Empresário deixou para integrantes do partido uma imagem de centralizador, vaidoso, apartidário e personalista

A frustração na disputa pelo governo de São Paulo e a crise no casamento de conveniências com o PMDB não são os únicos problemas que o empresário Paulo Skaf terá de enfrentar na convalescença da derrota. Sob cerrado “fogo amigo” e a menos de um ano do fim do mandato como presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ex-candidato é alvo de um movimento que visa afastá-lo do comando da entidade.

O possível adversário tem peso e vem sendo vitaminado nos bastidores: é o empresário mineiro Josué Alencar Gomes da Silva, dono da Coteminas, filho do ex-vice-presidente José Alencar e candidato derrotado pelo PMDB ao Senado por Minas Gerais (onde ficou em segundo lugar com mais de 40% dos votos). Ele é terceiro vice-presidente da Fiesp e, para agravar o inferno astral de Skaf, nome muito próximo à presidente Dilma Rousseff, a quem o empresário simplesmente lavou as mãos e virou as costas no segundo turno.

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O grande problema do candidato derrotado, segundo fontes ligadas ao PMDB e à Fiesp, foi ter misturado as estações, ou seja, ao fazer da política uma extensão do comando classista, ele teria criado uma situação em que as demandas da entidade acabaram sendo contaminadas pelas pretensões eleitorais.

Veja imagens de Paulo Skaf durante a corrida para o governo de SP:

Ao se recusar a subir no palanque de Dilma, reassumindo imediatamente a presidência da Fiesp depois da derrota, o empresário criou constrangimento ao seu principal fiador político, o vice-presidente Michel Temer que, nos bastidores, se diz profundamente frustrado em ter patrocinado a aliança.

A opção pela neutralidade foi entendida pelo Palácio do Planalto como um sinal de traição e uma das razões que levaram o PT, justamente em seu berço, a levar a maior surra nas disputas presidenciais contra o PSDB, perdendo para Aécio Neves por uma diferença de 6,8 milhões de votos – ou 35,69% contra 64,31%.

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Skaf teve cerca de 4,6 milhões de votos no primeiro turno, parcela que, na avaliação dos pemedebistas que honraram o acordo nacional, no mínimo ajudaria a afastar o susto que o PT levou na reta final.

Segundo fontes do PMDB nacional e estadual ouvidas pelo iG, ao se entrincheirar na Fiesp antes mesmo da eleição acabar, Skaf acabou dinamitando pontes na relação da entidade com partidos da base de apoio ao futuro governo Dilma.

Procurado, Skaf não retornou o pedido de entrevista. Sua assessoria de imprensa informou que ele está focado nas demandas da Fiesp e não está falando sobre política.

Um dirigente do PMDB estadual revelou que o partido abandonou a candidatura de Skaf antes do encerramento do primeiro turno por causa do comportamento arrogante do empresário que, na reta final, não ouvia conselhos nem dos marqueteiros. O empresário deixou uma imagem de centralizador, vaidoso, apartidário, personalista e do messiânico que se acha predestinado a governar São Paulo. O pemedebista disse que Skaf se comportou como “professor de Deus”.

Em 2014, Skaf triplicou a votação que recebeu como candidato ao governo paulista pelo PSB no pleito de 2010. O PMDB avalia, no entanto, que o desempenho se deve mais à capilaridade do partido em São Paulo do que pelas virtudes pessoais ou políticas do ex-candidato. Com 21,53% dos votos, terminou o primeiro turno superando o candidato do PT, o ex-ministro Alexandre Padilha, que obteve 18,22 % (3.888,526 de votos). Mas o empresário que venceu os trabalhadores recusou-se, porém, a transferir o apoio para a candidata em cuja chapa figurou como vice o principal dirigente de seu próprio partido.

Fontes ligadas ao comando paulista e nacional do PMDB revelaram ao iG que a relação de Skaf com o partido é tão distante que só falta formalizar o rompimento. Os peemedebistas sabem que o empresário negocia uma saída à francesa, mantendo contatos com dirigentes de outros partidos, especialmente o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab com vistas à disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2016.

Em conversas recentes, o empresário chegou a exigir garantias para ficar no partido. O desfecho do casamento deverá acontecer na semana que vem, em um encontro de Skaf com o vice-presidente reeleito, Michel Temer. Embora seja conhecido publicamente como discreto e litúrgico, Temer tem dito aos mais próximos que a reconciliação tornou-se quase impossível.

Fora do PMDB, Skaf teria de procurar o terceiro partido em menos de cinco anos na política. E também fazer muito esforço para permanecer no comando de uma entidade que depende também do retorno de dinheiro que sustenta o “Sistema S” – Sesi, Sesc e Senai –, repassado pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

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