Políticos, cientistas políticos e analistas repercutiram sobre o resultado da eleição e os desafios da presidente

Reuters

A presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita neste domingo para governar o Brasil pelos próximos quatro anos após derrotar o candidato do PSDB, Aécio Neves, no placar mais apertado desde a redemocratização.

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Políticos, cientistas políticos e analistas repercutiram sobre o resultado da eleição. Confira:

Carlos Melo, cientista político, professor do INSPER:

"A presidente vai ter que se reinventar. O governo vai precisar de muita liderança política de qualidade. Se não tiver, vão ser anos turbulentos. Se ela continuar com esse discurso, que divide entre 'nós' e 'eles', se continuar com essa coisa rançosa, vai ter muita dificuldade", disse. "Dilma tem uma série de reformas para fazer. Se continuar apenas tocando o barco, vai ter dificuldades (de governabilidade)."

Roberto Romano, professor de ética e política, Unicamp:

"Foi uma eleição apertadíssima, você tem quase que metade dos votos concedida ao Aécio Neves, o que configura uma divisão bastante forte do eleitorado, o que mostra que o Partido dos Trabalhadores, a presidente, e sobretudo, Luiz Inácio Lula da Silva, terão que tomar muito cuidado agora com seus pronunciamentos. Qualquer pronunciamento imprudente pode causar danos ao longo dos próximos quatro anos", disse.

"É uma situação muito delicada para os vencedores e efetivamente vai ser preciso muito cuidado e muita cautela para não entornar o caldo de vez."

Helcimara Telles, cientista política, UFMG:

"Por conta do Legislativo, que está muito fragmentado, ela vai ter que fazer concessões. Vai ter de governar com 28 partidos, esse vai ser o desafio... É um Legislativo fragmentado, uma eleição muito polarizada. Vai ter que ceder ao Congresso, mas também vai ter que ceder à sociedade, que pede mudanças. Ela vai ter muita dificuldade de articulação. Vai haver uma certa instabilidade em função dessa fragmentação do Congresso".

Antônio Flávio Testa, cientista político, professor da UnB:

"Resultado apertado reflete a realidade social do país. Os Estados em que a presidente venceu são os mais pobres e nos quais os programas sociais foram mais eficientes. Eles são muito bons para a população e melhor ainda para quem está no poder", disse.

"As eleições fizeram dois vencedores. Elegeram a presidente que vai ter bastante dificuldade de governar e colocaram Aécio à frente de uma coalizão da oposição, unindo uma grande resistência ao atual governo."

Lucas de Aragão, cientista político, sócio-diretor da Arko Advice:

"A vitória da Dilma Rousseff fica marcada pela sua força do Nordeste e como Aécio Neves não conseguiu ter o mesmo desempenho no Sudeste. Ele perdeu em seu reduto, em Minas, e também no Rio de Janeiro, só foi melhor do que esperado em São Paulo", disse.

"O PT mostrou que é um partido de chegada, quando a militância mostra a sua força. Agora, ela (Dilma) terá que lidar com um Congresso mais fragmentado. E um país dividido. Isso pode indicar uma relação tensa com o Legislativo, sem a tradicional lua de mel quando um novo presidente assume."

Alberto Bernal, economista, chefe de pesquisa da Bulltick Capital Markets, em Miami (EUA):

"O fato de que nós tivemos um resultado tão apertado reduz a sua capacidade de radicalizar as políticas. Ela provavelmente vai entender a mensagem de que praticamente metade do país é contra o que ela tem feito. O importante é ver quem ela escolhe para ministro da Fazenda e se ela fará um discurso conciliatório esta noite. Acredito que o mercado não vai vender tanto quanto eu esperava se ela deixar a porta aberta para algumas mudanças."

Beto Richa (PSDB), governador reeleito do Paraná, no twitter:

"Espero que a presidente Dilma, reeleita para suas funções, governe de forma republicana... Tratando de forma indistinta todos os Estados da Federação, e proceda todas as reformas que o país há muito espera. A democracia brasileira sai fortalecida de mais este pleito."

Jaques Wagner (PT), governador da Bahia, no twitter:

"Dilma terá um 2º governo ainda melhor, com mais futuro, mais realizações e esperança para os brasileiros."

Ideli Salvatti, ministra dos direitos humanos:

"Foi apertada, mas foi vitória, o povo foi sábio. Se é para dar continuidade e avançar, melhor reeleger a presidente Dilma. O mais importante é respeitar a decisão soberana do povo brasileiro."

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