Vice de Dilma Rousseff é o fiel da balança que sustenta a aliança do PMDB com o PT na sucessão de 2014

Com três passagens pela presidência da Câmara dos Deputados, o vice-presidente Michel Temer (PMDB), que reedita a chapa com Dilma Rousseff (PT) em 2014, é conhecido pelo tom conciliador e diplomático, capaz de minimizar crises que, quando se impõem, dão a impressão de colocar em xeque a aliança nacional entre PT e PMDB.

Michel Temer foi entrevistado no programa 'Opinião' da TV iG
iG São Paulo
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Quando perguntado do futuro da união com o PT, Temer admite resistências na Câmara, mas nada de citar nominalmente o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), líder do governo e maior rebelde da sigla na Casa em relação aos petistas.

Veja imagens da campanha presidencial no 2º turno:


Para evitar que Cunha produza mais estragos na Câmara dos Deputados, Temer costurou um acordo com o Planalto para que o Executivo se valha de canais alternativos de interlocução para ver suas propostas aprovadas.

Hábil, Temer espera a melhor oportunidade para avanços estratégicos. Em recente evento de apoio à candidatura de Dilma em São Paulo, ele louvou seu maior adversário interno no Estado, o ex-governador Orestes Quércia – que jamais permitiu que o PMDB local aderisse ao projeto petista. A seguir, convocou a deputada estadual Vanessa Damo, candidata derrotada à prefeitura de Mauá (SP) em 2012, para demonstrar em que direção o partido rumaria no estado, depois que Temer conseguiu constituir a nova direção estadual em 2011.

“O PT é meu inimigo em Mauá. Mas estou com o PMDB e estou com o Michel Temer. E todos aqui vão votar em Dilma”, convocou a deputada.

Para não frear o entusiasmo, Temer afagou os peemedebistas de São Paulo acenando com uma candidatura forte à Prefeitura da capital e com uma candidatura própria do PMDB ao Planalto em 2018.

Biografia e trajetória política

Aos 74 anos, filho de libaneses, caçula de uma família de oito irmãos, Temer tem no currículo seis mandatos de deputado federal (de 1987 a 2011), sendo líder em várias legislaturas e presidente da Câmara por três vezes (1997, 1999 e 2009).

Michel Miguel Elias Temer Lúlia entrou na política durante o governo de Ademar de Barros como chefe de gabinete do então secretário de Educação, Ataliba Nogueira. Em 1983, no governo Franco Montoro, já filiado ao PMDB dois anos antes, virou procurador-geral do Estado de São Paulo. Um ano depois, foi nomeado secretário de Segurança Pública, cargo que voltaria a exercer em 1992, já na gestão do ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho, com a missão de debelar uma das maiores crises da segurança pública paulista, deflagrada com a chacina dos 111 presos do Carandiru.

A redução no número de mortes de civis em ações policiais levaram Fleury a nomear Temer para a Secretaria de Governo, cargo em que acumulava a Casa Civil e o colocava como o segundo na hierarquia do Palácio dos Bandeirantes.

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