Ana Estela Haddad rejeita formalismos e brinca com assédio ao marido nas redes sociais: 'Existe amor em São Paulo'

O primeiro pedido de Ana Estela Haddad, mulher do prefeito Fernando Haddad, ao  iG  foi o abandono das formalidades durante a entrevista feita na última sexta-feira (7), no quinto andar do Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura de São Paulo. O título de primeira-dama não a atraiu em 2012 e continua assim: "Esqueça a primeira-dama, vamos com 'você', por favor." Ana Estela rejeita ser conselheira política do marido e conta como encara a rotina entre os cargos de mãe de dois filhos, docente livre do Departamento de Odontopediatria da USP e primeira-dama de São Paulo.

Veja a entrevista completa com a primeira-dama Ana Estela Haddad:

Com leveza, ela administra o assédio “simpático” que o marido tem recebido nas redes sociais. E nega sentir ciúmes. Além de ser tema das páginas Haddad Tranquilão e Haddad Prefeito Gato, que somam quase 100 mil seguidores, o prefeito virou o “marido perfeito” para mais de 13 mil usuários do Facebook, que confirmaram presença no casamento coletivo com o político, marcado para o dia 1 de outubro de 2016. “Como eu focaria esse ciúme?”, brinca. E ainda provoca: “Sonhar é bom, né? Todo mundo precisa [ sonhar ] um pouquinho”, diz, aos risos.

“A princípio [ o evento ] me parece uma ideia simpática de uma população que está de bem com o seu prefeito. É uma forma de estar de bem com a cidade. Existe amor em São Paulo. [ Esse gesto ] é super bem-vindo”, explica Ana Estela. Discreta ao falar das próprias ações a frente do programa São Paulo Carinhosa, que atende crianças de 0 a seis anos em situação de pobreza, ela não economiza elogios a gestão do marido, a quem chama de "Fernando" durante quase toda a entrevista. 

Conselheira política

As duras avaliações que Haddad enfrentou no início do mandato, segundo ela, são consequências de ações que tiraram o paulistano da sua zona de conforto. “Sei que o Fernando tem uma vocação e foco muito grande em projetos. Muitas vezes você não é imediatamente compreendido naquilo que você está propondo. Se você for ver as faixas de ônibus que estão completamente incorporadas e aceitas, houve muita grita no início. Todo mundo fala em mudança, mas no fundo não está assim tão preparado para sair da sua zona de conforto”, explica a primeira-dama.

Sua grande sala, que tem vista para os tradicionais Viaduto do Chá e Vale do Anhangabaú, fica a poucos metros do gabinete do prefeito. Na mesa, Ana Estela exibe uma decoração simples e conta com apenas um porta-retrado com uma foto do casal. Contratada como docente da USP e com uma carga horária a cumprir na universidade, a primeira-dama não é vista todos os dias despachando no andar.

Com uma equipe de duas assessoras, ela ainda rejeita fortemente o título de “conselheira política” do prefeito, posição que ganhou força nos bastidores quando o casal trabalhava no Ministério da Educação (2003-2005), ele como ministro da pasta e ela como sua assessora. No período, ela participou da criação e implementação do Programa Universidade para Todos (Prouni). "Não concordaria com essa colocação. O fato é que a gente, como qualquer casal, conversa e troca ideias. As coisas vão surgindo, mas eu não falaria em influência. Às vezes a gente concorda, às vezes a gente discorda. Cada um tem o seu caminho", conclui.

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