Segundo Dilma, pichações em prédio da Abril em SP representam barbárie. Sua campanha espera que tenha direito de veicular sua versão, com cerca de uma página e meia

A presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, disse hoje (25) que considera uma “barbárie” os atos de vandalismos ocorridos em frente ao prédio da Editora Abril, em São Paulo. Dilma repudiou os ataques que incluíram pichações e disse que o padrão de discussão política deve ser “pacífico”.

Pichações na sede da revista abril, na zona oeste de São Paulo.
Marcos Bezerra/Futura Press
Pichações na sede da revista abril, na zona oeste de São Paulo. "Veja mente", escreveram pichadores

“Eu lamento qualquer ato de vandalismo, não concordo com ato de vandalismo. Repudio formas, todas elas, de violência como resposta e discussão política. Isso é uma barbárie, nâo deve ocorrer, deve ser coibido. Ou seja, nós só podemos aceitar um padrão de discussão que seja pacífico, com argumentos e que defenda posições e não que ataque uns aos outros. Não se cria um País civilizado e democrático dessa forma. Repudio integralmente”, disse a presidente em entrevista coletiva concedida em Porto Alegre.

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Dilma diz na TV que reportagem de Veja é “terrorismo eleitoral”

Os ataques ocorreram após a publicação da reportagem da revista Veja, que afirma que o doleiro Alberto Youssef teria dito, em depoimento à Polícia Federal, que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabiam do suposto esquema de propina instalado na Petrobras, que abasteceria campanhas do PT. Segundo a própria revista, o doleiro não apresentou provas disso.

Apesar de não concordar com os ataques, Dilma voltou a condenar a reportagem que segundo ela faz parte de um processo “golpístico”. “Eu quero dizer aqui que eu tenho uma vida inteira que demonstra o meu repúdio à corrupção. Eu não compactuo com a corrupção, eu nunca compactuei. Quero que provem que eu compactuei com a corrupção e não esse tipo de situação em que se insinua e não tem prova”, disse.

“Além disso, eu quero dizer também, eu não falo de corrupção só em época eleitoral. Eu combato a corrupção fora do período eleitoral e faço isso de forma sistemática. Nesse caso da Petrobras, ou qualquer outro, que tenha a ver com corrupção, eu vou investigar a fundo, doa a quem doer. Quero dizer que não vai ficar pedra sobre pedra”, repetiu a presidente.

A campanha de Dilma ingressou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de direito de resposta em relação à revista. O relator do pedido é o ministro Admar Gonzaga. A campanha espera que tenha direito de veicular sua versão, com cerca de uma página e meia, no site da revista.

“Essa é uma questão que a mim diz respeito, porque inclusive é algo que considero dever de um presidente quando está no exercício do cargo, a investigação doa a quem doer. O que, aliás, nunca aconteceu nesse País, pelo contrário. Sempre ou engavetaram os processos ou deixaram que eles prescrevessem. Comigo não vai acontecer isso. Quero dizer outra coisa, eu vou informar à nação, não dessa forma seletiva, que permite que bandidos que tentam salvar a sua própria pele, façam acordos políticos e digam coisas sem fundamento”, disse Dilma.

“Eu quero saber como é que é que as coisas vão ficar se nós investigarmos. Sabe como elas vão ficar? Límpidas, translúcidas e os responsáveis também pelas injúrias e calúnias devem ser punidos. Porque não se pode tratar assim uma presidenta da República a três dias da eleição. Por que isso nunca apareceu antes? Que história é essa? A minha indignação é proporcional à injustiça que estão cometendo e ao uso político que estão fazendo disso”, considerou a presidente.

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