Tucano deve promover mudanças ainda em mobilidade, transporte e segurança pública

A área econômica deve receber uma atenção especial, e imediata, no caso de Aécio Neves vencer a disputa com Dilma Rousseff neste domingo (26). O combate à inflação – hoje acima do teto da meta – e a elevação do superávit primário (a economia feita para pagar juros) devem ser feitos de forma mais incisiva do que ocorreria com um governo do PT.

Para especialistas, Aécio deve mudar a direção das políticas econômica e internacional
Bruno Magalhães/Coligação Muda Brasil
Para especialistas, Aécio deve mudar a direção das políticas econômica e internacional

"Eu esperaria um ajuste um pouco mais forte do que faria um governo Dilma. Geração de superávit primário fiscal da ordem de pelo menos 3% [ante 1,9%] no próximo ano e elevação da taxa de juros, a la [Antonio] Palocci em 2003 [que manteve a tendência de elevação da Selic, a taxa básica da economia]", diz Luiz Fernando de Paula, professor titular da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e ex-presidente da Associação Keynesiana Brasileira.

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Pesquiador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Armando Castelar espera uma postura menos intervencionista do Estado na economia, e maior transparência nas contas públicas. Em conjunto com inflação menor, isso garantiria um retorno da confiança do empresariado, o que gera mais investimentos e, consequentemente, empregos.

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"Hoje em dia há um clima de falta de transparência fiscal, inflação elevada, muita intervenção do Estado na economia. E você vê isso numa queda muito forte na confiança das empresas, que está no nível mais baixo desde a quebra do Lehman Brothers [banco norte-americano] em 2008 [no auge da crise de 2008]", diz o pesquisador do Ibre.

A concessão de empréstimos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômio e Social (BNDES) deverá ser feita com mais rigor, aposta Luiz Fernando de Paula, e transparência, prevê Castelar.

"Evidentemente, haverá uma redução do papel do BNDES no financiamento de longo prazo. A aposta é no sentido de diminuir o papel do BNDES com a suposição de que isso abrirá espaço para os bancos privados", diz o professor da UERJ.

"Hoje em dia você tem muito dinheiro público indo para empresas grandes que ninguém sabe quem são, para que é, para onde esse dinheiro está indo", afirma Castelar.

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Política externa

Um eventual governo Aécio deverá dar mais peso à dimensão comercial e menos à política nas relações internacionais, avalia Leonardo Paz, Coordenador de Estudos e Debates do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), que neste mês promoveu um debate entre Rubens Barbosa – próximo ao tucano – e Marco Aurélio Garcia, assessor de Dilma para a assuntos internacioais.

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"O viés econômico e comecial me parece que vai nortear boa parte da nossa política externa. Ele [Barbosa, cotado para chanceler] vai querer incluir a ideia de promoção comercial dentro do conceito da cooperação internacional brasileira, o que não é errado mas é diferente do que tem sido feito", afirma Paz. "Esse viés comercial vai ser uma das grandes marcas do governo Aécio, que reduz em teoria o perfil político do Brasil."

No Mercosul, a chancelaria deve tentar modificar a cláusula que obriga os cinco países a negociarem acordos comerciais em conjunto, prevê o cientista político do Cebri. Estados Unidos e Europa também devem ganhar mais centralidade na agenda. A relação com a China, entretanto, não deve ser alterada.

Paz também prevê uma postura mais "vocal" do Brasil em criticar violações a princípios defendidos pelo País em nações como Cuba e Venezuela, com as quais o governo petista estreitou laços e com as quais evitou rusgas.

"Um governo Aécio vai não necessariamente romper com alguns dos recém parceiros do governo Dilma como Cuba e Venezuela. Mas será mais vocal quando houver esse tipo de violoação de princípios que o País advoga, como direitos humanos."

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