Brasileiros vão às urnas em eleição disputada voto a voto

Por BBC | - Atualizada às

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Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) passaram a maior parte da disputa empatados tecnicamente

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Montagem
Dilma Rousseff e Aécio Neves disputam o segundo turno das eleições presidenciais

Brasileiros vão às urnas neste domingo na mais acirrada eleição presidencial em 25 anos, numa disputa que polarizou o eleitorado e onde não é possível apontar um favorito definido.

De um lado, a presidente Dilma Rousseff (PT), 66, defende os 12 anos de administração petista e se apoia em desemprego baixo e programas sociais que beneficiaram milhões de brasileiros na última década.

Do outro, Aécio Neves (PSDB), 54, aposta no desgaste do governo petista, denúncias de corrupção e na economia estagnada para derrotar a presidente, baseando-se num programa bem visto por empresários, avessos ao que veem como excesso de intervencionismo do governo.

De acordo com Márcia Cavallari, diretora do Ibope Inteligência, eleitores têm expressado desejo de mudança, mas querem manter os avanços sociais e econômicos conquistados nos últimos anos.

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A presidente e candidata à releição Dilma Rousseff (PT) fez campanha no centro de São Paulo, com o ex-presidente Lula . Foto: DivulgaçãoO candidato da PSDB à Presidência, Aécio Neves, fez caminhada, nesta sexta-feira (03, na região da Pedreira Prado Lopes, em Belo Horizonte (MG). Foto: DivulgaçãoMarina Silva faz passeio em carro aberto nesta sexta-feira (03), na Praça Sáenz Peña, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro . Foto: Ale Silva/Futura PressNa agenda de campanha de Dilma, o ex- presidente Lula tirou fotos com eleitores . Foto: DivulgaçãoO candidata à reeleição ao Senado por São Paulo,  Eduardo Suplicy (PT), acompanhou a candidata petista . Foto: DivulgaçãoA carreata de Dilma  atravessou a rua Barão de Itapetininga, entre as praças Ramos de Azevedo e República. Foto: DivulgaçãoNa carreata, Marina se mostrou confiante em conquistar uma vaga no segundo turno . Foto: Ale Silva/Futura PressAécio estava acompanhado pelo candidato ao governo de Minas Gerais Pimenta da Veiga e Antonio Anastasia, que concorre ao Senado. Foto: DivulgaçãoO tucano aposta que vai disputar o segundo turno da corrida presidencial  com a adversária Dilma . Foto: DivulgaçãoAs últimas pesquisas Ibope e Datafolha, apontam um disputa acirrada entre Marina e Aécio pela vaga no segundo turno . Foto: Divulgação

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"A gente passou por mobilidade econômica, não social. Esse desejo de mudança permeia esse avanço na área da saúde, educação, segurança pública. É onde o eleitor quer mudança, sem perder conquistas econômicas", disse.

Dilma e Aécio passaram a maior parte da disputa empatados tecnicamente e pesquisas divulgadas no sábado não apontaram um claro favorito.

Pelo Ibope, Dilma tem 53% dos votos válidos - quando são excluídos votos brancos e nulos e eleitores indecisos - e Aécio tem 47%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

O Datafolha mostrou Dilma com 52% dos votos válidos e Aécio com 48%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, ambos estão tecnicamente empatados.

Parte dos levantamentos foi realizada na sexta-feira e pode não ter medido o impacto do debate da TV Globo, considerado o mais importante da campanha, nem as últimas denúncias de corrupção na Petrobras.

Foi um outubro longo, de acusações mútuas e uma disputa que polarizou o eleitorado.

Só em debates, Dilma e Aécio se enfrentaram quatro vezes em duas semanas. Ela acusou-o de nepotismo e irregularidades na construção de um aeroporto em terras de familiares, e lembrou o fato de ele ter se recusado a fazer o teste do bafômetro em uma blitz da Lei Seca.

Já ele amparou-se no fraco desempenho econômico, denúncias de corrupção na Petrobras e lançou suspeitas sobre a contratação do irmão da presidente como funcionário da prefeitura de Belo Horizonte.

"Não é uma impressão, a polarização é maior. (Mas) toda eleição tem o dia seguinte. E o presidente tem de governar para o país inteiro e construir uma unidade nacional", disse o professor Carlos Mello, do Insper.

"Não vai ser um mandato de pouco trabalho".

Fla x Flu político

Esta será uma disputa para ser lembrada – foi a mais acirrada dos últimos 25 anos.

Dilma iniciou a corrida com uma reeleição tida como fácil. Aécio, então em segundo, não aparentava ser uma grande ameaça. Mas o acidente aéreo que matou Eduardo Campos (PSB) em agosto mudou a disputa.

Marina Silva, então vice do socialista, entrou na campanha e, numa ascensão meteórica, chegou a liderar as pesquisas. Mas viu seu apoio minguar ao ser alvo dos rivais, que apontaram supostas inconsistências em seus discursos e lançaram dúvidas sobre como seria sua eventual Presidência.

A candidata acabou, assim, fora do segundo turno.

Já Aécio, que chegou a ser considerado fora do jogo, protagonizou uma recuperação inédita na véspera do primeiro turno, chegou à segunda fase e esteve numericamente à frente de Dilma nas pesquisas iniciais – fato jamais visto em disputas presidenciais de segundo turno.

Marina anunciou seu apoio ao tucano, mas a posição aparentemente pouco mudou a disputa.

O favoritismo de Aécio desidratou na reta final, e pesquisas mostraram recuperação da presidente e aumento da rejeição ao tucano. Nos levantamentos publicados na véspera da eleição, no entanto, a disputa parece ter voltado a um equilíbrio.

"O principal dos problemas do Aécio é com o medo (do eleitorado) de perder o que foi conquistado nos últimos anos", disse Mello, do Insper.

"(O PT) foi eficaz em rotular um hipotético governo do PSDB como recessivo e da elite".

A disputa tomou ares de 'Fla x Flu' político. Na internet, partidários se acusavam mutuamente. Nas ruas, as divisões ficaram nítidas em comícios e passeatas. Jornais apócrifos se espalharam e mensagens distribuídas por celulares jogavam com temores do eleitor.

As agressões, em alguns casos, foram físicas.

"(Há uma) divisão grande do país", disse Cavallari, do Ibope.

"Eleição de segundo turno é sempre plebiscitária, é a favor ou contra o governante... As pessoas já experimentaram o governo Dilma, viram estagnação na economia. O eleitorado quer mais".

E agora?

Dilma procurou afastar-se dos casos de corrupção e culpou a crise global pelo momento econômico ruim do Brasil.

Já Aécio tentou se descolar das lembranças de algumas políticas impopulares do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a imagem do partido de elitista.

"Foi uma campanha dura. (Mas) a diferença das políticas não é tão grande. Eles têm muitos pontos em comum", disse Anthony Pereira, diretor do Instituto Brasil da King’s College em Londres.

"Há uma luta pela identidade social. Quem tem o direito de falar pelo Brasil. Quem tem mais credibilidade. E quais são as origens deles".

Além das questões econômicas que dominaram o debate, o próximo presidente enfrentará um Congresso fragmentado, que exigirá maiores manobras políticas e que pode ser um empecilho para implementação de reformas complicadas em um país, aparentemente, mais dividido.

"Não permitir que o clima eleitoral sobreviva à eleição: esse é um desafio importante", disse Mello, do Insper.

Os resultados começam a ser divulgados às 20h no horário de Brasília.

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