Eleição é motivo de festa na periferia; elite paulistana mantém clima bélico

Por Carolina Garcia - iG São Paulo | - Atualizada às

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Apoiador de Dilma enfeita boteco em bairro pobre da cidade; em área nobre, manobrista cola adesivo de Aécio para clientes

Santinhos da candidata Dilma Rousseff (PT) espalhados pelo chão, bandeiras e bares lotados com muita cerveja na mesa. O cenário é da região de Parelheiros, periferia da zona sul de São Paulo e forte reduto petista nas eleições. A 27 km dali, a rua Amauri, no Jardim Europa, onde se encontram alguns dos mais sofisticados restaurantes da cidade, reforça o clima bélico do segundo turno, apoiando o candidato de oposição Aécio Neves (PSDB) em tom de combate a eleitores rivais.

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No extremo da zona sul, o clima de tensão das eleições presidenciais não ofuscou o período de folga do domingo. Bares, padarias, supermercados e comércio popular estavam lotados por eleitores. Quem comemora é Gabriel de Souza, 62 anos, dono de um bar na região. Militante desde os anos 70, "muito antes de Lula", esclarece que sempre apoiou o PT seja nas urnas ou com a dedicada decoração do ambiente.

Bar em Parelheiros com propaganda da campanha da Dilma. Foto: Carolina Garcia/iGGabriel de Souza, de 62 anos, dono do bar Skina do Gabriel, em Parelheiros. Foto: Carolina Garcia/iGEle distribui adesivos da campanha da candidata. Foto: Carolina Garcia/iGCarros e casa com material de campanha da candidata Dilma. Foto: Carolina Garcia/iGManobrista adesiva carro com propaganda do candidato Aécio Neves no Itaim Bibi. Foto: Carolina Garcia/iG - 26.10.14Cartaz e bandeiras pró-Aécio em prédio corporativo na Rua Amauri, no Jardim Europa, bairro nobre de São Paulo. Foto: Carolina Garcia/iG - 26.10.14Carros importados com adesivos pró-Aécio e contra a Dilma na rua Amauri,  do Jardim Europa, bairro nobre de SP. Foto: Carolina Gacia/iG - 26.10.14Carros importados com adesivos pró-Aécio e contra a Dilma na rua Amauri,  do Jardim Europa, bairro nobre de SP. Foto: Carolina Gacia/iG - 26.10.14

Esperançoso, Souza não acredita em pesquisas de intenção de voto que mostraram empate técnico entre Dilma e Aécio. Aposta que o brasileiro vai votar com a razão "sem se influenciar por esse jogo pesado". Ele se orgulha de ter servido em seu balcão figuras políticas como a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (então no PT, hoje no PSB) e o atual ocupante do cargo, Fernando Haddad (PT); o ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante (PT); e o senador Eduardo Suplicy (PT).

Apesar de ser petista de carteirinha, leva na esportiva a provocação de um velho cliente, que colou um adesivo pró-Aécio no peito. "Esse aí é do contra, adora provocar. E eu só acho graça", disse aos risos.

Em bairro nobre, crianças e cachorros são usadas em propaganda pró-Aécio

O mesmo sorriso, no entanto, não é oferecido a estranhos no Jardim Europa. Em carros importados e devidamente adesivados com as frases "Agora é Aécio", "Xô Dilma" e "Fora Dilma e Leve o PT junto", eleitores tucanos transformaram bótons e adesivos do candidato em novos acessórios fashion. É difícil não notá-los. Uma cliente do famoso Forneria San Paolo, por exemplo, usava cinco deles em diferentes partes do corpo. Abordada pela reportagem, no entanto, exclamou: "isso é assunto pessoal".

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Mas o tema eleições não saiu das mesas dos badalados restaurantes da rua Amauri. Até crianças e cachorros foram usados como vitrines de voto. Nas rodas de conversa, regadas a cerveja importada e vinho, Aécio Neves era retratado como o político que dará fim à corrupção no País.

Outra forte diferença entre as duas regiões era distruibuição de material de campanha. Enquanto os santinhos vermelhos só eram vistos colorindo as ruas de Parelheiros, manobristas do Forneria abasteciam clientes com adesivos do tucano para carros. "Doutor, já até coloquei no meu", justifica o funcionário após ser questionado por um cliente do restaurante.

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