As promessas feitas pela presidente na campanha apontam para a continuidade de investimentos e de propostas que já estão em andamento

O Brasil desenhado nesta campanha pela presidente Dilma Rousseff é de mais investimentos nos programas sociais já existentes no governo. Todas as promessas feitas pela presidente estabeleceram novas metas de ampliação para marcas antigas da gestão petista.

Neste contexto, Dilma prometeu ampliar o Bolsa Família, programa de distribuição de renda que se tornou a maior marca deixada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu segundo mandato, o programa tem como meta erradicar a miséria no País.

Com apoio de Lula, Dilma Rousseff faz campanha pela reeleição
Ichiro Guerra/ Dilma 13
Com apoio de Lula, Dilma Rousseff faz campanha pela reeleição

Dilma, entretanto, encerra este segundo turno sem ter criado um novo símbolo sequer. O desejo de mudança captado em pesquisas qualitativas antes da campanha e explorado por todas as candidaturas presidenciais, no caso da campanha petista, ficou restrito aos slogans criados pelo publicitário João Santana e a frases de efeito ditas pela presidente nos palanques, na TV e no rádio.

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No primeiro turno, seu programa de governo levou o título de “Mais Mudanças, Mais Futuro”. No segundo turno, a campanha inaugurou o slogan “Novo Governo, Novas Ideias”. Um sinal das mudanças foi dado quando Dilma confirmou que o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, não conduzirá a economia em seu eventual segundo mandato.

Para tentar superar a contradição entre a continuidade e a mudança, Dilma passou a repetir em muitas de suas falas a ideia de que “só quem mudou até agora tem condições de continuar mudando”, ideia reformulada em seu último programa de TV no qual ela enfatizou: “Não vamos partir do zero, vamos partir de um Brasil mais forte”, disse a presidente.

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Alguns integrantes da campanha admitem que, entre slogans e frases em discursos da presidente, ela conseguiu dar um ar de “mudança” a uma proposta de “continuidade”.

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Saúde – sem filas

Um exemplo da ampliação prometida pela presidente é o caso da área da saúde. Dilma tem dito que deseja ser a presidente que conseguirá “acabar com as filas” nos hospitais públicos com a extensão do programa Mais Médicos, que hoje funciona no atendimento básico, para as consultas ambulatoriais. O programa prometido pela presidente será Mais Médicos Especialidades.

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Se na eleição passada a proposta de Dilma de dar uma gestão eficiente para a saúde esbarrava na questão do financiamento da área, já que a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) havia acabado, hoje, a presidente diz esperar mais recursos vindos dos royalties de petróleo do pré-sal para turbinar investimentos.

Recursos do pré-sal para a educação

A partir de 2017, o governo, segundo a presidente, espera que os recursos provenientes de petróleo comecem a fazer diferença nos investimentos da Saúde e da Educação.

Dilma tem reeditado a promessa implantar educação em tempo integral nas escolas públicas, no ensino fundamental. Além disso, repete que fará mais investimentos no programa de formação profissional Pronatec, cuja meta é matricular 12 mil pessoas a partir de 2015.

Economia sem mudanças extremas

Apesar de anunciar a saída de Mantega, Dilma não tem apontado mudanças radicais na condução da economia e nem assumido que adotará medidas de maior rigor fiscal em seu governo.

Embora o próprio Mantega admita a necessidade da adoção de ações fiscais e sua condução tem sido alvo de críticas por parte do mercado financeiro, a aposta é que medidas que ensejam repercussão social sejam tomadas, mas de forma gradual. O objetivo do governo é diluir o chamado custo social. A presidente tem repetido que compromisso é com a questão da manutenção do emprego.

Investimentos para induzir o crescimento

No programa de governo, Dilma enfatizou que manterá o papel forte do Estado como indutor do crescimento e a ampliará as parcerias com empresas privadas em obras de infraestrutura.

Na largada de seu segundo governo, Dilma pretende colocar em funcionamento o Plano Infraestrutura e Logística (PIL), já lançado antes da disputa e que prevê investimentos em ferrovias, hidrovias, ferrovias e na ampliação de portos.

Qualidade da matriz energética

Dilma terá de enfrentar desafios na área de energia. A presidente tem dito que “vai dar continuidade ao processo de expansão do parque gerador e transmissor” para “garantir a segurança do suprimento e a modicidade tarifária”.

Defensora da qualidade da matriz energética brasileira, Dilma ainda aposta na geração de energia a partir de hidrelétricas e termoelétricas, embora não dispense, em menor escala investimentos em fontes renováveis.

“Essa expansão ocorrerá de forma a manter a qualidade de nossa matriz energética, baseada em hidrelétricas e termoelétricas, fontes renováveis limpas e de baixa emissão de carbono, e complementada por fontes alternativas, como a eólica, a solar e a originária da biomassa. Terá sequência prioritária a ampliação e modernização do parque instalado de transmissão de energia”, informa o programa de governo de Dilma.

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