Nativos das tribos Krukutu e Tedondé-Porã votaram neste domingo na região de Barragem, a 50 km da capital paulista

A intolerância e o embate político entre os eleitores dos dois partidos que disputam a Presidência da República, que começou nas redes sociais e alcançou as ruas, não contaminaram as aldeias guaranis de Krukutu e Tenondé-Porã, na região de Barragem, a 50 km de São Paulo. O iG ouviu ao menos dez indígenas neste domingo que votaram na Escola Estadual Joaquim Alvares Cruz, 381ª zona eleitoral de São Paulo.

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Indígenas se dividem entre os dois candidatos à Presidência e não há clima de guerra nas aldeias
Carolina Garcia/iG
Indígenas se dividem entre os dois candidatos à Presidência e não há clima de guerra nas aldeias

Apesar de divididos entre a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), e Aécio Neves (PSDB), eles contam que não existe tensão ou discurso de ódio dentro das aldeias contra "eleitores rivais". "Lá todos têm autonomia para votar em quem quiser. O líder não obriga a votar por um candidato. Ah, e não tem briga", explica Tupã de Oliveira, de 27 anos, que dá aulas sobre a cultura indígena na aldeia Krukutu. Neste turno, ele votou no tucano Aécio pelo descaso que o seu povo enfrentou na gestão de Dilma.

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Cristina da Silva, de 45 anos, confirma a democracia e a tolerância com opiniões distintas dentro da aldeia. Ela nasceu em Krukutu, mas votou na petista por considerá-la defensora das minorias com os programas sociais do governo, como o Bolsa Família, que a ajuda criar os seus oito filhos. "Não são todos que se importam com a gente. Estamos aqui isolados, nem propaganda política tem, pode perceber". Cristina levou a filha Kayline, de cinco anos para as urnas.

A prática era comum entre todos os indígenas, que chegavam em grandes grupos à seção eleitoral. Para votar, os entrevistados caminharam até 30 minutos entre a aldeia e a escola. A caminhada é de risco, já que a extensa avenida Sadamu Inoue não conta com calçadas ou acostamento.

Debate em família e os indecisos

Muitos eleitores indígenas confessaram não ter candidato minutos antes de chegar à urna e reclamaram que até em período eleitoral a região de Barragem, que fica no distrito de Parelheiros, não recebe visitas de candidatos políticos. Alguns driblaram a desinformação e debateram entre a família qual seria a melhor escolha neste segundo turno.

É o caso das irmãs Isabel e Juliana dos Santos, de 23 e 21 anos, respectivamente, que moram na aldeia de Tenondé-Porã com os pais, filhos e maridos. "Não entendo muito bem a situação do Brasil, mas conversamos e decidimos que Dilma era a nossa melhor opção. Não vejo Aécio brigando pelas minorias. Então decidimos não arriscar", conta Isabel, que tem o nome indígena Yvamirim (nuvem).

Também moradora de Tenondé-Porã, a professora Cláudia Marlene Gonçalves, de 30, anulou o voto no primeiro turno das eleições. Mas, após acompanhar os debates presidenciáveis na TV, decidiu votar em Aécio Neves. "Ela [Dilma] está lá há 4 anos e não representou o povo indígena. Respeito o voto dos meus irmãos, só que muitos estão votando só porque ela liderava as pesquisas. Precisamos colocar os nossos ideais na frente das pesquisas".

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