PT evitou bater em Alckmin no primeiro turno

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* |

compartilhe

Tamanho do texto

Cúpula do PT diz que partido fez oposição muito leve ao governador de São Paulo, facilitando a reeleição do tucano

Brasil Econômico

Dirigentes do PT nacional admitem que o partido optou por não fazer uma campanha mais contundente no primeiro turno contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que acabou reeleito sem necessidade da segunda fase da disputa.

Existia um temor de perder eleitores que votavam em Dilma Rousseff para presidente e no tucano para governador. Petistas lembram ainda que Alckmin sempre evitou confrontos mais fortes com a presidente e, por isso, era mais conveniente manter o clima amistoso para não arranhar mais a imagem da chefe do Executivo federal no Estado.

Até mesmo o candidato do PT ao governo paulista, o ex-ministro Alexandre Padilha, que terminou a disputa na terceira colocação, evitou um conflito maior com o governador, papel que foi exercido por Paulo Skaf (PMDB).

No segundo turno, a estratégia mudou. Depois de uma derrota expressiva entre os paulistas, os petistas passaram a explorar as fragilidades da administração do PSDB. Usaram principalmente a questão da água, que se agravou com as notícias divulgadas após a vitória do governador. Alckmin foi acusado inclusive de ocultar informações sobre o desabastecimento para não prejudicar sua imagem.

A estratégia deu certo parcialmente: o PT não venceu em São Paulo no segundo turno, mas recuperou parte dos votos. Agora, a pressão é para que os petistas paulistas sejam mais contundentes na oposição, principalmente na Assembleia Legislativa.

A avaliação é que o partido fez uma oposição burocrática nos últimos quatro anos. Mas a tarefa não será fácil, afinal o PT tem 22 deputados estaduais atualmente e começará a nova legislatura com apenas 14.

Petista reclama de “barbeiragem”
Um deputado da bancada do PT na Câmara considerou uma “barbeiragem” a decisão de colegas de permitir, na terça-feira (27), a apreciação do decreto presidencial sobre a regulamentação dos conselhos populares, quando não havia condições de ser aprovado.

Aliados do governo e oposicionistas impuseram uma derrota à presidenta Dilma Rousseff, dois dias depois de sua reeleição. O parlamentar atribui a “mancada” ao líder do governo Henrique Fontana (PT-RS) e ao ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. Segundo o petista, havia mais de mil itens na pauta e não existia necessidade de a votação ocorrer naquele momento. E o PT poderia ter obstruído, avalia.

Apoio a Pizzolato
Vários petistas admitem reservadamente que, entre os acusados do mensalão, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato tomou “a melhor atitude” ao fugir para a Itália. Petistas, entre eles sindicalistas e dirigentes do MST, assinaram um documento em solidariedade a Pizzolato, enviado para o ministro da Justiça da Itália, Andrea Orlando.

Ex-assessor de Gilberto Gil sai da Rede
Gestor dos Pontos de Cultura quando Gilberto Gil era ministro, Célio Turino anunciou a sua desfiliação da Rede Sustentabilidade, grupo de Marina Silva (PSB). Ele tinha divergências desde o início da campanha, quando desistiu de disputar uma vaga de deputado federal por causa da decisão do PSB de apoiar Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo.

Foi contra diversos pontos do programa, como a independência do Banco Central, a redução do papel da Justiça Trabalhista e do papel dos bancos públicos e as revisões da CLT e “do conceito de trabalho escravo”. O ponto final para Turino foi o apoio de Marina a Aécio Neves no segundo turno.

Cid quer cargo no BID
Políticos do Ceará aliados do governador Cid Gomes (Pros) sonham com a possibilidade de ele ser indicado pela presidenta Dilma para o Ministério da Educação. No Estado, seu nome é lembrado também para o Ministério da Saúde. Cid, no entanto, disse ter planos de assumir um cargo no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele já havia manifestado esse desejo antes das eleições.

“Reforma política é um consenso, tem que ter realmente a participação popular. Nada se pode fazer sem que se tenha a participação popular, que será a última palavra”
Henrique Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara, ao manifestar desejo de que proposta seja votada na Comissão de Constituição e Justiça

*Com Leonardo Fuhrmann

Leia tudo sobre: ptgeraldo alckminbrasil econômicomosaico políticopsdb

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas