Quais os projetos econômicos que se enfrentam nas urnas?

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Candidatos dos dois lados defendem frequentemente políticas semelhantes, com inflação controlada e mais gastos sociais

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No discurso petista, o atual projeto econômico tucano é neoliberal: prevê um Estado mínimo, o combate à inflação com políticas que geram desemprego, cortes nos gastos sociais e uma abertura econômica radical.

AFP
Populista ou neoliberal? É isso mesmo?

No discurso tucano, o projeto econômico petista é populista e resgata o velho desenvolvimentismo: prevê um Estado inflado e centralizador, leniente com a inflação e protecionista.

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No palanque, porém, assessores e candidatos dos dois lados não raro defendem políticas semelhantes.

Prometem ser duros contra a alta de preços, fazer um ajuste econômico gradual, ampliar os gastos em programas e áreas sociais, promover investimentos em infraestrutura por meio de parcerias público-privadas e por aí vai.

"É claro que na prática, governos dos dois partidos podem ter resultados muito diferentes, em função da capacidade técnica e administrativa de cada equipe. E não há como negar a existência de diferenças importantes entre seus projetos econômicos", disse Peter Hakim, consultor do Inter-American Dialogue.

"Mas por outro lado, também há muitas semelhanças entre os dois projetos - é difícil pensar que estamos diante de modelos opostos, como ocorre nos EUA, onde há defensores de um Estado mínimo. De certa forma, PT e PSDB são partidos que, na Europa, provavelmente seriam aliados".

Então quais são, afinal, as diferenças e semelhanças fundamentais entre os projetos econômicos de Dilma Rousseff, do PT, e Aécio Neves, do PSDB? Ou quais as duas propostas econômicas que devem se enfrentar nas urnas neste domingo?

Aécio aparece na janela da casa da família em São João Del Rei com a mulher Letícia, os gêmeos Julia e Bernardo e a mãe Inês (25/10). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilAécio visita o túmulo de seu avô, o presidente Tancredo Neves, e de sua avó Risoleta Neves, na Igreja de São Francisco de Assis, em São João Del Rei (25/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilNo último dia de campanha das eleições 2014, Aécio Neves faz uma caminhada em São João Del Rei (25/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilDilma encerra a campanha nas eleições 2014 em Porto Alegre (25/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma faz campanha ao lado de Tarso Genro, que concorre ao governo do Rio Grande do Sul, na véspera das eleições (25/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Aécio e Dilma posam juntos pouco antes do debate da TV Globo (24/10). Foto: ReutersDilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) participaram na noite desta sexta-feira (24) de um debate presidencial na Rede Globo. Foto: Reuters/Ricardo MoraesAo lado da filha Gabriela, Aécio Neves (PSDB) concede entrevista coletiva no Rio de Janeiro (23/10). Foto: Divulgação/PSDBDilma Rousseff sorri durante entrevista coletiva no Rio de Janeiro (23/10). Foto: Ichiro Guerra/Dilma 13Aécio se enrola em bandeira do Brasil em comício na praça da Estação, em Belo Horizonte, Minas Gerais (22/10). Foto: Bruno Magalhães/Coligação Muda BrasilDupla Cesar Menotti e Fabiano sobe no palanque ao lado de Aécio Neves em ato na praça da Estação, em Belo Horizonte, Minas Gerais (22/10). Foto: Bruno Magalhães/Coligação Muda BrasilCom uma faixa com os dizeres 'Diga não a violência contra a mulher', Dilma participa de caminhada em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro (22/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Ao lado de Fernando Pimentel, governador eleito em Minas, e políticos do PT, Dilma faz campanha em Uberaba (22/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Aécio Neves faz campanha em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e reúne eleitores nesta terça-feira (21/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilLula também acompanha Dilma Rousseff em carreata no Recife (21/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Ao lado de Lula, Dilma visita fábrica em Goiana, em Pernambuco (21/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff manda coraçãozinho para eleitores em comício em Petrolina, em Pernambuco (21/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff recebe apoio de artistas e jovens em ato político em São Paulo (20/10). Foto: Divulgação/PTDilma Rousseff recebe apoio do ator Henri Castelli em ato político em São Paulo (20/10). Foto: Divulgação/PTAo lado da cantora Fafá de Belém e do ex-jogador Ronaldo, Aécio faz ato de campanha em Belém do Pará (20/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio visita o Santuário Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG) (20/10). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilCandidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves a postos para o debate da Rede Record na noite deste domingo (19/10). Foto: Nacho Doce/ ReutersReação de Aécio Neves durante terceiro debate entre os candidatos à Presidência no segundo turno das eleições (19/10). Foto: Andre Penner/APReação de Dilma Rousseff durante o terceiro debate do segundo turno das eleições presidenciais (19/10). Foto: Andre Penner/APAécio Neves faz caminhada e carreata por Copacabana, no Rio de Janeiro, neste domingo (19/10). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilAo lado da mulher Letícia, Aécio neves faz carreata em Copacabana, no Rio de Janeiro, e distribui autógrafos (19/10). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilEleitores tentam se aproximar de Dilma em ato de campanha em Curitiba, no Paraná (17/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma cumprimenta eleitores em agenda de campanha em Florianópolis (17/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Em agenda de campanha em Florianópolis, Dilma Rousseff (PT) voltou a atacar o adversário Aécio e seu partido, o PSDB (17/10). Foto: ReutersAécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) participam do segundo debate presidencial do segundo turno, realizado pelo SBT na noite desta quinta-feira (16/10). Foto: ReproduçãoAécio neves durante intervalo do debate no SBT, o segundo do segundo turno das eleições (16/10). Foto: AP Photo/Andre PennerAssessores e profissionais arrumam Dilma durante intervalo de debate no SBT (16/10). Foto: AP Photo/Andre PennerAécio atende jornalistas em São Paulo (16/10). Foto: Vitor Sorano/iGAécio faz ato político em São Paulo e assina Termo de Compromisso do Projeto Presidente Amigo da Criança (15/10). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilDilma participa de ato de apoio aos professores em São Paulo (15/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma e Aécio durante o primeiro debate do segundo turno das eleições, na Band (14/10) . Foto: ReutersDilma dá entrevista coletiva em São Paulo antes do primeiro debate na TV no segundo turno das eleições (14/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Aécio Neves também atende à imprensa antes de debate em São Paulo (14/10). Foto: Marcos Fernandes/ Coligação Muda BrasilAécio Neves durante ato político em Curitiba, no Paraná (13/10). Foto: Igo Estrela/PSDB - 13.10.2014Dilma faz ato de apoio a sua candidatura em Brasília (13/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Também em Brasília, Dilma Rousseff recebe Roberto Amaral, líder do PSB (13/10). Foto: Ichiro Guerra/Dilma 13No dia das crianças, Dilma visita Centro Educacional Unificado (CEU) Jambeiro, em Guaianases, São Paulo, e assiste à apresentação de ginástica (12/11). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Fernando Pimentel, governador eleito em Minas, faz carreata com Dilma Rousseff em Contagem e ataca de fotógrafo (11/10). Foto: Ichiro Guerra/PTEleitores se apertam para chegar perto de 
Dilma Rousseff depois de caminhada e carreata na cidade mineira de Contagem (11/10). Foto: Ichiro Guerra/PTMarcelo Crivella, que concorre ao segundo turno do governo do Rio de Janeiro contra Pezão, faz campanha por Dilma em São João de Meriti (10/10). Foto: Edvaldo Reis/Crivella 10Dilma participa de ato de mobilização com prefeitos e representantes dos movimentos sociais em Alagoas (9/10). Foto: Ichiro Guerra/PTDilma em campanha na zona sul de SP. Foto: Fotos PúblicasAécio faz carreata ao lado de políticos em Sirinhaém, em Pernambuco (11/10). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilAécio assiste à missa na Basílica de Nossa Senhora Aparecida com a esposa Letícia, Geraldo Alckmin e a esposa do governador, Lu Alckmin (12/10). Foto: Marcos Fernandes/Colig. Muda BrasilAo lado da filha Gabriela, Aécio visita Renata Campos e a família de Eduardo Campos no Recife (11/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilFilho de Eduardo Campos discursa ao lado de Aécio Neves no Recife. PSB e família Campos apoiam tucano no segundo turno das eleições (11/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio recebeu apoio formal do PSB de Pernambuco e de família de Eduardo Campos. Foto: DivugaçãoMais de 10 mil pessoas lotaram a Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, para manifestação em apoio à candidatura de Aécio Neves (11/10). Foto: Bruno Magalhães/Coligação Muda BrasilAécio Neves se reúne com Armínio Fraga no Rio de Janeiro. Se eleito, tucano já disse que ex-presidente do Banco Central será ministro da Fazenda (10/10). Foto: Marcos Fernandes/Colig. Muda BrasilAécio Neves durante a primeira inserção de TV do segundo turno (9/10). Foto: ReproduçãoAécio Neves participa de entrevista coletiva depois de dia de compromissos no Rio de Janeiro (9/10). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilDilma Rousseff abriu o horário eleitoral na televisão no segundo turno das eleições (9/10). Foto: ReproduçãoDilma Rousseff (PT) participa de encontro com apoiadores no Museu du Ritmo em Salvador nesta quinta-feira (9/10). Foto: Divulgação/PTDilma Rousseff (PT) posa junto com eleitora em evento de campanha em Teresina, no Piauí (8/10) . Foto: Dilvulgação/PTCorreligionários do PT participaram de evento com Dilma Rousseff no Piauí (8/10). Foto: Divulgação/PTPresidente Dilma cumprimenta eleitores em ato político com lideranças e prefeitos em Teresina (PI) (8/10). Foto: Divulgação/PTAécio Neves(PSDB) recebe apoio dos dirigente do PSB, partido de Marina Silva (8/10). Foto: Divulgação/PSDBAécio Neves (PSDB) relança sua campanha à Presidência da República no Memorial JK em Brasília (08/10). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaPastor Everaldo declara apoio ao tucano no segundo turno (8/10). Foto: PSDB/ DIVULGACAO - 8.10.14A presidente Dilma Rousseff se reuniu nesta terça-feira com senadores e governadores eleitos da base aliada (7/10) . Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaDilma Rousseff (PT) em reunião de mobilização  para a campanha de segundo turno  (7/10). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaDilma Rousseff (PT) participa de reunião de mobilização em Brasília, nesta terça-feira (7/10). Foto: Divulgação/PTAécio Neves participa de encontro com trabalhadores da construção civil na manhã desta terça-feira, em São Paulo (7/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilGeraldo Alckmin, governador reeleito no primeiro turno em São Paulo, participa de dia de campanha de Aécio Neves na capital paulista (7/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio Neves faz campanha para o segundo turno e visita obras na Chácara Santo Antônio, em São Paulo, ao lado de José Serra, eleito senador, e José Aníbal (7/10). Foto: Vitor Sorano/iGAécio Neves (PSDB) cumprimenta Geraldo Alckmin, governador reeleito de São Paulo, em coletiva de imprensa na capital paulista (6/10) . Foto: Divulgação/PSDBUm dia depois das eleições, Dilma Rousseff, que disputa o segundo turno com Aécio Neves, recebe jornalistas em Brasília (6/10). Foto: Cadu Gomes/ Dilma 13Dilma chega para coletiva de imprensa depois do resultado do primeiro turno das eleições ao lado de Michel Temmer, vice em sua chapa para a Presidência (5/10). Foto: Agência BrasilPresidente e candidata Dilma Rousseff fala com a imprensa após apuração de votos que a levou para o segundo turno com Aécio Neves. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaAécio Neves (PSDB) comemora chegada ao segundo turno das eleições presidenciais em Belo Horizonte neste domingo (05). Foto: Divulgação/PSDBAo lado da esposa Letícia e de partidários, Aécio Neves participa de coletiva depois de chegar ao segundo turno das eleições presidenciais (5/10). Foto: Agência BrasilAécio Neves, candidato à Presidência pelo PSDB, em votação em Belo Horizonte (5/10). Foto: Agência BrasilDilma volta para Brasília depois de votar em Porto Alegre (5/10). Foto: Paulo Whitaker/ReutersDilma Rousseff, presidente e candidata à reeleição pelo PT, vota na manhã deste domingo em Porto Alegre. Ela foi a primeira presidenciável a votar (5/10). Foto: Felipe Dana/AP

