Corrupção, falta de água em SP e fator previdenciário foram alguns dos temas explorados no debate da TV Globo

O debate da TV Globo, último confronto entre os presidenciáveis até o segundo turno da eleição no próximo domingo (26), foi marcado pela ofensiva do tucano Aécio Neves (PSDB) em tentar associar a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) às denúncias de corrupção (Petrobrás e mensalão). A petista, no entanto, se amparou em cobranças e ironias para enfrentar o tucano.

Aécio abriu o debate disparando sobre a reportagem de capa da revista Veja, que afirmava que tanto Dilma quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva supostamente sabiam dos desvios na Petrobras. A publicação citava depoimento do doleiro Alberto Yousseff, sob o regime de delação premiada. 

Enfática, Dilma classificou a reportagem como "uma calúnia, uma difamação. Eu manifesto aqui a minha inteira indignação. O povo não é bobo, ele sabe que está sendo manipulada essa informação porque não foi apresentada nenhuma prova. Eu irei à Justiça para defender-me” assinalou.

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Corruptos e corruptores

A corrupção veio à baila em perguntas da plateia e nas intervenções dos candidatos. Na primeira intervenção, instada por pergunta de eleitor, Dilma elencou como medidas que pretende adotar a criminalização da prática de caixa dois, que servidor que enriquecer sem mostrar origem do dinheiro pode perder o bem e ser processado, além de acelerar julgamentos nos tribunais superiores. “Vamos ter um conjunto de medidas para a punição daquele que foi o corrupto e ao corruptor”, resumiu.

Aécio se opôs à tese destacando que as propostas elencadas por Dilma já estão no Congresso há tempos que “não houve preocupação do PT no combate à corrupção”. Como solução, enfatizou: “temos que tirar o PT do governo”.

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Ao retomar a palavra, a petista enfatizou que todos os denunciados por corrupção em governos do PSDB continuam soltos e que seu governo não teve um "engavetador geral da República". Como Dilma avançasse no tempo da resposta, tucanos e petistas se enfrentaram na plateia entre vaias e aplausos.

Mais tarde, Aécio questionou Dilma sobre o mensalão do PT com o objetivo de “a opinião da cidadã Dilma Rousseff” sobre o tema, mas ouviu em réplica desafio da petista para comentar o mensalão mineiro, citando o ex-senador e candidato ao governo mineiro, Eduardo Azeredo. “A estratégia do engavetador para o caso da impunidade deu certo”, ironizou.

Dilma Rousseff adotou uma postura menos agressiva do que o adversário tucano
Reuters
Dilma Rousseff adotou uma postura menos agressiva do que o adversário tucano


Ironias

De olho na crise de abastecimento de água no estado de São Paulo, que garantiu uma melhora no desempenho da petista nas pesquisas no Estado, Dilma voltou a alfinetar os tucanos chamando a atenção para o fato de que “o Estado mais rico do País não foi capaz de fazer um planejamento” para evitar o problema. Já Aécio adotou o discurso oficial do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de que o estado atravessa “a pior seca em mais de 80 anos”. Neste ponto, a candidata à reeleição parafraseou o colunista José Simão dizendo que o governo paulista iria oferecer o programa “Meu Banho Minha Vida”.

Dilma voltou a destilar ironia no bloco final quando Aécio se comprometu a rever uma alternativa ao fator previdenciário. A petista, no entanto, lembrou que o mecanismo fora criado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, maior fiador da candidatura presidencial do tucano. 


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