Em quatro anos de governo, presidente centralizadora teve de aprender a valorizar articulação política para enfrentar crises

No início do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff , a lista de exigências para quem quisesse se tornar um auxiliar direto ou futuro ministro era liderada por algumas características. Em geral, os recrutados com perfil para compor o primeiro time presidencial compartilhavam a capacidade técnica, associada principalmente ao grau de “discrição e fidelidade”.

Quatro anos depois, ao enfrentar uma campanha dura pela reeleição e um aumento das pressões dentro da base aliada, Dilma passou a se cercar de um outro tipo de auxiliar. Agora, o time de conselheiros é composto em sua maioria por nomes com ampla experiência política e capacidade de articulação.

Dilma, conhecida pelo seu perfil centralizador, reformulou aos poucos o leque de auxiliares diante dos problemas que enfrentou no decorrer do mandato. As sucessivas crises que enfrentou na relação com o Congresso, por exemplo, abriram lugar para ministros com bom trânsito político ou com experiência anterior no primeiro escalão do governo.

Veja imagens de Dilma Rousseff durante a corrida presidencial:

Grande parte desse aprendizado no jogo político se deu pelas mãos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , um interlocutor assíduo que, em certos momentos de crise, chegou a sugerir reuniões, jantares e almoços mais frequentes com líderes da Câmara e do Senado. Dilma buscou entre os ex-ministros de Lula alguns dos auxiliares que hoje consulta quando precisa tomar decisões importantes sobre o rumo da administração federal.

Entre seus principais conselheiros, estão hoje nomes como Aloizio Mercadante, ministro licenciado da Casa Civil; Miguel Rossetto, licenciado do Desenvolvimento Agrário; o governador da Bahia, Jaques Wagner; o ministro Ricardo Berzoini, da Secretaria de Relações Institucionais, além do presidente do PT, Rui Falcão.

Aloísio Mercadante, ministro da Casa Civil
Allan Sampaio/iG Brasília
Aloísio Mercadante, ministro da Casa Civil

Reforço de Mercadante

Considerado um dos ministros mais próximos da presidente, o chefe da Casa Civil passou por duas outras pastas no governo Dilma. Primeiro, foi ministro da Ciência e Tecnologia. Depois, da Educação. Considerado um dos principais nomes do PT paulista, Mercadante domou aos poucos seu estilo espalhafatoso e por vezes agressivo, até conseguir a confiança da presidente.

Suas argumentações na área econômica, por exemplo, foram fundamentais na preparação de Dilma para os debates presidenciais.

Mercadante acompanhou Dilma em todos os confrontos na TV, ao lado do publicitário João Santana, do ministro da Secretaria de Comunicação, Thomas Traumann e do ex-ministro da pasta no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Franklin Martins.

O ministro deixou o governo para se incorporar à coordenação da campanha há cerca de um mês com o objetivo de se contrapor ao projeto lançado pelo tucano Aécio Neves que resgata Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do governo de Fernando Henrique Cardoso. A expectativa, por enquanto, é de que ele retorne à Casa Civil e permaneça no cargo no segundo governo da petista.

Giles Azevedo – discreto e eficaz

Entre os homens e mulheres de Dilma, o ex-chefe do gabinete pessoal da presidente, Giles Azevedo é um dos mais próximos. Azevedo encarna o perfil preferido da presidente. É discreto e eficiente. Sua capacidade de articulação é reconhecida por integrantes do PT, que defendem que esta característica deve ser mais explorada.

No primeiro mandato de Dilma, sua função principal era cuidar da agenda, tarefa considerada árdua, levando-se em conta as confusões geradas pela própria função e pela fama de humor intempestivo da presidente.

Os elogios à sua paciência e à capacidade de suportar as variações são unânimes entre os integrantes do governo. Geólogo, companheiro de Dilma desde os tempos em que ela era filiada ao PDT do Rio Grande do Sul, Azevedo foi conhecido como Brizolinha.

Jaques Wagner, governador da Bahia
Allan Sampaio/iG Brasília
Jaques Wagner, governador da Bahia

A volta de Jaques Wagner 

O governador da Bahia, Jaques Wagner, é outra pessoa que tem cargo certo no segundo governo de Dilma e mantém grande proximidade com a presidente. Dilma sempre elogia sua paciência e sua capacidade de ler o cenário político, brincando ainda com a capacidade do governador de se manter calmo, mesmo nas circunstâncias mais adversas.

