Em guerra com o PMDB, Skaf é alvo de movimento que tenta afastá-lo da Fiesp

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo |

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Empresário deixou para integrantes do partido uma imagem de centralizador, vaidoso, apartidário e personalista

A frustração na disputa pelo governo de São Paulo e a crise no casamento de conveniências com o PMDB não são os únicos problemas que o empresário Paulo Skaf terá de enfrentar na convalescença da derrota. Sob cerrado “fogo amigo” e a menos de um ano do fim do mandato como presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ex-candidato é alvo de um movimento que visa afastá-lo do comando da entidade.

O possível adversário tem peso e vem sendo vitaminado nos bastidores: é o empresário mineiro Josué Alencar Gomes da Silva, dono da Coteminas, filho do ex-vice-presidente José Alencar e candidato derrotado pelo PMDB ao Senado por Minas Gerais (onde ficou em segundo lugar com mais de 40% dos votos). Ele é terceiro vice-presidente da Fiesp e, para agravar o inferno astral de Skaf, nome muito próximo à presidente Dilma Rousseff, a quem o empresário simplesmente lavou as mãos e virou as costas no segundo turno.

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O grande problema do candidato derrotado, segundo fontes ligadas ao PMDB e à Fiesp, foi ter misturado as estações, ou seja, ao fazer da política uma extensão do comando classista, ele teria criado uma situação em que as demandas da entidade acabaram sendo contaminadas pelas pretensões eleitorais.

Veja imagens de Paulo Skaf durante a corrida para o governo de SP:

Skaf, candidato do governo de São Paulo pelo PMDB, posa ao lado de crianças na capital paulista (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGSkaf posa para fotos com eleitores depois de votação em São Paulo (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGSkaf oferece pipoca para garoto que declarou apoio ao candidato do PMDB e arrancou risos ao dizer que votaria nele (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGFamília de Skaf reunida na votação do candidato do governo de São Paulo pelo PMDB (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGSkaf, candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB, também tem a companhia do neto no dia de votação (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGAo lado da família, Skaf segue para a escola Britânica, no Jardim Paulistano, seu local de votação (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGPaulo Skaf, candidato ao governo de SP pelo PMDB, e Michel Temmer, vice presidente, acompanham Kassab, que concorre ao Senado, em seu local de votação (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGSkaf faz caminhada em Embu das Artes na reta final da campanha para o governo de São Paulo (3/10). Foto: Ayrton Vignola/Skaf OficialSkaf precisa trocar de sapato depois de ficar sem sola durante caminhada em São José do Rio Preto (1/10). Foto: Ayrton Vignola/Skaf OficialSkaf leva cachorro para passear no Parque do Ibirapuera, em São Paulo (28/9). Foto: Ayrton Vignola/Skaf OficialSkaf faz caminhada pelo centro de Guarulhos, na Grande São Paulo (27/9). Foto: Willian Volcov/ Skaf 15Paulo Skaf (PMDB) nos bastidores do debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, promovido pela TV Record (26/9). Foto: Divulgação/PMDBSkaf tem encontro com PMs portadores de deficiência em associação em São Paulo (25/9). Foto: Ayrton Vignola/Skaf OficialSkaf, candidato do governo de São Paulo pelo PMDB, visita a cidade de Piracicaba (23/9). Foto: Ayrton Vignola/Skaf OficialSkaf visita o Hospital Geral de Vila Penteado Doutor Jose Pengella, na região norte de São Paulo (20/9). Foto: William Volcov/Skaf 15Paulo Skaf faz campanha em Santos fala em fazer ligação terrestre entre a cidade e a vizinha Guarujá, no litoral de São Paulo (19/9). Foto: Divulgação/SkafSkaf visita projeto Fazenda Boa Esperança, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo (16/9). Foto: Divulgação/SkafPaulo Skaf acompanha carreata em São Paulo (13/9). Foto: Ayrton Vignola/Skaf 15Carreata para Paulo Skaf nas ruas de São Paulo (13/9). Foto: Divulgação/SkafPaulo Skaf visita Conjunto Habitacional em Marília, no interior de São Paulo (10/9). Foto: Willian Volcov/Skaf 15Skaf discursa e faz campanha em encontro ro PMDB em Jales, no interior de São Paulo (30/8). Foto: Ayrton Vignola/ Skaf 15Skaf encontra com militantes do rival pelo governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, durante dia de campanha no Mercado da Lapa (22/8). Foto: Ayrton Vignola/Skaf 15Candidatos ao governo do Estados de São Paulo participam de debate na TV Band (23/8). Foto: Paulo Pinto/Fotos PúblicasPaulo Skaf toma café com eleitor no bairro Jardim Vera Cruz, em São Paulo (21/8). Foto: Ayrton Vignola/Skaf 15Paulo Skaf visita trechos das obras do monotrilho na cidade de São Paulo (7/8). Foto: Ayrton Vignola/Skaf OficialSkaf anda de trem durante caminhada de campanha pela zona leste de São Paulo (3/8). Foto: Facebook/Paulo SkafCandidato Paulo Skaf conversa com seu coordenador de campanha, Luiz Antônio Fleury Filho, ao lado do candidato ao Senado Gilberto Kassab (30/7). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGSelfie em grupo com Paulo 
Skafo em encontro com colegiado em Franca, interior de São Paulo (26/7). Foto: Instagram/skafoficialSkaf faz selfie com vendedoras durante visita a cidade de Batatais, no interior de São Paulo. Foto: Instagram/skafoficialPaulo Skaf, candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB faz encontro com jovens programadores digitais (23/7). Foto: Facebook/Paulo SkafPaulo Skaf registra café da manhã em São Paulo (22/7). Foto: Facebook/Paulo SkafSkaf passeia por São Paulo e posta foto com eleitor (17/7). Foto: Instagram/skafoficialPaulo Skaf anda de metrô e faz campanha por mais transporte público em São Paulo (15/7). Foto: Facebook/Paulo SkafCandidato ainda posa para fotos com funcionários na estação Vila Madalena do metrô (15/7). Foto: Facebook/Paulo SkafSkaf encontra com motoqueiros no caminho para Pindamonhangaba e registra o momento nas redes sociais (12/7). Foto: Facebook/Paulo SkafGravação de entrevista com Paulo Skaf, candidato do governo de São Paulo pelo PMDB (10/7). Foto: Facebook/Paulo SkafPaulo Skaf visita o Festival do Japão, em São Paulo (5/7). Foto: Facebook/Paulo SkafDia do candidato do PMDB ao governo de São Paulo começa com ida ao dentista e uma selfie para registrar o momento (27/6). Foto: Facebook/Paulo SkafPaulo Skaf se encontra com jovens do PMDB (22/6). Foto: Facebook/Paulo SkafPaulo Skaf aproveita churrasco e compartilha foto em sua página no Instagram (21/6). Foto: Instagram/skafoficialPaulo Skaf assiste a jogo do Brasil na Copa do Mundo na companhia dos netos (17/6). Foto: Instagram/skafoficialConvenção do PMDB lança Paulo Skaf como candidato do partido ao governo de São Paulo (14/6). Foto: Twitter/ReproduçãoSkaf, presidente licenciado da Fiesp, terá como vice o criminalista José Roberto Batocchio (14/6). Foto: André Lucas Almeida/Futura PressPaulo Skaf durante convenção estadual do PMDB, em São Paulo (14/6). Foto: André Lucas Almeida/Futura PressSegundo assessoria, evento para lançar a candidatura de Skaf conta com 8.000 partidários (14/6). Foto: Facebook/Paulo Skaf