A lista abaixo, feita com base nos discursos dos candidatos, programas de governo e avaliações de analistas, é uma tentativa de elucidar essas questões.

Papel e tamanho do Estado

No terreno das diferenças, há certo consenso de que Dilma daria ao Estado um papel um pouco maior na condução da economia do que Aécio, como destacam André Biancarelli, da Unicamp, e Lourdes Sola, da USP. E o candidato do PSDB seria menos desconfiado dos "mercados" e do setor privado.

Mas assessores de Dilma também dizem que, em um eventual segundo mandato, ela deverá ensaiar uma aproximação ao empresariado, além de tentar corrigir erros que teriam atrasado ou prejudicado parcerias e concessões na área de infraestrutura.

A respeito do tamanho do Estado, Aécio propõe a redução do número de ministérios pela metade e se comprometeu a enxugar gastos desnecessários e a não aumentar a carga tributária. Mas, como Dilma, ele promete manter e expandir os gastos em áreas e programas sociais.

A presidente, por sua vez, não acha que o número de ministérios esteja inflado, mas admite que a partir de agora a política fiscal do governo pode ser um pouco menos expansionista.

Nos últimos anos, os gastos do governo se ampliaram como parte de uma política anticíclica que visava, segundo Dilma, diminuir os efeitos da crise internacional no país. Para o PSDB, tal expansão ajudou a impulsionar a inflação.

Política industrial

A indústria brasileira vem perdendo competitividade nos últimos anos e desacelerou de maneira brusca. Mas os dois candidatos parecem ter concepções distintas sobre como enfrentar essa crise.

Indústria automotiva foi uma das mais beneficiadas por incentivos do governo federal sob Dilma

Dilma se mostra a favor de uma política setorial, em que o governo escolhe alguns setores para incentivar por meio de desonerações e crédito subsidiado.

Já Aécio seria a favor de políticas horizontais, que melhorariam as condições de operações de todas as empresas - como uma reforma tributária e a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), consolidando diversos tributos, como ICMS, IPI, PIS e Cofins.

Hakim, do Inter-American Dialogue, diz que Aécio também parece menos inclinado a diferenciar entre empresas nacionais e estrangeiras - rejeitando, por exemplo, a imposição de regras de conteúdo nacional e a preferência dada a produtos nacionais em compras governamentais.

Abertura econômica

O ex-presidente do BC Armínio Fraga, escolhido pelo candidato tucano para ser seu ministro da Fazenda, fala em fazer uma "abertura gradual" e diz que isso ajudará a aumentar a competitividade das empresas nacionais.

"Está muito claro que a economia fechada, mesmo com todos os subsídios e desonerações, não está dando certo para a indústria", disse ao jornal O Estado de S. Paulo.

No passado, o ministro da Fazenda de Dilma, Guido Mantega, se declarou contra uma nova rodada de abertura da economia.

"Se abrirem a economia não sobra um tijolinho da nossa indústria", afirmou ao jornal Valor Econômico. Mantega não ficará no cargo se Dilma vencer, mas não há indícios de uma mudança no posicionamento da atual gestão sobre o tema.

