Apesar dos apelos de Dilma e Aécio por união, PT e PSDB mantêm ataques

Por Anderson Passos - iG São Paulo |

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Álvaro Dias diz que chance de sentar à mesa com PT é zero; Rui Falcão prefere afagar legendas que apoiaram Dilma no 2º turno

Ainda que a presidente Dilma Rousseff (PT) e seu adversário na disputa eleitoral à Presidência Aécio Neves (PSDB) tenham destacado em seus discursos a necessidade de unir o Brasil após o processo eleitoral, PT e PSDB mantêm os ataques e descartam qualquer convergência em torno de projetos para o País.

Agência Brasil
Aloysio Nunes (PSDB-SP), vice de Aécio Neves: "Dilma ganhou a eleição mentindo"

Dilma: "Não acredito que as eleições tenham dividido o Brasil ao meio"

Aécio: "Maior prioridade deve ser unir Brasil em torno de um projeto honrado"

Vice na chapa de Aécio, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) gravou um vídeo agradecendo a votação, mas reforçando que os tucanos farão uma oposição “firme, consciente. Trazer para o Senado, para a Câmara, a indignação das ruas. Vamos continuar em contato porque a Dilma ganhou a eleição mentindo”, criticou em gravação dirigida aos apoiadores da volta do PSDB ao Planalto.

Já o colega de bancada Álvaro Dias (PSDB-PR), um dos vice-presidentes do partido, defende que o diálogo proposto tanto por Dilma quanto por Aécio se refere às instituições e à nação. "Ela de lá, como governo, e nós de cá como partido de oposição, que tem a função de fiscalizar as ações do Executivo". Perguntado se haveria alguma possibilidade de PT e PSDB se reunirem à mesma mesa, foi enfático: "Chance é zero".

Eleição de Dilma gera nova onda de preconceito nas redes sociais:

Intolerância a nordestinos é recorrente nas redes sociais. Foto: ReproduçãoMeme ironiza o programa Bolsa Família, que tem mais filas do que uma agência de empregos. Foto: ReproduçãoVitória de Dilma Rousseff gera uma onda de tweets e memes contra eleitores do PT, nordestinos e beneficiários do Bolsa Família. Foto: ReproduçãoPost no Facebook ironiza o Nordeste, onde a rede social Orkut ainda existia, por conta do subdesenvolvimento. Foto: ReproduçãoMensagens de ódio podem ser denunciadas como crime de xenofobia. Foto: ReproduçãoAs mensagens são claras: todos eleitores do PT são burros e ignorantes. Foto: ReproduçãoVitória de Dilma Rousseff gera uma onda de tweets e memes contra eleitores do PT, nordestinos e beneficiários do Bolsa Família. Foto: ReproduçãoAté mesmo o separatismo está sendo proposto por aqueles que se declaram 'Anti-PT'. Foto: ReproduçãoVitória de Dilma Rousseff gera uma onda de tweets e memes contra eleitores do PT, nordestinos e beneficiários do Bolsa Família. Foto: ReproduçãoIntolerância também é recorrente na internet. Foto: ReproduçãoMontagem reforça o senso comum de que beneficiários do Bolsa Família não trabalham. Foto: Reprodução

Outro vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman prega que a qualquer tempo o Congresso seja invocado para o debate de projetos para o País. “A regra normal é o que o Congresso Nacional seja o fórum para esse debate. A verdadeira mesa é o Congresso Nacional”, enfatizou o ex-governador de São Paulo, sublinhando que o governo pode e deve consultar o Legislativo e as lideranças parlamentares sobre suas propostas.

Goldman deu o exemplo da reforma política comentando que o Executivo pode discutir o tema com a oposição ouvindo e se aconselhando com as lideranças parlamentares sobre a viabilidade das propostas e de sua aprovação. Nesse item, Dilma tem renovado a tese de um plebiscito, o que é combatido por juristas e pela oposição.

Novo mandato: PMDB pretende endurecer a relação com o governo

Questionando se mesmo após uma disputa acirrada haveria clima para que temas relevantes para o País sejam levados ao Legislativo imediatamente, ou quando da posse do novo Congresso Nacional em fevereiro, o tucano afirmou que “o Legislativo pode e deve ser ouvido em qualquer tempo”.

Divergência e cautela

No PT, a sinalização do presidente nacional da legenda, Rui Falcão, é que a prioridade será construir pontes primeiramente com ex-aliados que migraram para a oposição ou que apostaram em um caminho próprio.

Durante entrevista coletiva nesta segunda-feira (27) em São Paulo, o petista fez agradecimentos públicos ao PSOL, de Luciana Genro, além do PSTU e outras agremiações de esquerda em apoio ao projeto do PT por entenderem “o que estava em jogo no segundo turno. Preferiram, entre o retorno ao passado e avançar, ainda que não no ritmo que eles desejam, apoiar a nossa candidatura. Esse apoio naturalmente vai criar uma aproximação maior em um diálogo que a gente tenta desenvolver com eles”, adiantou.

Falcão enfatizou ainda que o PT conversará com todos os partidos que quiserem levar a frente o programa de governo aprovado nas urnas.

O dirigente petista afirmou também que, a não ser por um ou outro episódio da campanha eleitoral, o país não está dividido e que Dilma Rousseff, fazendo jus ao papel dos governos democráticos, irá, cedo ou tarde, dialogar com a oposição.

Em entrevista ao "Jornal Nacional" na mesma data, a presidente reeleita destacou que os eleitores que a apoiaram e os que não votaram nela merecem o mesmo respeito.

“Acredito que depois de uma eleição, nós temos de respeitar todos os brasileiros, os que votaram em mim e os que não votaram em mim. E respeitá-los significa abrir e construir, através do diálogo, pontes para que nós possamos, juntos, fazer com que o Brasil tenha um caminho de crescimento, um caminho de futuro. Isso significa um Brasil moderno, mais competitivo, mais inclusivo. Falei isso ao longo de toda a campanha”, afirmou.

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