Ao se recusar a subir no palanque de Dilma, reassumindo imediatamente a presidência da Fiesp depois da derrota, o empresário criou constrangimento ao seu principal fiador político, o vice-presidente Michel Temer que, nos bastidores, se diz profundamente frustrado em ter patrocinado a aliança.

A opção pela neutralidade foi entendida pelo Palácio do Planalto como um sinal de traição e uma das razões que levaram o PT, justamente em seu berço, a levar a maior surra nas disputas presidenciais contra o PSDB, perdendo para Aécio Neves por uma diferença de 6,8 milhões de votos – ou 35,69% contra 64,31%.

Perfil de Skaf: da presidência da Fiesp ao gosto pela política

Skaf teve cerca de 4,6 milhões de votos no primeiro turno, parcela que, na avaliação dos pemedebistas que honraram o acordo nacional, no mínimo ajudaria a afastar o susto que o PT levou na reta final.

Segundo fontes do PMDB nacional e estadual ouvidas pelo iG, ao se entrincheirar na Fiesp antes mesmo da eleição acabar, Skaf acabou dinamitando pontes na relação da entidade com partidos da base de apoio ao futuro governo Dilma.

Procurado, Skaf não retornou o pedido de entrevista. Sua assessoria de imprensa informou que ele está focado nas demandas da Fiesp e não está falando sobre política.

Um dirigente do PMDB estadual revelou que o partido abandonou a candidatura de Skaf antes do encerramento do primeiro turno por causa do comportamento arrogante do empresário que, na reta final, não ouvia conselhos nem dos marqueteiros. O empresário deixou uma imagem de centralizador, vaidoso, apartidário, personalista e do messiânico que se acha predestinado a governar São Paulo. O pemedebista disse que Skaf se comportou como “professor de Deus”.

Em 2014, Skaf triplicou a votação que recebeu como candidato ao governo paulista pelo PSB no pleito de 2010. O PMDB avalia, no entanto, que o desempenho se deve mais à capilaridade do partido em São Paulo do que pelas virtudes pessoais ou políticas do ex-candidato. Com 21,53% dos votos, terminou o primeiro turno superando o candidato do PT, o ex-ministro Alexandre Padilha, que obteve 18,22 % (3.888,526 de votos). Mas o empresário que venceu os trabalhadores recusou-se, porém, a transferir o apoio para a candidata em cuja chapa figurou como vice o principal dirigente de seu próprio partido.

Fontes ligadas ao comando paulista e nacional do PMDB revelaram ao iG que a relação de Skaf com o partido é tão distante que só falta formalizar o rompimento. Os peemedebistas sabem que o empresário negocia uma saída à francesa, mantendo contatos com dirigentes de outros partidos, especialmente o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab com vistas à disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2016.

Em conversas recentes, o empresário chegou a exigir garantias para ficar no partido. O desfecho do casamento deverá acontecer na semana que vem, em um encontro de Skaf com o vice-presidente reeleito, Michel Temer. Embora seja conhecido publicamente como discreto e litúrgico, Temer tem dito aos mais próximos que a reconciliação tornou-se quase impossível.

Fora do PMDB, Skaf teria de procurar o terceiro partido em menos de cinco anos na política. E também fazer muito esforço para permanecer no comando de uma entidade que depende também do retorno de dinheiro que sustenta o “Sistema S” – Sesi, Sesc e Senai –, repassado pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

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