Senador foi alçado à vice na chapa pura tucana para atrair o apoio paulista e responder a ataques do campo adversário

Vice de Aécio Neves (PSDB) na sucessão presidencial, o senador Aloysio Nunes Ferreira Filho foi alçado à chapa pura tucana com duas missões fundamentais: atrair o apoio do tucanato paulista ao senador mineiro Aécio Neves na corrida presidencial e, ao mesmo tempo, responder aos ataques dos adversários à postulação tucana.

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Agência Brasil
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Quanto ao engajamento paulista à campanha de Aécio, a estratégia parece ter dado resultado quando é considerado o resultado do primeiro turno em São Paulo na disputa em relação a Dilma Rousseff (PT). No estado, o tucano teve 44,2% dos votos ante 25,8% da petista.

Veja imagens da campanha presidencial no 2º turno:


O senador é conhecido por não levar desaforo pra casa. Durante o debate do primeiro turno na TV Record, quando a imprensa informava o ex-governador José Serra (PSDB) sobre o "desafio do balde" feito pelo adversário na disputa ao Senado, Eduardo Suplicy (PT), Aloysio entrou na conversa e disparou que o petista deveria ter apoiado a proposta que elevava a verba da saúde em 10% do PIB em vez de “fazer desafios”. Espantado, Serra comentou: “Foi o Aloysio que disse, hein?!”

Outros dois exemplos evidenciam o perfil explosivo do senador paulista: Aloysio Nunes já invadiu o estúdio de uma emissora de rádio na região central de São Paulo, ainda de pijamas, para desmentir uma notícia que envolvia seu nome.

Recentemente, questionado por um blogueiro sobre seu suposto envolvimento nas denúncias de fraude no transporte sobre trilhos em São Paulo, o tucano disparou palavrões contra seu algoz, que acabou preso pela Polícia do Senado, local onde ocorreu a tumultuada entrevista. Mesma atitude verificou-se em ato de inauguração de um dos trechos do Rodoanel Mario Covas. Aloysio disparou palavrões contra professores que se misturaram à plateia e ergueram faixas pedindo reajuste salarial.

Biografia e trajetória política

Nascido em 5 de abril de 1945, em São José do Rio Preto (SP), o tucano é filho de Nice Beolchi e do também político Aloysio Nunes Ferreira, que faleceu em março de 2003. O senador tem formação em Direito e Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP). Na mesma universidade, por dois anos, foi professor de Ciência do Direito.

Com o golpe militar de 1964, Nunes Ferreira chegou a incorporar as fileiras da luta armada até se exilar na França entre 1968 e 1979. Em solo francês, o senador paulista fez bacharelado em Economia Política e mestrado em Ciência Política pela Universidade de Paris, assumindo depois a cadeira de professor de Língua Portuguesa. De 1969 a 1973, dirigiu o Instituto de Pesquisa e Formação em Economia do Desenvolvimento.

De volta ao Brasil, foi eleito deputado estadual pelo PMDB em duas oportunidades: entre 1983 a 1987, quando foi líder do governo Franco Montoro na Assembleia Legislativa, e entre 1987 a 1991. Ainda pelo PMDB cumpriu um terceiro mandato no Legislativo paulista entre 1995 a 1999. Pelo PSDB, foram dois mandatos na Assembleia paulista: de 1999 a 2003 e de 2003 a 2007.

Aloysio Nunes Ferreira foi vice-governador paulista entre 1991 e 1994 e também titular da Secretaria de Transportes Metropolitanos (1991/1992 e 1993). Com a eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência, o vice de Aécio foi chamado para assumir a Secretaria Geral da Presidência da República, cargo que ocupou entre 1999 e 2001. A seguir, migrou para o Ministério da Justiça entre 2001 e 2002.

Com a eleição de José Serra para a Prefeitura de São Paulo, Aloysio juntou-se ao aliado ocupando a Secretaria de Governo entre 2005 e 2006. Com Serra eleito governador do estado em 2008, Aloysio Nunes o acompanhou sendo Chefe da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo até abril de 2010. No mesmo ano foi eleito senador com 11,1 milhões de votos, a maior votação do País. Em 2013, assumiu a liderança do PSDB na Casa.

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