"O Brasil não pode virar a casa da mãe Joana", diz Aécio em SP

Por Anderson Passos - iG São Paulo | - Atualizada às

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Candidato derrota na disputa presidencial participa de evento do PSDB em São Paulo e anuncia ação no STF para manter metas de superávit primário

O senador mineiro e candidato derrotado na eleição presidencial Aécio Neves declarou nesta sexta-feira (14) em São Paulo que o Brasil "não pode virar a casa da mãe Joana". Ele se referia a ofensiva do governo Dilma Rousseff (PT) que visa alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) extinguindo a obrigação de manutenção de índices de superávit primário.

Divulgação
Tucano Aécio Neves foi recebido nesta sexta por dirigentes do PSDB paulista

O tucano anunciou ainda que o PSDB ira protocolar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a ofensiva do Executivo.

"O Brasil não pode virar a casa da mãe Joana onde o governo acha que com sua maioria faz o que quer no Congresso Nacional. Quero aqui apelar à responsabilidade, inclusive, de setores da base do governo no Congresso Nacional que tem noção da gravidade do que o governo está tentando", apelou em discurso.

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Ainda segundo Aécio, se o Congresso permitir a mudança na LDO vai sair desmoralizado. "Se existe uma lei e o governante não cumpre essa lei e utiliza sua maioria para modificar a lei. Que sinal é esse que nós estamos dando? Não apenas para o mercado, mas para nós mesmo? Portanto, a posição das oposições é de obstrução das discussões até que essa questão seja resolvida e, obviamente, que nossa posição será contrária à modificação da LDO".

Veja imagens do evento:

Tucano Aécio Neves foi recebido nesta sexta por dirigentes do PSDB paulista. Foto: DivulgaçãoO ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e um dos vices presidentes nacionais do PSDB, Alberto Goldman recepcionaram o presidenciável . Foto: Anderson Passos/iG São PauloCinema acolheu apoiadores de Aécio em SP. Foto: Anderson Passos/iG São PauloMilitantes tucanos lotaram sala de cinema para ver Aécio. Foto: Anderson Passos/iG São Paulo


Petrobras

Sobre a segunda fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, desencadeada nesta sexta (14), Aécio comentou que o Brasil está assistindo hoje ao que sua campanha eleitoral já denunciava. "Infelizmente, a nossa maior empresa, a Petrobras, que adia a publicação do seu balanço em razão das gravíssimas denúncias de corrupção vai trazendo para si uma marca perversa em razão das ações desse governo. A Petrobras, investigada inclusive não apenas no Brasil, incorpora à sua belíssima história uma marca perversa da corrupção. Quero aqui me solidarizar com todos os funcionários e funcionárias da Petrobras que ao longo de 60 anos construiram a história de 60 anos da empresa, agora maculada, manchada, pela ação inescrupulosa da alguns  de seus dirigentes patrocinados por esse governo", atacou.

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O senador mineiro citou também indiretamente a prisão do ex-diretor de Serviços da estatal, Renato Duque, dizendo que enquanto o PSDB fazia um ato político um "diretor indicado pelo PT" .

O presidenciável disparou "que quem esta denegrindo a imagem e a história da nossa maior empresa é a irresponsabilidade desse governo que montou lá, segundo a Polícia Federal, uma organização criminosa. O que eu percebo é que as coisas estão chegando muito próximas dos mais altos dirigentes desse governo. O que eu posso assegurar  é que tem muita gente em Brasília sem dormir nesse últimos dias. e continuarão sem dormir", vaticinou.

Perseguição na PF 

Aécio declarou ainda sua "incompreensão" com a postura do ministro José Eduardo Cardozo que abriu inquérito "para investigar a posição individual e política de delegados da Polícia Federal que usaram suas redes sociais privadas para declarar apoio ao tucano no processo eleitoral.

"O ministro da Justiça, e isso é inaceitável, quer retirar de uma categoria de servidores públicos o direito constitucional à lei de manifestação", denunciou.

Sobre sua vinda a São Paulo para agradecer o empenho dos militantes do partido em favor de sua campanha derrotando Dilma Rousseff por larga margem de votos no segundo turno, Aécio afagou Alckmin e concluiu:

"Esse resultado sinaliza a aprovação crescente do PSDB no Estado em grande parte pelos resultados que o governador Geraldo Alckmin vem alcançando ao longo de seus governos além de outros governos do PSDB".

Durante o ato político, sinalizou que fará mais viagens pelo Brasil para agradecer o apoio recebido e pregou que o PSDB perdeu as eleições, mas as venceu politicamente.

Aécio foi recebido por militantes que não trajavam adesivos ou camisetas que lembrassem a campanha de 2014. O mineiro acabou assistindo uma acolhida mais relevante ao governador paulista Geraldo Alckmin do que a si mesmo. 

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