Há duas semanas, a presidente Dilma relatou, em uma conversa com jornalistas, sua admiração por Wagner. Segundo a presidente, ele foi capaz de manter a tranquilidade, enquanto as pesquisas de intenção de voto apontavam derrota de seu candidato, Rui Costa, ao governo da Bahia. Ocorreu justamente o contrário. Costa venceu no primeiro turno. “A gente falava com ele e só pedia calma. Não é que ele estava certo”, comentou a presidente.

Wagner tem acompanhado a presidente nos debates e em muitos atos da campanha. Seu nome é cotado para o Ministério do Planejamento.

Miguel Rosseto, ministro do desenvolvimento agrário
Agência Brasil
Miguel Rosseto, ministro do desenvolvimento agrário

Rossetto e os movimentos sociais

Companheiro de Dilma do PT do Rio Grande do Sul, o sociólogo tem a fama de ser bastante ouvido pela presidente. Ministro licenciado do Desenvolvimento Agrário, Rossetto deixou a pasta há cerca de um mês para integrar a coordenação da campanha de Dilma. É uma das pessoas mais próximas da presidente.

A aposta é de que ele possa comandar a Secretaria-Geral da Presidência da República, no segundo mandato de Dilma Rousseff. A pasta é responsável pela interface do governo com os movimentos sociais.

Atualmente, esta pasta é comandada pelo ministro Gilberto Carvalho, muito próximo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve deixar o governo no eventual segundo mandato de Dilma. Antes de retornar para o governo de Dilma, Rossetto chefiou o MDA entre 2003 e 2006, no primeiro mandato de Lula.

Rui Falcão, presidente nacional do PT
Allan Sampaio/iG Brasília
Rui Falcão, presidente nacional do PT

Rui Falcão na interlocução

Coordenador-geral da campanha presidencial petista, o presidente do partido, Rui Falcão, também se aproximou de Dilma. A afinidade demonstrada entre os dois nos últimos meses enterrou de vez os atritos que marcaram a relação entre os dois na corrida presidencial de 2010. Na época, Falcão foi um dos personagens de uma disputa interna da comunicação da campanha de Dilma.

A mudança veio com a escolha de Falcão para presidir o PT, com endosso de Lula. Atualmente, ele tem acesso livre à presidente, telefona diretamente para ela para dar relatos sobre o andamento da campanha e dar sugestões para estratégia eleitoral.

Embora tenha ganhado um lugar no time de confiança de Dilma, Falcão em geral não aparece na lista de possíveis ministros no segundo mandato. Em tese, a expectativa é de que ele permaneça no seu cargo atual, liderando a interlocução entre o partido e o governo federal.

Ricardo Berzoini, ministro das Secretaria de Relações Institucionais
Allan Sampaio/iG Brasília
Ricardo Berzoini, ministro das Secretaria de Relações Institucionais

Berzoini amenizou a tensão

Indicado para a Secretaria de Relações Institucionais pelas mãos do ex-presidente Lula, Berzoini conseguiu amenizar as tensões na relação de Dilma com o Congresso nos meses que antecederam a eleição. Com origem no sindicalismo bancário, o deputado é visto no partido como um bom negociador e articulador. A aposta é de que ele fique no governo e, provavelmente, na mesma pasta.

Desde que assumiu a SRI, a agenda de Berzoini é tomada por reuniões com parlamentares, estratégia que rendeu à presidente tempos de paz com o Congresso. Além disso, Berzoini mantém um bom trânsito dentro do PT, fruto dos dois mandatos que exerceu como presidente nacional da legenda, logo após o escândalo do mensalão.

Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social e Combate a Fome
Allan Sampaio/iG Brasília
Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social e Combate a Fome

Tereza Campello na área social

Economista, Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, convive com Dilma há bastante tempo. Nascida em São Paulo, sua carreira na gestão política começa no Rio Grande do Sul, onde chegou a dividir espaço com Dilma em administrações petistas. As duas também trabalharam juntas na equipe de transição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

Nos quatro anos de governo, comandou a maior ação da administração petista na área social: o programa de distribuição de renda Bolsa Família. Quando Dilma assumiu, a tarefa dada pela presidente a ela foi “erradicar a miséria”, lema que tanto a presidente quanto a ministra repetiram com ênfase durante os quatro anos.

A avaliação de Dilma em relação à ministra é positiva, principalmente após a divulgação do Mapa Mundial da Fome em 2014, relatório global da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que indicou que, pela primeira vez, o país estava fora da lista de países com nível maior que 5% de pessoas acometidas pela subalimentação.

Na campanha, Tereza é uma das poucas pessoas capazes de apressar a presidente para que ela entre em cena nas gravações externas com o público, antes que a luz natural caia muito. Nestes casos, Dilma, segundo integrantes da campanha, a ouve e obedece. Tereza é cotada para permanecer no cargo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.