Demonstrando nervosismo, Dilma e Aécio fazem debate equilibrado

Por iG São Paulo |

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Alternando ataques e apresentação de propostas, petista e tucano participam do último confronto das eleições

Dilma Rousseff, presidente e candidata à reeleição pelo PT, e Aécio Neves, presidenciável do PSDB, participaram na noite desta sexta-feira (24) do ultimo debate da campanha do segundo turno à Presidencial da República. Ambos os presidenciáveis estavam nervosos no confronto, que foi marcado por alternância de ataques e propostas dos dois lados. 

Em segundo lugar nas pesquisas Ibope e Datafolha, o tucano assumiu uma postura mais agressiva logo início do confronto, citando matéria da revista Veja com denúncia de que Dilma e o ex-presidente Lula supostamente sabiam de casos de corrupção na Petrobras.

Dilma respondeu acusando a revista de golpismo ao propagar denúncias falsas. A petista disse ainda que vai processar a publicação. "A revista Veja não apresenta nenhuma prova do que faz. Ela tem o hábito de tentar dar um golpe eleitoral. Fez a mesma coisa em 2002, em 2006, em 2010 e agora faz em 2014. O povo não é bobo, candidato. E sabe que está sendo manipulado", criticou Dilma.

Pesquisas: Veja desempenho de Dilma e Aécio no Ibope e Datafolha no 2º turno

Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) participaram na noite desta sexta-feira (24) de um debate presidencial na Rede Globo. Foto: Reuters/Ricardo MoraesDilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) participaram na noite desta sexta-feira (24) de um debate presidencial na Rede Globo . Foto: ReproduçãoAécio e Dilma posam juntos pouco antes do debate da Globo . Foto: ReutersDilma adotou uma postura menos agressiva do que o adversário tucano . Foto: ReutersOs presidenciáveis também puderam responder as perguntas de eleitores indecisos . Foto: ReproduçãoOs eleitores indecisos que fariam as perguntas foram sorteados na hora pelo apresentador Willian Bonner . Foto: ReproduçãoDilma recebe água durante intervalo do último debate da TV Globo antes do segundo turno. Foto: AP Photo/Silvia IzquierdoAécio Neves aproveitou o intervalo do debate para consultar suas anotações; ele adotou uma postura mais agressiva no encontro . Foto: AP Photo/Silvia IzquierdoDilma  lidera  a corrida presidencial tanto no Ibope quanto no Datafolha . Foto: ReproduçãoAécio começou  a corrida presidencial no segundo turno em primeiro, mas perdeu a liderança para Dilma . Foto: ReproduçãoAécio Neves antes do início do debate presidencial da TV Globo. Foto: Marcos Fernandes/PSDB - 24.10.14

Em contra-ataque ao adversário, Dilma citou a crise de água em São Paulo, governado pelo tucano Geraldo Alckmin. "O fato é que a água é responsabilidade do Estado, nós somos parceiros e demos o dinheiro para projetos. Não planejar no Estado mais rico do País é uma vergonha", atacou a petista.

Nesta questão, Dilma foi irônica ao responder ao adversário, estratégia que usou em grande parte do debate. Ela citou até o colunista do José Simão, dizendo que com a falta de água em São Paulo vai ser necessário criar o programa Meu Banho Minha Vida.

O tucano responsabilizou o governo federal pela crise hídrica paulista, dizendo que Dilma não ajudou o Estado com investimentos. Aécio apontou o aparelhamento político das agências fiscalizadoras e dos órgãos federais.

Análise dos candidatos: 
Dilma Rousseff enfrenta ataques de Aécio Neves com ironias e cobranças
- Aécio Neves retoma agressividade e ironia no confronto final

Aécio também atacou financiamento do governo brasileiro a um porto em Cuba, que tem obras tocadas por empresas brasileiras.

 "Talvez eu possa aqui relevar ao Brasil as razões pelas quais este empréstimo à Cuba é secreto. Recebi um documento hoje, que vou enviar à investigação. O financiamento à Cuba, diferente do que acontece com outros países em que o pagamento acontece em 12 anos, o pagamento acontecerá em até 25 anos", acusou Aécio. 

"Sempre que se financia uma empresa, as cláusulas de financiamento é a empresa brasileira ao BNDES, e não Cuba. O governo FHC fez o mesmo empréstimo. Eu queria também que o senhor tivesse tanto zelo pela liberdade de infomação nas suas empresas em Minas Gerais". respondeu Dilma. 

Pergunta dos indecisos 

A presença de eleitores indecisos, que fizeram perguntas aos dois candidatos em dois blocos, tornou o debate mais propositivo e deu oportunidade para que os candidatos falassem de alta de aluguéis, violência, combate à corrupção e saneamento básico.  

"Qual será a sua política para quem mora de aluguel, pois os preços estão muito difíceis?",  foi a primeira pergunta, direcionada a Dilma.  A petista destacou o Minha Casa Minha Vida, programa habitacional que conta com subsídio do governo federal. Comentando a resposta da adversária, Aécio disse que a iniciativa tem problemas e não cumpre suas metas. 

Pós-debate 
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Aécio Neves promete demitir diretoria da Petrobras

Respondendo sobre o peso que o aumento da população idosa vai ter nas contas da previdência, Aécio acenou com fim do fator previdenciário, pedágio que reduz o valor de quem se aposenta mais cedo, num eventual governo dele.  

"Nós vamos rever o fator previdenciário, pois dará um alívio muito importante aos aposentados", prometeu o tucano. Dilma aproveitou a deixa para dizer que o mecanismo foi criado no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso na Presidência. 

Reuters/Ricardo Moraes - 24.10.14
Dilma e Aécio no estudio da Globo, para o ultimo debate do segundo turno


Considerações finais

Dilma fez as considerações finais, que encerraram o debate, num emocional. "O Brasil que nós estamos construindo é o Brasil do amor, da esperança e da união. O Brasil das oportunidades. O Brasil que valoriza o trabalho da energia empreendedora. O Brasil que quer crescer, melhorar, e faz isso com muita autoestima. É o Brasil da educação e da cultura. Da inovação e da ciência. Eu deixo aqui minha palavra. Nós que lutamos tanto para melhorar de vida, não vamos permitir que nada nem ninguém tire de você o que você conquistou. Não vamos permitir que isso volte atrás. Vamos garantir que haverá um futuro nosso, um futuro de esperança e de unidade", declarou a petista.  

Aécio, por sua vez, mais uma vez se mostrou como o candidato da mudança. "Eu chego ao final dessa campanha de pé e honrado pelas manifestações de carinho. Não sou hoje o candidato de um partido, mas que representa a mudança que você e sua família quer ver no País. Estou extremamente honrado em andar pelo País e ver surgir uma confiança nova. Acompanhando meu avô Tancredo há 30 anos, tive essa oportunidade de andar pelo País. Se eu merecer o seu voto, eu subirei a rampa do Palácio do Planalto com a mesma força que meu avô nos conduziu à democracia", afirmou o tucano, encerrando o debate.  



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