As mais de dez comunidades da Maré estão há cerca de sete meses convivendo com a Força de Pacificação

Agência Brasil

Exército reforça efetivo para o segundo turno das eleições no Complexo da Maré, zona norte do Rio
Tomaz Silva/Agência Brasil
Exército reforça efetivo para o segundo turno das eleições no Complexo da Maré, zona norte do Rio

Sob intenso patrulhamento de tanques blindados e veículos militares, os moradores do Complexo da Maré comparecem hoje (26) às urnas, na cidade do Rio de Janeiro. As mais de dez comunidades da Maré estão há cerca de sete meses convivendo com a Força de Pacificação, que tem militares do Exército e fuzileiros navais.

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O patrulhamento no complexo incluiu trinhceiras e armamento pesado, como fuzis, utilizados pelos militares em solo e nos veículos. Eles estão organizados no entorno das 15 escolas onde funcionam seções eleitorais neste domingo.

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Apesar de relatos de tiroteio na madrugada, quando a força de pacificação tentou encerrar um baile funk na localidade conhecida como Vila do João, a situação está tranquila e os eleitores se dirigem normalmente aos locais de votação.

Em uma das maiores seções, na Escola Municipal Bahia, próximo à Avenida Brasil, o movimento é intenso, mas não há filas. Embora haja eleitores distribuindo adesivos de maneira discreta nos arredores da escola, ao contrário do primeiro turno, não há uma enxurrada de santinhos espalhados pelas ruas.

Na escola, a jovem de 16 anos, Tuianny Machado, votou sem pressa. Ela, que está em sua primeira eleição, disse que o voto é uma importante oportunidade de exercer seu direito. "Pesquisei meus canditados, escolhi com base nas propostas - e não nos erros- e votei conscientemente", declarou confiante.

A atendente Michele Silva, de 37 anos, avaliou que a votação neste segundo turno está mais rápida que no primeiro. "Como eram muitos candaditados para votar, as filas estavam enormes, mas deste vez não levei nem dez minutos (entre chegar à escola, votar e sair). Foi bem mais rápido", frisou.

Na Maré, os moradores ainda são cautelosos ao se referir à Força de Pacificação ou aos "periquitos", como chamam os militares. Uma parte acredita que a presença ostensiva dá mais segurança, outra parte, diz que acaba limitando e constrangendo, desnecessariamente, as pessoas, por abuso de autoridade. Procurado, o comando não respondeu as queixas nem esclareceu a ação durante a madrugada.

A Força de Pacificação continuará na comunidade até 31 de dezembro, a pedido do governo do estado do Rio de Janeiro. O comando da operação é dos ministérios da Justiça e da Defesa. Em 2015, a previsão é que seja substituida por Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no complexo, com 1,6 mil policiais militares.

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