Investimentos sociais

Tanto Dilma quanto Aécio prometem aumentar os investimentos em saúde e educação e expandir programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida.

No caso do Bolsa Família, ainda há uma disputa por sua paternidade - Aécio diz que ele surgiu a partir do Bolsa Escola, da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Já Dilma ressalta que o programa só atingiu uma dimensão expressiva nos governos do PT, quando foi expandido para 14 milhões de famílias.

O tucano chega a prometer uma lei para fazer do Bolsa Família uma política de Estado e evitar seu uso eleitoral.

Já Dilma promete expandir o acesso de seus beneficiários ao Programa Nacional de Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e ao programa de microcrédito.

Ambos os candidatos prometem manter e ampliar programas sociais, como o Bolsa Família, que atende Claudia (centro), moradora do Complexo da Maré, no Rio

Para Biancarelli, na prática, o PT é o partido que mais tem se empenhado em avançar no combate à pobreza – e, por isso, de fato, o partido tenderia a dar mais ênfase para áreas sociais.

Já Samuel Pessoa, economista da FGV próximo ao PSDB, diz que essa é uma agenda da sociedade brasileira, que independe dos partidos.

"Desde a constituição de 1988, há um entendimento de que se deve implementar no Brasil um Estado de bem-estar social do padrão da Europa Continental. Por isso os gastos sociais têm crescido continuamente", diz.

Inflação

Armínio Fraga defende que é possível em alguns anos se chegar a uma meta inflacionária de 3%, com margem de um ponto percentual para cima e para baixo. A atual meta é de 4,5%, com dois pontos de tolerância.

A campanha de Aécio, porém, não diz quais serão os instrumentos para conter a alta de preços – e o PT vem acusando o ex-presidente do BC de querer subir os juros e gerar desemprego.

Dilma não admite qualquer problema com a inflação, apesar de ela estar no topo da meta do BC, e atribui as pressões inflacionárias à alta de alguns alimentos e da energia em função da seca.

Não há planos para mudar as metas de inflação, mas Dilma já anunciou que Mantega não estará no próximo governo. Em tese, ela poderia indicar alguém que apoiasse políticas mais rígidas.

Bancos públicos

A visão do PT é de que os bancos públicos tiveram um papel crucial nas políticas expansionistas para evitar um impacto maior da crise internacional no Brasil. Ao promover uma expansão do crédito, eles teriam ajudado a manter a demanda interna e a proteger o emprego.

Dilma também defende que os governos petistas profissionalizaram os bancos públicos enquanto Aécio acusa a atual gestão de ter "aparelhado" essas instituições.

Fraga declarou não entender a lógica dos empréstimos com crédito subsidiado feitos pelo BNDES a grandes empresas que poderiam se financiar no mercado.

Em entrevista recente ao jornal Valor Econômico o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, defendeu essas operações.

Ajuste

Aécio promete uma volta ao cumprimento rígido do chamado "tripé", a política que combina metas fiscais, metas de inflação e câmbio flutuante. Mas segundo Fraga, o ajuste será "gradual".

No governo Dilma, anunciou-se a transição para a "nova matriz econômica", que combinaria juros baixos, taxa de câmbio "competitiva" e uma "consolidação fiscal amigável ao investimento e ao crescimento", nas palavras do secretário da Fazenda, Márcio Holland.

O BC passou a fazer intervenções no câmbio, a inflação ficou próxima do teto da meta e analistas começaram a denunciar que o governo estaria lançando mão de manobras contábeis para alcançar as metas fiscais.

O governo, porém, tem negado que o "tripé" tenha sido "substituído". Diz que a inflação está dentro do limite e que a meta de superávit primário, de 1,9% do PIB, ainda pode ser alcançada. Também não admite as manobras fiscais e acusa a oposição de querer fazer um ajuste recessivo, que geraria desemprego.

Há indicações, porém, que a política fiscal em um eventual segundo governo Dilma poderia ser mais retraída.

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