no caso das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que apura desvio e lavagem de dinheiro envolvendo políticos, funcionários da Petrobras e construtoras. A estatal tem dois ex-diretores citados no processo, ambos demitidos em 2012, quando Graça assumiu o comando da estatal.

O diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais da Petrobras, José Antonio Figueiredo, acrescentou que, além das provas, classificadas por ele como “avassaladoras”, a empresa contratada pode ser suspensa de novas licitações por um período de entre seis meses e dois anos. “Isso pode ocorrer por mau desempenho ou postura comercial inadequada”, disse.

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A Petrobras informou ter pedido à Justiça o depoimento do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e contratou escritórios independentes e estrangeiros de investigação. A diretoria frisou que tomará medidas para recuperar a imagem da companhia e o dinheiro supostamente desviado na Lava Jato, relatado em depoimento dos presos.

A estatal não antecipou as medidas em avaliação para garantir a devolução do dinheiro de propina. “Essa estratégia está em desenvolvimento e ela é confidencial. Não posso antecipar algo que, por si só, precisa ser mantido em sigilo para o seu próprio sucesso”, reforçou Graça. Ela antecipou que a Petrobras criará uma Diretoria de Governança.

Um dos executivos investigados pela Polícia Federal confessou ao Ministério Público que havia um "clube" de empreiteiras para ganhar as licitações da petrolífera brasileira. Em depoimento, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, diretor da Toyo Setal, disse que pagou entre R$ 50 milhões e 60 milhões em propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.

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