Secretário de Justiça de Lula foi multiplicador de ataques ao PT

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* |

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Opinião de especialistas diz respeito ao ex-delegado Romeu Tuma Júnior, que em livro lançado acusou o governo do PT de cometer “assassinatos de reputação” e "crimes de Estado"

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Secretário Nacional de Justiça durante o governo Lula, o ex-delegado Romeu Tuma Júnior mostrou empenho nos últimos dias antes da eleição na divulgação de comentários contra o PT e a reeleição da presidenta Dilma Rousseff.

Uma análise de especialistas sobre a divulgação de informações a respeito de um suposto assassinato por envenenamento do doleiro Alberto Yousseff, que está preso e tem feito delações relacionadas a um esquema de corrupção na Petrobras, aponta Tuma como um multiplicador importante de informações sobre o tema nas redes sociais.

Seu texto de mais sucesso era um que relacionava a internação de Yousseff ao assassinato de uma testemunha da morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT). Durante o sábado (25), o ex-delegado também chegou a pedir proteção especial para o doleiro, inclusive com alimentação diferente dos demais presos.

Tuma só publicou depois das 16h de domingo (26), perto do horário de fechamento das urnas, que Youssef estava vivo. Antes, ele chegou a ironizar uma nota oficial da Polícia Federal que desmentia o boato.

Durante a semana, o ex-delegado já havia divulgado outra notícia falsa, segundo o site Brasil 247: de que o TSE havia determinado que os eleitores de Dilma fossem votar em outro dia, e apenas os de Aécio deveriam comparecer às urnas no domingo passado.

Também publicou um vídeo em que o pastor Caio Fábio faz duros ataques ao governo petista, só que identificou o religioso como sendo o ex-ministro do STF Eros Grau, o que tornava mais graves as críticas.

Acusado de envolvimento com a máfia chinesa e tráfico de influência, Tuma foi demitido no final do governo Lula. Desde então, passou para a oposição e se tornou um crítico feroz dos petistas. Um dos principais pontos da ofensiva é justamente a publicação de um livro, "Assassinato de reputações – Um crime de Estado", em que acusa os petistas de criar uma rede de notícias falsas para atingir adversários.

Kassab espera
O ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD) havia sido sondado para uma vaga no ministério da presidente Dilma Rousseff. Kassab não aceitou porque desejava disputar as eleições em São Paulo. Concorreu ao Senado e foi derrotado. Agora, aliado de Dilma e defensor da participação de seu partido no governo, é um dos possíveis nomes para compor o ministério.

Herdeira de Arraes foi barrada no PSB
Diferentemente do que foi publicado na coluna (e noticiado em Pernambuco), a vereadora de Recife Marília Arraes (PSB), neta de Miguel Arraes e prima do ex-governador Eduardo Campos, não retirou sua candidatura à deputada federal. O PSB negou a legenda para ela. Por isso, Marília rompeu com o primo e apoiou as candidaturas de Dilma Rousseff (PT) à Presidência e de Armando Monteiro (PTB) ao governo de Pernambuco.

Com a vitória de Paulo Câmara (PSB) a governador no primeiro turno, ficou isolada no partido. Agora, com a expressiva votação de Dilma no Estado (71% a 29% para Aécio), foi ovacionada na festa da vitória da petista em Recife, no domingo. A atitude do PSB reforçou a imagem de mártir nas ruas.

Suplicy reage bem à derrota
Petistas de São Paulo avaliam que o senador Eduardo Suplicy reagiu bem à derrota que teve nas urnas. O parlamentar de 73 anos anunciou planos de viajar com os filhos e voltar a dar aulas. Dirigentes do partido imaginavam que, depois de 24 anos no Senado, Suplicy podia ter algum problema para se afastar do cargo. Isso é comum entre políticos que passam muito tempo no Congresso. Há casos, inclusive, de ex-parlamentares que continuam frequentando o local como se ainda tivessem mandato.

Pouca chance de virar ministro
Apesar de destacarem a importância de Eduardo Suplicy para a história do PT e também em temas humanitários, petistas ligados ao Palácio do Planalto não acreditam que ele possa ter algum espaço dentro do segundo governo Dilma. Ele é considerado muito obstinado e, às vezes, um pouco afoito diante de denúncias que recebe. “Para a população, ele seria um ótimo secretário nacional de Direitos Humanos, mas ia ser bem complicado para o governo”, comenta um importante governista.

“Nós vamos trabalhar para cobrar aquilo que a presidenta prometeu na campanha, para revelar o que ela escondeu. Dilma não terá trégua da nossa parte”
Aloysio Nunes, senador e vice na chapa de Aécio Neves (PSDB), sobre a relação com o novo governo

*Com Leonardo Fuhrmann

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