Novo governo demandará recomposição na Esplanada dos Ministérios; pressões na economia alimentam expectativa pela indicação do novo ministro da Fazenda

O fechamento das urnas abriu a bolsa de apostas sobre o novo perfil que terá a Esplanada dos Ministérios a partir de janeiro, mas a temporada de caça aos cargos começa já nesta segunda-feira. A presidente reeleita Dilma Rousseff não prometeu extinguir ministérios, como fez seu adversário, Aécio Neves, e nem anunciou nomes antecipadamente.

O único tranquilizante servido por Dilma ao mercado e a credores internacionais foi avisar, três meses antes das eleições, que o “capitão” da economia, o ministro Guido Mantega, deixa a Esplanada com a instalação do novo governo. Ela também anunciou, durante a campanha, que em seu segundo mandato, haverá uma nova composição ministerial.

Aloísio Mercadante, que deve ter vaga garantida no novo ministério de Dilma
Allan Sampaio/iG Brasília
Aloísio Mercadante, que deve ter vaga garantida no novo ministério de Dilma

A expectativa no mercado e no governo por uma definição na Fazenda já fez circular vários nomes para a vaga. Um dos que sempre figuram entre os alvos da especulação é Nelson Barbosa, ex-secretário-executivo da pasta e homem da confiança da presidente. Dilma tem boa relação com o antigo auxiliar, que, apesar de cotado, tem dito que nunca foi sondado para o posto.

No governo, uma das características que joga a seu favor é o fato de ter discordado internamente da linha dada por Mantega ao ministério – o que, segundo fontes do Planalto, contribui para alimentar uma reação positiva no mercado.

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Outro que costuma aparecer na lista é o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante que, em qualquer hipótese, tem vaga garantida no novo governo. Coringa, Mercadante já ocupou os ministérios de Ciência e Tecnologia e Educação. Nos últimos tempos tem sido um dos conselheiros mais próximos da presidente, o que indica que pode também permanecer na Casa Civil.

A lista inclui ainda o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, um “ex-tucano” que caiu nas graças do PT e de seu principal líder, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-presidente queria lança-lo ao Senado no aceno que levou para a coligação de Dilma o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab, mas a pressão da militância por Eduardo Suplicy o fez desistir.

Meirelles é considerado uma opção fora da cota do PSD, onde o próprio Kassab também quer lugar ao sol, provavelmente numa pasta que se aproxime às novas demandas de mobilidade urbana, que pode ser o Ministério das Cidades.

O ex-presidente do BC chegou ao governo pelos braços de Lula cuja decisão surpreendeu até seu antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: “Estou nomeando um tucano para o Banco Central”, teria dito Lula a Fernando Henrique em primeira mão, conforme revela o ex-presidente em A Arte da Política, o livro em que relata o período dos tucanos no poder, escrito em parceria com o jornalista Ricardo Setti.

Outra pasta importante do governo, a da Justiça, tem dois concorrentes, os ministros José Eduardo Cardozo – que pode permanecer – e Luiz Inácio Adams, da Advocacia Geral da União (AGU), em cuja disputa está inserida também a vaga do Supremo Tribunal Federal (STF), deixada pelo ex-ministro Joaquim Barbosa. Caso decida mesmo indicar o sucessor de Barbosa, Dilma pode remanejar Adams para a Justiça, indicando Cardozo para o STF.

O governador da Bahia, Jacques Wagner, o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e ex-presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto e o deputado licenciado Ricardo Berzoini, ministro das Relações Institucionais, têm lugar garantido na Esplanada.

Wagner, que já foi titular do Trabalho e da Articulação Política, pode tanto voltar para uma das pastas que já ocupou quanto ganhar o da Integração. Sua presença na campanha de Dilma no Nordeste e o desempenho político na Bahia ao eleger o sucessor depois de dois mandatos, o petista Rui Costa, o colocam também como um dos novos nomes do PT em 2018 caso Lula não queira disputar.

Rossetto, que se tornou o principal auxiliar de campanha de Dilma, pode voltar para o Desenvolvimento Agrário ou, numa eventual dança de cadeiras no Planalto, ocupar o lugar onde está hoje Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, que deve deixar o governo.

Berzoini deixou de disputar o quinto mandato para deputado federal para tocar até o final do atual governo o Ministério das Relações Institucionais. É outro coringa que pode tanto ficar onde está como ser remanejado. Foi ministro do Trabalho e Emprego e da Previdência Social e, nas mudanças que certamente ocorrerão, pode também ocupar o Ministério das Comunicações, no lugar de Paulo Bernardo.

O empresário Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar é um dos cotados para o Ministério da Indústria e Comércio, pasta ocupada até as eleições pelo governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel.

Terceiro colocado nas eleições para governador em São Paulo, o ex-candidato Alexandre Padilha pode voltar ao Ministério de Saúde. O novo ministério deve abrir espaço para o governador do Ceará, Cid Gomes, que apoiou o candidato vitorioso do PT no Ceará neste segundo turno no Ceará, Camilo Sobreira de Santana, e pediu votos para Dilma.

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