Cúpula nacional do PMDB atuará para Chalita ser candidato à Prefeitura de SP

Por Anderson Passos - iG São Paulo |

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'Presidente Michel Temer está empenhado nessa ofensiva', admite uma fonte.

O PMDB, com o aval do presidente nacional Michel Temer, deve encabeçar uma operação de médio e longo prazos para reabilitar o deputado federal Gabriel Chalita (SP). A ideia é que ele dispute a Prefeitura de São Paulo em 2016.

Vitor Sorano/iG
Gabriel Chalita defendeu que é muito cedo para falar da corrida municipal em 2016

“O presidente Michel está empenhado nessa ofensiva”, admite uma fonte ligada ao vice-presidente da República ao iG.

A justificativa para o empreendimento se deve ao desgaste pessoal de Temer com outra estrela da sigla, o empresário e presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Os dois devem se encontrar na próxima semana e formalizar a saída de Skaf do partido. Candidato ao governo do Estado de São Paulo em 2014, o chefe da Fiesp não foi páreo para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que venceu a disputa regional no primeiro turno.

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Skaf se indispôs com o PMDB ao não colaborar com o projeto nacional de Dilma Rousseff (PT) que, embora reeleita, acabou derrotada por Aécio Neves por larga margem de votos no Estado, em especial no segundo turno.

Caminhos cruzados

A trilha política de Skaf e Chalita tem um caminho comum de 2010 para cá. Apesar disso, acabaram se tornando inimigos políticos.

Ambos eram filiados ao PSB em 2010. Pelos socialistas, Skaf concorreu ao governo paulista – foi derrotado pelo mesmo Alckmin – enquanto Chalita se elegeu deputado federal com 560 mil votos, o segundo mais votado do Estado – foi superado apenas pelo fenômeno Tiririca (PR), que somou 1,3 milhão de adesões.

O primeiro a zarpar do PSB com destino ao PMDB foi Skaf, em 2011, ano em que Michel Temer passou a dar as cartas nos diretórios paulistas depois da morte do ex-governador Orestes Quércia - que atrelou por anos a legenda aos tucanos - em dezembro de 2010.

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Chalita, já em negociação avançada com o PMDB-SP, participou do ato de filiação de Skaf em 11 de maio. Com o PMDB enfraquecido pela fuga dos quercistas indispostos com Temer, o vice firmou compromisso com Gabriel Chalita, que impôs como condições de filiação a presidência do Diretório Municipal em São Paulo e a primazia para ser o candidato à Prefeitura da capital no ano seguinte.

Sentindo-se traído, já que defendia a convenção como fórum para a escolha do candidato à Prefeitura, Skaf limitou-se a um aperto de mão a Chalita no concorrido ato de filiação na Assembleia Legislativa em junho de 2011. Ele jamais se engajou na campanha municipal.

Chalita obteria a marca de pouco mais de 833 mil votos na disputa paulistana e garantiu apoio ao eleito Fernando Haddad (PT) no segundo turno. Em 2014, Chalita deu o troco e não pediu voto para Skaf.

Quase ministro

Pelo empenho em eleger Haddad na capital paulista e por ter aumentado para quatro cadeiras a presença do PMDB na Câmara paulistana, Chalita passou a ser lembrado para a Esplanada dos Ministérios.

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Chalita, ex-tucano eleito vereador pela legenda em 2008, tinha ainda como crédito uma mobilização pessoal para convencer a comunidade católica de que Dilma Rousseff (PT) não era favorável ao aborto, como apregoava seu inimigo dos tempos de PSDB, José Serra, na corrida presidencial de 2010.

A vaga no Ministério da Ciência e Tecnologia, em substituição a Aloizio Mercadante, que iria para a Casa Civil, era uma absoluta certeza quando denúncias de desvios na Secretaria Estadual de Educação – foi titular da pasta no governo Alckmin entre 2003 e 2006 - e de enriquecimento ilícito abateram o voo do deputado federal.

Desencantado, Chalita isolou-se e até recentemente traçara o plano de abandonar a carreira política, mudar-se para Nova York e dedicar-se exclusivamente à literatura. 

Recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) atestando sua inocência, no entanto, deu fôlego para uma nova guinada - e fez brilhar os olhos de seus apoiadores fieis. Em nota, o deputado federal esquivou-se do tema eleitoral, mas sinalizou com sua permanência no País. 

"O PMDB acaba de sair vitorioso das urnas. O momento, agora, é de trabalhar pelo país e não de discutir possíveis cenários para 2016. No momento, Gabriel Chalita pretende concluir seu mandato de deputado federal e concentrar esforços em suas atividades junto à Academia Paulista de Letras, da qual será presidente, a partir de dezembro, além de continuar seu trabalho como professor, escritor e palestrante", diz a nota encaminhada pela recém-contratada assessoria de Chalita.

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