Dia sem praia faz da orla carioca passarela da polarização Dilma x Aécio

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Com adesivos, bandeiras e camisetas de candidatos, cariocas exemplificaram durante todo o dia a polarização vista no País

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Com o dia nublado e com poucas pessoas na praia, a orla de Ipanema, no Rio de Janeiro, acabou se transformando num grande palco de manifestações de eleitores.

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Reprodução/BBC
Para Ceres Albuquerque, 'Brasil tem 514 anos de história, e durante os últimos 12 tivemos um governo que apostou no social'

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Com adesivos, bandeiras e camisetas dos candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), os cariocas exemplificaram durante todo o dia a polarização vista em todo o País.

Dirigindo-se para as urnas ou voltando para casa depois de votar, muitos andavam de bicicleta totalmente paramentados com material de divulgação de seu candidato, ou ao menos com adesivos colados no peito.

A reportagem não presenciou nenhum conflito, mas alguns receberam aplausos ou olhares de reprovação dos outros eleitores enquanto falavam com a BBC Brasil.

Para a médica Ceres Albuquerque, de 57 anos, o país experimentou avanços sociais em diversas áreas, sobretudo saúde e educação, e por isso Dilma deveria ser reeleita.

"O Brasil tem 514 anos de história, e durante os últimos 12 tivemos um governo que apostou no social. Houve uma série de melhorias, e precisamos continuar nesta direção", disse.

Quanto à reta final da campanha, classificou as trocas de acusações e o clima que tomou o país como uma "grande baixaria".

Já na visão da aposentada Angela Arantes, de 65 anos, é preciso mudar.

Jefferson Puff/BBCBrasil
'Voto no Aécio por conta dos problemas que vejo no governo atual', diz Angela Arantes

"Eu voto no Aécio por conta dos problemas que vejo no governo atual. É muita corrupção, muita coisa errada. Também me preocupa essa vontade do PT de ficar no poder para sempre. Se Dilma ganhar, depois pode entrar Lula, assim como ocorre em outros países da América Latina. Precisamos mudar", avalia.

Petistas

Para a família do escritor Marco Simas, de 59 anos, e da médica Gisela Del Cueto, de 53 anos, não resta dúvidas: todos votarão em Dilma Rousseff.

"Temos parentes em Belo Horizonte, que votarão em Aécio. E quando conversava com eles ao telefone, costumava dizer que vamos votar em Dilma porque somos humanistas e não egoístas. Meu voto é muito mais contra o PSDB do que a favor do PT", diz Marco.

Já na visão de Gisela, os programas sociais fizeram a diferença. "Creio que o caminho a seguir é este que o governo atual vem trilhando, de projetos e melhorias no social. Quanto à campanha, gostaria de ter visto mais propostas e menos ataques devido a escândalos de corrupção, como se a corrupção tivesse sido inventada por um partido", conta.

A filha do casal, Natalia Simas, de 18 anos, também vota em Dilma. "Sou aluna de escola pública, e minha maior preocupação é com as privatizações. Quero que continuem os investimentos em escolas e universidades públicas", diz.

Jefferson Puff/BBC Brasil
'Meu voto é muito mais contra o PSDB do que a favor do PT', diz Marco Simas, com a família

O zelador Luiz Antonio Mineiro da Costa, de 56 anos, andava de bicicleta com uma bandeira de Dilma. Questionado pela BBC Brasil, disse que não estava trabalhando como cabo eleitoral, e que tinha vindo da Tijuca por "livre e espontânea vontade", para apoiar sua candidata.

Tucanos

Do outro lado do espectro, muitos eleitores tucanos também circulavam pela orla com seus adesivos, e muitos vestiam camisas da seleção brasileira ou trajes nas cores verde e amarelo.

O administrador Mauro Saldanha, de 43 anos, disse que a permanência do PT no poder por 12 anos é preocupante.

"Isso não é saudável para a democracia. Eles (PT) precisam ser oposição, e dar lugar ao novo. Voto no Aécio também pelas mudanças que gostaria de ver em setores como saúde e segurança pública", disse.

O casal Rosalice e Roberto Bergara, de 61 e 78 anos, respectivamente, também votaram no candidato do PSDB. Para a psicóloga mineira, a esperança é de que Aécio "trate melhor os direitos dos aposentados".

Já na visão do aposentado uruguaio naturalizado brasileiro é preciso mudar. "O principal problema é a corrupção e essa permanência tão longa no poder", disse. "Ainda bem que no Uruguai não há reeleição", acrescentou, se referindo ao primeiro turno das eleições que também ocorreram neste domingo no país.

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