Na nova gestão de Dilma, o PT deve mudar o comportamento em relação aos aliados. Líderes vão cobrar mais fidelidade

Brasil Econômico

O PT se prepara para iniciar um novo governo, mas acena com uma disposição para mudar o comportamento em relação aos aliados. A ideia é cobrar mais fidelidade. Petistas lembram que o PMDB apoiou oficialmente a reeleição da presidenta Dilma Rousseff , mas muitos dos deputados traíram a candidata e apoiaram seus adversários. O comando do PTB, por outro lado, esteve ao lado do tucano Aécio Neves,enquanto a maioria de seus deputados federais ficou com Dilma. Sobre o novo governo, os petistas guardaram os nomes dos principais ministros até ontem. O governador gaúcho Tarso Genro, que não foi reeleito, e o da Bahia, Jaques Wagner, que fez seu sucessor, foram ministros antes de assumirem o comando dos estados, e são tidos agora como nomes fortes para a nova gestão.

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Líderes do PT dizem esperar também uma mudança de comportamento do partido. Querem não só defender as ações do governo, mas participar mais ativamente do debate ideológico. A avaliação é que o PT perde espaço hoje na discussão das ideias. Como o governador gaúcho Tarso Genro já comentou em uma entrevista recente e outros integrantes do comando do partido concordam, o ex-presidente Lula deve ser o protagonista dessa guinada de volta às origens, mais a esquerda do que a administração federal. Assim, o PT passará a se confundir menos com o governo. A situação atual tem gerado críticas tanto de petistas como de opositores, além de afastar o partido dos movimentos sociais. A avaliação é de que só Lula tem peso político para comandar essa separação depois de 12 anos do PT no comando do principal cargo da República.

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Negativa ajudou a divulgar boato contra petistas

Entre os petistas existe uma avaliação de que os próprios militantes do partido acabaram ajudando involuntariamente na divulgação do boato de que o doleiro Alberto Youssef, um dos delatores de irregularidades na Petrobras, havia sido envenenado dentro da cadeira e estava morto. Ao publicar e replicar informações que desmentiam a morte do doleiro, acabaram aumentando a repercussão do boato. O diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, divulgou notas negando o caso, assim como o Samu e o hospital onde Youssef está internado. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi obrigado a administrar a crise causada pelo boato durante a madrugada anterior à eleição.

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Preconceito de cor

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) não quis ir para a mesa principal de um café da manhã que o PT paulista organizou em um hotel no centro da capital do Estado. Alegou que tinha saído de casa com a camisa errada e, por isso, preferia não aparecer na foto com outros apoiadores de Dilma. Ele vestia azul.

Ameaças e desrespeito à lei

Casos de abusos e ameaças foram registrados em São Paulo. Num hospital no Ipiranga (zona sul), médicos foram denunciados ontem por colegas por usarem adesivos do PSDB durante atendimento. Uma médica do Hospital das Clínicas postou no Facebook uma mensagem na qual recomendava a colegas que, ao dar alta a algum paciente, perguntasse antes em quem iria votar. “Dependendo da resposta, deixe a alta para segunda-feira”, afirmou. Alertada, depois retirou o post. Também na zona sul, na sexta-feira, o motorista de um Vectra ameaçou com revólver o condutor de uma Kombi com bandeira de Dilma.

Lembo: “quebrei um tabu”

O ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo (PSD) ainda ri quando o assunto é a “elite branca”, termo que popularizou quando ocupava o cargo. “Temos uma burguesia má, uma minoria branca perversa”, disse na época. Hoje aliado do PT, Lembo afirma que os tucanos já demonstraram que “estão mais preocupados em servir a interesses de grandes grupos econômicos do que com a manutenção de programas sociais”. Assim, as iniciativas “murchariam aos poucos”.

“Sei que não sou o salvador da pátria, mas tenho disposição para fazer um governo diferente” –

Rodrigo Rollemberg (PSB), governador eleito do Distrito Federal

*Com Leonardo Fuhrmann

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